Lula: Brasil tem ‘autoridade moral’ e vai cobrar da França mudanças no acordo Mercosul-UE

Presidente brasileiro pede relação mais civilizada entre Europa e América Latina em Roma, antes de seguir para Paris

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Por Felipe Frazão
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, dia 22, que o Brasil tem autoridade moral para discutir a questão climática com o resto do mundo e reclamou que as negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), travadas por razões de exigências ambientais. Elas foram apresentadas em março por meio de uma carta adicional. O documento, disse Lula, é “inaceitável”.

“Do ponto de vista do clima, o Brasil tem autoridade moral para discutir com o resto do mundo de cabeça erguida o que queremos para o futuro do Brasil”, disse Lula em Roma, antes de seguir viagem a Paris.

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O presidente cobrou uma relação mais civilizada entre a UE e América Latina. “Essa proposta não está de acordo com aquilo que é o sonho de países como o Brasil, que querem ter o direito de recuperar sua industrialização. A carta adicional que a UE mandou para o Mercosul é inaceitável porque coloca punição se não cumprir o Acordo de Paris. Nem eles cumpriram o Acordo de Paris. É preciso ter mais sensibilidade e humildade”, disse o petista.

Lula não antecipou termos do que vai propor, mas afirmou que tratará dos entraves ao acordo com o presidente da França, Emmanuel Macron.

Lula cobrou ajuda de US$ 100 bilhões prometida pelos países ricos na COP 15, em Copenhagen, que jamais se concretizou Foto: Massimo Percossi/Efe/Epa

Lula disse que os franceses são duros na defesa de seu agronegócio. Ele desembarcou em Paris depois de o parlamento francês aprovar veto político à assinatura do acordo.

“É preciso que cada um abra mão do perfeccionismo e do seu protecionismo”, disse.

Lula cobrou a “verdadeira ajuda” de US$ 100 bilhões prometida pelos países ricos na COP 15, em Copenhagen, que jamais se concretizou.

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“A economia verde só vai existir de verdade se cada um cumprir com o que tem de cumprir. Os países desenvolvidos que já desmataram as suas florestas, que há muitos anos estão industrializado e, portanto, tem uma dívida histórica com o planeta, mais do que um país que começou a se industrializar agora, essa gente tem que pagar um pouco pelo que poluíram no passado para poder ter uma compensação e ajudar os países mais pobres, sobretudo da América Latina e continente africano que precisam muito de investimento e incentivo”, afirmou o petista.

O presidente afirmou que tentará formar um grupo com Indonésia e Congo para tratar de projetos de preservação florestal. “Vamos tentar juntar esses países que ainda têm floresta em pé e das pesquisas da biodiversidade um jeito novo de cuidar do planeta”, disse.

Ele citou dados segundo os quais 87% da matriz energética elétrica do País é renovável, contra 27% no restante do mundo. Quando se trata de combustíveis, a matriz brasileira é renovável na ordem de 50%, enquanto, nos demais países, o patamar é de 15%.

O presidente citou ainda potenciais de exploração de energia solar, eólica e do hidrogênio verde.

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