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Porto do Açu começa expansão de terminal com foco em grãos, fertilizantes e lítio

Cais vai ser ampliado para permitir a atracação simultânea de dois navios de grande porte; expansão vai custar até R$ 300 milhões em três anos

Por Gabriel Vasconcelos (Broadcast)
Atualização:

RIO - A Prumo Logística iniciou as obras de ampliação do Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, para expansões no cais e no Terminal Multicargas (T-mult) do seu Terminal 2. O objetivo é aumentar a movimentação de produtos, com foco no curto prazo em grãos, fertilizantes e lítio, disse ao Estadão/Broadcast o presidente do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo.

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“O que estamos fazendo é uma expansão para ampliar a operação do T-mult, e isso passa pelo cais e pela área do terminal. Queremos aumentar o volume e ter mais flexibilidade operacional para receber cargas diferentes e realizar operações simultâneas”, diz Figueiredo.

Segundo o presidente do Açu, o cais operacional do T-mult vai ser ampliado de forma linear de 340 metros para 500 metros, o que vai permitir a atracação simultânea de dois navios de grande porte, os chamados Panamax. Hoje, o cais comporta a operação de um navio com mais uma embarcação de apoio.

Obras de ampliação do Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro Foto: Divulgação/Leonardo Berenger

Em terra, as instalações para recebimento das cargas vão ganhar 110 mil metros quadrados adicionais, quase dobrando os 120 mil m² atuais do T-mult. Há oito anos em operação, esse terminal de cargas já recebeu cerca de R$ 600 milhões em investimentos. A expansão de momento adiciona um capex de R$ 100 milhões, diz Figueiredo. Mas o projeto completo de expansão, que ainda engloba pátios de armazenagem, galpões, infraestrutura para estocagem e novos equipamentos, vai envolver até R$ 300 milhões em três anos.

Curto prazo

No curto prazo, detalha Figueiredo, as principais oportunidades do Porto do Açu estão na movimentação de grãos de milho e soja, fertilizantes e lítio.

A ideia é que os dois primeiros produtos permitam a operação de “cargas de retorno”, com a recepção de grãos para exportação pelos mesmos caminhões que levam fertilizante importado, tudo passando pelo Açu. O fertilizante trazido de países como Canadá, Rússia e Marrocos é encaminhado para o sul de Minas Gerais e Goiás. De lá, e também do oeste do Espírito Santo, vêm o milho e a soja a serem embarcados para o exterior.

“O potencial do grão no curto prazo é muito bom. O volume trazido pelo modal rodoviário por falta de opção ainda é enorme. Isso pode gerar uma operação dedicada antes ainda do Lítio, mesmo com ‘rump up’ em mina”, diz o diretor de operações João Braz, ao citar a produção de Lítio no Vale do Jequitinhonha, hoje escoada para fora sobretudo pelo Açu.

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Em 2023, o Açu embarcou 200 mil toneladas do mineral espodumênio e lítio. No espodumênio, o terminal portuário bateu um recorde, com o embarque de 84,14 mil toneladas em seis dias. A projeção é que, em 2024, o volume do mineral, de onde se extrai o lítio e o metal high grade e low grade, mais do que dobre.

Operação

O Porto do Açu é formado pelos terminais 1 e 2 e seus cais, que movimentaram 85 milhões de toneladas em 2023, volume 27% superior ao registrado em 2022. O número faz do Açu, um porto privado, o segundo maior do País em comparação que abrange portos organizados (mas não terminais de uso privado, os TUPs), só atrás do Porto de Santos, que tem o dobro de movimentação. Para 2024, a projeção é chegar a 100 milhões de toneladas.

Mais de 95% do volume total de 2023 passou pelo Terminal 1 (T1), a maior parte em minério de ferro e petróleo para transbordo. O restante, que entra ou sai pelo Terminal 2 (T2), são cargas variadas que, no ano passado, somaram mais de 20 tipos, tais quais carvão, coque, sal, fertilizantes e grãos. A Prumo planeja expandir essa atividade com o aumento do T-mult, mas também aumento no número de operações dedicadas.

“Considerando a expansão da área de armazenagem, poderemos duplicar essa capacidade de movimentação nos próximos anos, chegando a 5 milhões de toneladas em 2025, o que uma operação simultânea de dois navios permite”, diz o diretor Comercial e de Industrialização do Porto do Açu, João Braz. Hoje, essa capacidade está pouco acima de 2 milhões de toneladas.

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Segundo o executivo, o T-mult funciona como espaço de gestação para operações dedicadas, que levam a construção de estruturas específicas para movimentações e acondicionamentos que se tornam regulares. Esse foi o caso, por exemplo, de um armazém dedicado ao concentrado de cobre, produto para exportação sem espaço para perdas no transporte.

“Em 2023, estressamos ao máximo o terminal (T-mult), o que passou por usar toda a infraestrutura e acelerar navios. O crescimento sustentável dessa operação agora passa pela expansão.” Segundo Braz, por se tratar de um porto privado, o Açu tem maior organização e planejamento para atracação e manejo de cargas, o que já deixou para o mercado a marca de um porto sem fila, enquanto outros portos impõem espera de 30 a 60 dias.

“Nos portos públicos, não há gestão unificada de fila. No Açu temos um controle fino, com equipe própria e dois terminais. Isso tem atraído clientes e, no fim da década, com a conclusão de projetos de ferrovia que passam pela região, projetamos um aumento muito grande de demanda”, diz.

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O cenário com escoamento por ferrovias, diz o executivo, viabiliza contêineres e a mancha de captura de grãos saltaria de 7 milhões de toneladas potenciais para quase 30 milhões de toneladas. “Com (transporte) rodoviário, chegamos até o sul de Goiás. Com a ferrovia, podemos chegar até o Mato Grosso”, projeta Braz.

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