Há um brasileiro no barco da ativista sueca Greta Thunberg que zarpou com 12 militantes pró-palestinos no domingo passado do porto de Catania, na Itália, com destino à Faixa de Gaza, para protestar contra o bloqueio de Israel, “chamar a atenção mundial” para o “genocídio” que, segundo eles, estaria ocorrendo no território, e levar “ajuda humanitária” à população local.
É o brasiliense Thiago de Ávila Silva de Oliveira, de 38 anos, mais conhecido como Thiago Ávila, um dos principais ativistas do movimento pró-Palestina e anti-Israel no País e um dos líderes da empreitada, promovida por uma organização internacional chamada Freedom Flotilla Coalition (FFC), voltada ao combate do bloqueio a Gaza.

A embarcação, batizada de “Madleen”, em referência à primeira e única pescadora feminina de Gaza, de acordo com informações da entidade, já passou pelas ilhas gregas e tem previsão de chegada ao território palestino no fim de semana. Mas, embora o grupo tenha se declarado disposto a seguir viagem até o destino final, a marinha israelense está monitorando a turma, de acordo com informações do jornal The Times of Israel, e se preparando para “diversos cenários”, com o objetivo de impedir a chegada do barco, que navega com bandeira britânica, a Gaza.
“Gaza está sitiada há 18 anos, como parte de um processo de genocídio de 8 décadas. Nós não precisamos obedecer a regimes opressivos. Na verdade, precisamos desafiá-los”, afirma Ávila, banalizando o termo “genocídio”, como muitos integrantes do PT, do PSOL e da esquerda internacional, num vídeo divulgado nesta sexta-feira, 6, nas redes sociais. “Nós somos parte de um levante global muito maior do que essa humilde missão de 12 pessoas num pequeno barco.”
Formado em Propaganda e Publicidade pelo Instituto de Educação Superior de Brasília em 2008 e candidato derrotado a deputado federal pelo PSOL em 2022, Ávila mantém conexões diretas com diplomatas do regime islâmico iraniano no Brasil e dirigentes do Hamas – o grupo que controla a Faixa de Gaza e foi responsável pelo atentado terrorista promovido em Israel em 7 outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e fez 251 reféns, dos quais 56 continuam desaparecidos. Também mantém desde os 19 anos, segundo ele mesmo conta, ligações com lideranças do Hezbollah, outro grupo terrorista anti-Israel, que é baseado no Líbano e ligado ao Irã, assim como o Hamas.
Sua relação com o Hezbollah é tão próxima que, no fim de fevereiro, Ávila esteve no funeral de Hassan Nasrallah – o líder da milícia xiita libanesa morto num bombardeio realizado por Israel – a convite do próprio grupo. Ainda fez questão de prestar seu tributo a ele visitando o local em que morreu, nos arredores de Beirute, a capital do país.
No início de maio, Ávila fez parte de outra tentativa para chegar a Gaza de barco, também organizada pela FFC, com outro grupo de ativistas pró-Palestina. A embarcação, porém, teve o casco avariado, depois de ser atingida por drones perto da costa de Malta, no Mediterrâneo, e a operação foi abortada.
Um ano antes, ele já havia integrado uma primeira iniciativa do gênero, que deveria partir da Turquia para Gaza. Mas, embora o governo turco tenha autorizado a operação, ela acabou não se realizando, segundo os organizadores, por pressão de Israel, para que a Guiné-Bissau retirasse sua bandeira de um dos barcos da flotilha, e também por pressão dos Estados Unidos e da Alemanha, para que as autoridades do país impedissem a viagem.
Em junho de 2024, Ávila participou, a convite da Embaixada do Irã em Brasília, do International Summit on Gaza, realizado em Teerã, em homenagem ao aniversário de 35 anos da morte do ex-líder supremo iraniano, Ruhollah Khomeini, com direito a discurso no evento, que contou com a presença de diversas autoridades do país e centenas de convidados estrangeiros.
O brasileiro ministra ainda um curso, com cinco aulas em vídeo, no qual diz abordar “os elementos fundamentais para entender o que de fato acontece na Palestina, a criação e o papel do Estado de Israel, a situação atual, a busca pela paz verdadeira” . Afirma também, com a mesma postura antissionista de sempre, que o curso “ajuda as pessoas com técnicas de diálogo e argumentos sobre a questão”.
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Como típico militante da extrema esquerda, Ávila atua também em “causas sociais” aleatórias pelo mundo afora, apesar de se dedicar praticamente em tempo integral ao movimento pró-Palestina. Em julho do ano passado, por exemplo, ele participou de uma “caravana internacionalista de solidariedade com Cuba”, apresentada pelos organizadores como uma “viagem transformadora de imersão e vivência”, como se o país de Fidel Castro e seus sucessores fosse um paraíso na Terra e não uma ditadura implacável com seus opositores.
“São tantas lutas importantes pelo mundo, que mal temos tempo para respirar”, disse Ávila – que se autodefine como “sócioambientalista, internacionalista e comunicador” – em publicação realizada no Facebook na ocasião. Resta saber quem banca sua sanha antissionista e seus devaneios socialistas.


