Publicidade

Governo descarta carro popular de R$ 50 mil, e quer ajuda dos Estados para chegar a até R$ 60 mil

Ideia é que corte do ICMS se some a reduções de IPI, dos juros dos financiamentos e das margens de montadoras e revendas para reduzir preços dos automóveis

Foto do author Cleide Silva
Por Cleide Silva
Atualização:

O governo corre para preparar o pacote de medidas para o setor industrial a ser divulgado no próximo dia 25, em evento na sede da Federação das Indústrias (Fiesp), em São Paulo. Um dos anúncios mais esperados é o que vai reduzir os preços dos automóveis. A dificuldade está em chegar a uma equação para que alguns modelos sejam oferecidos entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.

A intenção inicial, de produtos na faixa de R$ 45 mil a R$ 50 mil, se mostrou inviável. A meta agora é ter pelo menos um modelo por cerca de R$ 55 mil, segundo fontes ouvidas pelo Estadão. Para isso, o governo tenta envolver também os Estados com cortes no ICMS, medida que se somaria à redução do IPI (imposto federal) e das margens de lucro de montadoras e concessionárias.

PUBLICIDADE

O pacote deve incluir também juros subsidiados para o financiamento e prazos mais longos para as parcelas. Está em discussão também o uso de parte do FGTS do trabalhador como uma espécie de “fundo garantidor” em caso de inadimplência. Hoje, os juros altos são citados pelas montadoras como o principal entrave para as vendas

Há ainda medidas para reduzir os preços de automóveis de até R$ 100 mil, que estão fora do segmento chamado de “popular” (ou “de entrada”). Os dois modelos mais baratos à venda hoje são o Renault Kwid e o Fiat Mobi, ambos por R$ 69 mil.

Outra medida deve favorecer diversos segmentos da indústria, além do automotivo. Os organizadores do evento aguardam a confirmação da presença do presidente Lula para fazer o anúncio. Em sua ausência, o porta-voz será o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, já confirmado para falar na abertura do evento que comemora o Dia da Indústria, às 9h.

Os modelos mais baratos atualmente são Fiat Mobi e Renault Kwid, ambos por R$ 69 mil Foto: Daniel Teixeira/Estadão/08/08/2017

Na abertura estarão presentes o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante e o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, de acordo com agenda preliminar a que o Estadão teve acesso.

Recuperação das vendas

A indústria automobilística espera que as medidas ajudem a recuperar as vendas do setor, que estão em queda ou estagnadas desde o início da pandemia. Atualmente, várias empresas suspenderam a produção temporariamente e deram férias coletivas aos funcionários ou cortaram turnos de trabalho para adequar a produção à demanda.

Publicidade

O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Márcio de Lima Leite, afirma que a entidade não está à frente dessa discussão, que tem sido conduzida por algumas montadoras com ajuda da Fenabrave (que representa as concessionárias). “Mas tudo o que for feito para aquecer o mercado é muito bem vindo, respeitando-se requisitos importantes”, diz Leite.

A entidade é contrária a ações como retirada de itens relacionados à segurança e redução de emissões para baratear os preços dos carros. Alternativas citadas por algumas empresas são sistemas de multimídia menos sofisticados, itens como estofamento, forro do porta malas, tapetes, etc.

Outra medida que pode ser anunciada é a volta gradual da cobrança do Imposto de Importação de carros elétricos – que está zerado desde 2015 – para incentivar a produção local desses modelos, assim como dos híbridos flex. Essa proposta, contudo, é vista por parte das fabricantes como um atraso ao País na busca pela descarbonização.

Após a cerimônia de abertura será realizado um painel para debater a nova política industrial, com as participações de Mario Cimoli, professor da Sant’Anna School of Advanced Studies, da Itália, e Mariana Mazzucato, professora de Economia da University College London. A discussão será moderada pelo empresário Dan Ioschpe, vice-presidente da Fiesp e presidente do Iedi.

PUBLICIDADE

Ainda na parte da manhã haverá outro painel sobre a reforma tributária brasileira para o crescimento econômico, com as presenças de Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Reginaldo Lopes, deputado federal e coordenador do Grupo de Trabalho (GT) sobre o Sistema Tributário Nacional e Aguinaldo Ribeiro, relator do GT.

Na parte da tarde estão previstos mais três painéis sobre a desindustrialização e os novos desafios da geopolítica e do reshoring, financiamento para o desenvolvimento da indústria e fortalecimento das pequenas e médias empresas. Entre os participantes desses debates estão Gabriel Galipolo, secretário executivo do Ministério da Fazenda, representantes do Mdic, da Fiesp, do Cebri, da Finep e do BNDES. O evento será encerrado às 17h pelo governador Tarcísio de Freitas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.