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Petrobras anuncia estudos para reduzir emissões da refinaria Lubnor, no Ceará

Empresa pretende substituir gás natural na geração de energia por biometano, que também será usado para produzir hidrogênio; unidade também vai produzir combustível marítimo renovável e asfalto com menor impacto ambiental

Por Amélia Alves
Atualização:

A Petrobras iniciará estudos para investimentos com o intuito de descarbonizar a refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), em Fortaleza (CE). Segundo o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França da Silva, os estudos terão recursos do Programa Carbono Neutro, iniciativa de transição energética da companhia.

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Previsto no Plano Estratégico 2024-2028 e em implantação em várias unidades da empresa, esses projetos visam acelerar a identificação e o desenvolvimento das melhores soluções para reduzir as emissões de carbono da Petrobras.

Na Lubnor, segundo a estatal, o objetivo é a neutralização total das emissões absolutas da refinaria. A Petrobras pretende substituir o gás natural utilizado pela Lubnor na geração de energia por biometano, que também será usado para produzir hidrogênio. Isso deve reduzir em 100% as emissões diretas de gás carbônico da refinaria (atualmente em 60 mil toneladas por ano).

Refinaria no Ceará inicia estudos para descarbonização da Petrobras Foto: Divulgação/Lubnor

A Lubnor também passará a produzir Biobunker, combustível marítimo com conteúdo renovável, e CAP Pro, um asfalto com menor impacto ambiental na aplicação. Além disso, utilizará energia elétrica renovável em seus processos, o que deverá neutralizar em 100% suas emissões indiretas de gás carbônico.

Além dessas iniciativas, já em implantação, a Petrobras estuda a inclusão de novos produtos para compor uma carteira mais sustentável: lubrificantes naftênicos (base para óleos para transformadores, compressores de refrigeração e compressores de ar) produzidos com hidrogênio de baixo carbono, querosene de aviação com conteúdo renovável ou de baixo carbono, e combustíveis diesel tipo S10 RX - com baixo teor de enxofre e conteúdo renovável em sua composição.

As iniciativas em estudo passariam pela adequação e até mesmo ampliação da planta industrial da Lubnor, explicou o gerente de Tecnologia de Refino e Gestão de Ativos da Petrobras, Rodrigo Abramof. “Preparamos um conjunto de medidas, e elas passarão a integrar o Plano Diretor da refinaria”, acrescenta.

Se implementadas, essas iniciativas e as que já estão em andamento irão elevar de 60% para 80% o perfil de produtos da refinaria com características de fixação de carbono. A presença de conteúdo renovável, que hoje não integra os produtos da refinaria, poderá chegar a cerca de 10%.

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O gerente executivo de Refino da Petrobras, Marcos José Jeber Jardim, defendeu o Carbono Neutro como uma “mudança de marco”. “É um rito de passagem, que cria um futuro que se desdobrará às novas gerações”.

Já França destacou que o Plano Diretor Lubnor Carbono Neutro se une a outras iniciativas que, juntas, consolidam o compromisso da companhia com a sociedade. “Nossa ideia é ampliar e valorizar o refino”, disse, ressaltando a importância da inovação em questões como a transição energética. “Não podemos prescindir do tripé Empresa, Estado e Universidade”, frisou.

Inaugurada em 24 de junho de 1966, a Lubnor tem capacidade de processamento de 10 mil barris por dia de petróleo e atende a cerca de 12% do mercado nacional de asfaltos. É a única produtora de óleos lubrificantes naftênicos no País.

Ela atua como polo logístico de combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP, ou gás de cozinha) da Petrobras no Ceará. Em sua carteira, o produto predominante é o asfalto (48% do total), seguido de bunker e óleo combustível (34%), lubrificantes naftênicos (12%) e diesel marítimo (6%).

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