Publicidade

Anglo American anuncia plano de cisão de negócios para se defender das investidas da rival BHP

Mineradora, com sede em Londres, planeja desmembrar a área de metais da platina, vender carvão e cindir a produtora de diamantes De Beers

Foto do author Redação
Por Redação

A gigante da mineração Anglo American PLC planeja desmembrar seus negócios em âmbito mundial — incluindo a cisão da operação de diamantes De Beers. Ao mesmo tempo, a empresa quer evitar uma aquisição e busca se concentrar em minerais que deverão crescer no meio da mudança global para a energia verde.

PUBLICIDADE

Com sede em Londres, a Anglo American informou nesta terça-feira, 14, que iria desmembrar a área de platina, vender uma unidade que produz carvão usado na produção de aço e “explorar todas as opções” para separar a De Beers da controladora.

Os movimentos permitirão à companhia se concentrar na produção de cobre e minério de ferro, que juntos representaram mais de dois terços do seu lucro no ano passado. A empresa também manterá seu negócio de nutrientes agrícolas.

O anúncio veio um dia após companhia rejeitar a segunda oferta de aquisição, adocicada, do grupo rival BHP, que avaliou a empresa em 34 bilhões de libras (US$ 42,6 bilhões). Isso foi cerca de 9% maior que a oferta anterior da BHP.

Anglo American quer simplificar operações e aumentar retornos para os acionistas Foto: Anglo American/Reuters

“Decidimos tomar medidas claras e decisivas para agregar valor — de forma segura, responsável e fiável — no interesse, a longo prazo, dos nossos acionistas e outras partes interessadas, e para fornecer os produtos que são tão críticos para permitir a transição energética e apoiar um padrão de vida global melhor e segurança alimentar”, disse o presidente-executivo da Anglo, Duncan Wangled, em um comunicado.

As ações da Anglo American caíram 2,8% no pregão do meio da tarde em Londres. As ações subiram até 33% nas três semanas anteriores devido a especulações sobre uma aquisição.

A empresa procura simplificar as suas operações e aumentar os retornos para os acionistas, concentrando-se numa gama menor de produtos que poderão beneficiar do esforço para reduzir a utilização de combustíveis fósseis e reduzir as emissões de carbono associadas ao aquecimento global.

Publicidade

A procura por cobre, um componente-chave em fiação elétrica, painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos, deverá duplicar até 2035, de acordo com uma análise da S&P Global Market Intelligence.

A mineradora anglo-sul-africana também afirma que o minério de ferro de alta qualidade das suas minas (na África do Sul e Brasil) pode ajudar os produtores de aço a reduzir as emissões de carbono, enquanto o fertilizante natural que a empresa produz pode ajudar a aumentar o rendimento das colheitas e reduzir as emissões da agricultura.

A Anglo American foi a oitava maior empresa de mineração do mundo no ano passado, quando reportou receitas de US$ 30,7 bilhões. Esse valor foi ofuscado pelos US$ 217,8 bilhões gerados pela Glencore, a maior mineradora do mundo.

A empresa foi fundada há mais de 100 anos para extrair ouro na África do Sul e rapidamente se expandiu para diamantes, platina e cobre. No final do ano passado, ela contava com cerca de 60 mil funcionários em 13 países, da Austrália ao Peru.

A Anglo American detém 85% da De Beers, que produz cerca de um terço dos diamantes brutos do mundo e vende joias como diamantes. O restante é propriedade do governo do Botswana.

A África do Sul permanece no centro da Negócios da Anglo American, com a empresa empregando mais de 36 mil pessoas no país no final do ano passado. A mineradora reconheceu o impacto que o plano de reorganização poderia ter sobre os trabalhadores, prometendo envolver-se com “partes interessadas relevantes” e cumprir todos os requisitos de consulta e leis locais./AP

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.