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Andrade Gutierrez e Novonor, ex-Odebrecht, vencem licitação de obras de refinaria pivô da Lava Jato

Com os nomes de Consag e Tenenge, as duas empresas ganharam cinco lotes da obra da Refinaria Abreu e Lima; resultado, no entanto, ainda deve passar por avaliação interna antes da homologação

Foto do author Renée  Pereira
Por Renée Pereira e Carlos Eduardo Valim
Atualização:

Andrade Gutierrez e Odebrecht, hoje Novonor, construtoras envolvidas num dos maiores escândalos de corrupção do País, estão de volta às grandes obras de infraestrutura, desta vez na refinaria que foi pivô da Operação Lava Jato. As duas empresas, que eram as maiores empreiteiras do País, estão entre as que deram o maior lance na licitação para as obras de complementação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). A construção deve ter início no segundo semestre deste ano.

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Desde a Lava Jato, operação que desmontou o esquema de corrupção em obras da Petrobras, as companhias viviam uma seca de grandes projetos. De 2018 até o ano passado, a Odebrecht, por exemplo, estava proibida de participar de licitações da petroleira. A Andrade foi liberada em 2017, mas essa é a primeira obra desde o escândalo.

O Estadão apurou que a Consag, empresa da Andrade Gutierrez que atua no mercado privado, venceu dois lotes, o A e o B, cujos valores são da ordem de R$ 3,7 bilhões. A Tenenge, empresa da Novonor (antiga Odebrecht), também ganhou três lotes (C, D e E), mas as cifras são bem maiores, acima de R$ 5 bilhões. Procurada, a Andrade não comentou e a Novonor, não respondeu. Uma terceira empresa venceu dois lotes.

Segundo uma fonte a par das propostas, a Petrobras ainda pode avaliar se algum lote ficou com o preço acima do previsto e fazer um “rebid”. Ou seja, as propostas podem passar por uma reavaliação de preço (algum lote) e a Petrobras propor uma nova rodada de propostas. O procedimento não é obrigatório, mas depende de uma avaliação interna de valores. Além disso, todo o processo tem de passar por processo de análise e homologação. Em nota, a Petrobras as propostas estão em fase de análise pela Comissão de Licitação.

Refinaria Abreu e Lima passará por ampliação para produzir 13 milhões de litros de Diesel S10 por dia quando concluída  Foto: Agência Petrobras

As obras se referem à ampliação da Rnest, chamada de segundo trem. Os investimentos vão elevar de 100 mil para 260 mil barris por dia a produção de diesel S10, que tem menos emissões de poluentes. O projeto, que prevê criar até 30 mil empregos diretos e indiretos, tem o objetivo de trazer autossuficiência do combustível para o País e foi aprovado no ano passado pelo Conselho de Administração.

Hoje a Rnest é responsável por 6% da capacidade de refino da Petrobras e 15% de toda produção de S10 da empresa. O plano da empresa é concluir as obras até 2028. Mas, pelo histórico de obras no País, pode haver atrasos significativos.

A Refinaria Abreu e Lima tem um histórico de corrupção desde o 1º mandato do governo Lula chegando até a administração de Dilma Rousseff. Localizada em Ipojua, no sul de Pernambuco, a refinaria seria uma obra entre a Petrobras e a estatal venezuelana PDVSA, que desistiu do negócio em 2013 por causa dos elevados custo de operação da refinaria. O projeto continuou apenas com a Petrobras.

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O custo inicial seria da ordem de US$ 2,3 bilhões, mas consumiu cerca de US$ 18 bilhões da estatal brasileira e virou um ponto central da Lava Jato. A investigação apontou, na época, que as grandes construtoras do País faziam parte de um conluio para dividir os contratos com os executivos da estatal. Vários executivos foram condenados.

As construtoras foram proibidas de participar das licitações e entraram em crise. Sem as obras bilionárias da Petrobras e com a economia em queda, elas viram suas carteiras de projetos minguarem e as dívidas crescerem. Na Odebrecht, quase 100 mil funcionários foram demitidos em três anos, a receita despencou e vários ativos tiveram de ser vendidos. Mesmo assim, a empresa foi obrigada a entrar em recuperação judicial para não quebrar.

Sem caixa, a Andrade Gutierrez não conseguiu honrar seus compromissos no prazo e teve de renegociar com os credores, sob condições piores de mercado. Para se manter de pé, a empresa se virou com pequenos contratos com a iniciativa privada, praticamente zerando os contratos públicos.

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