Petróleo na Margem Equatorial abre fronteira que pode reposicionar Brasil no setor, dizem analistas

Confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas, é ‘extremamente importante’, diz IBP

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Foto do autor Renan Monteiro
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BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO - A descoberta de petróleo na Margem Equatorial, divulgada nesta sexta-feira, 14, foi recebida por autoridades e especialistas como uma oportunidade de levar o Brasil a um novo patamar no setor energético. A Petrobras atingiu o reservatório do poço de Morpho, identificando a descoberta de óleo. Veja, a seguir, como diferentes atores do mercado avaliaram o anúncio.

A descoberta vai mudar a geopolítica nacional se a região virar realmente uma nova província petrolífera do País, avalia o professor do Instituto de Energia da PUC Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn.

O poço Morpho está localizado a 175 km da costa do Oiapoque (AP) e a quase 500 km da foz do Rio Amazonas Foto: Cezar Fernandes/Petrobras

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Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Zylbersztajn afirma que a incidência de petróleo no local é uma grande notícia mesmo que ainda não se saiba qual o tamanho da reserva, até porque a descoberta veio muito rápida. Ele lembra que a Exxon precisou perfurar 64 poços para encontrar petróleo na Margem Equatorial, do lado da Guiana.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, colunista do Estadão, afirmou ao Estadão/Broadcast: “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante, ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais”, disse.

Vai ‘reposicionar o Brasil na geopolítica global’, diz Silveira

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que a descoberta pode “reposicionar o Brasil na geopolítica global”.

“Foram mais de três anos intensos em defesa da nossa economia e soberania energética (...) Não foi sorte achar petróleo na Margem Equatorial, foi o resultado do árduo trabalho do nosso governo e da implementação responsável de suas políticas públicas”, comentou Silveira pelas redes sociais.

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As operações de perfuração continuam. A atual fase é de avaliação exploratória no bloco FZA-M-59. A Petrobras detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido sob o regime de concessão. O ministro de Minas e Energia fez um agradecimento público à Advocacia-Geral da União (AGU) e às equipes da Petrobras.

“Podemos criar novas divisas e garantir que toda essa nossa potencialidade traga centenas de bilhões em investimentos, empregos e renda para brasileiras e brasileiros, combatendo as desigualdades e levando desenvolvimento, principalmente, nas regiões Norte e Nordeste do país, em absoluta harmonia com a transição energética nacional”, afirmou.

IBP: descoberta reforça segurança energética

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou que a descoberta nas águas ultraprofundas da Margem Equatorial brasileira, confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e no longo prazos.

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“O IBP vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas. A notícia divulgada pela Petrobras na data de hoje é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do País”, disse a entidade em nota.

Segundo a companhia, por ser uma profundidade expressiva (2.886 metros) e em uma região pouco conhecida, o trabalho foi realizado com cautela para que o resultado fosse alcançado. As operações de perfuração permanecem em curso, visando à continuidade da avaliação exploratória.

‘Pode abrir nova fronteira para a Petrobras’, diz Fábio Lemos

Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a descoberta “reduz o risco geológico” da Margem Equatorial e “abre caminho” para que a região se consolide como uma nova fronteira de produção da Petrobras.

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“Se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, aí sim podemos estar diante de uma nova fronteira capaz de ter importância estratégica para a Petrobras na próxima década”, afirmou Lemos. Para o especialista, o potencial da região também pode se refletir positivamente nas ações da companhia.

A relevância da descoberta, segundo Lemos, está justamente na redução do risco geológico de uma região considerada estratégica pela Petrobras para a reposição de reservas. A Margem Equatorial é vista como uma potencial nova fronteira de exploração e produção depois do pré-sal, embora ainda não haja dados suficientes para dimensionar o tamanho da descoberta, o volume recuperável ou a viabilidade econômica da produção.

Para Lemos, a comparação com o pré-sal deve ser feita pelo potencial de abertura de uma nova fronteira, e não como uma equivalência já comprovada em reservas. “Isso aqui é sério. Ponto de virada para a Petrobras”, afirmou.

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