Governo está te emprestando teu próprio dinheiro? Entenda a nova polêmica do FGTS
Com o Fundo como garantia, o governo oferece crédito consignado aos celetistas. Crédito do Trabalhador é melhora, mas sofreu críticas.
O lançamento do crédito consignado privado, comemorado pelo governo Lula como uma importante conquista para o trabalhador, virou uma grande polêmica. “Tem muita gente dizendo que a nova política do governo é emprestar para o trabalhador o seu próprio dinheiro e ainda cobrar juros dele”, diz o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery.
No programa Chame o Nery desta quinta-feira, 10, ele explica como funciona o crédito e se a polêmica de emprestar para o trabalhador seu próprio dinheiro cobrando juros é real.
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O crédito do trabalhador, explica Nery, é uma nova forma de empréstimo voltada para o trabalhador CLT, com carteira assinada. “É um crédito consignado, ou seja, os pagamentos vêm descontados mensalmente do salário. É muito difícil a pessoa não pagar, a inadimplência é pequena porque o desconto mensal das parcelas é automático.”
Mas, ao contrário do crédito consignado para servidores públicos que tem benefícios do INSS vitalícios, para o trabalhador privado há o risco de ser demitido e não ter como pagar as parcelas do empréstimo. “Para que esse risco não acarretasse juros maiores e diminuísse a vantagem do consignado, o governo achou uma solução, colocar como garantia o dinheiro do FGTS.”

Ou seja, se o trabalhador for demitido, 10% do saque que ele teria direito pode ir para o banco e 100% daquela multa devida pelos empregadores em caso de demissão sem justa causa (40% dos depósitos) que o empregador fez durante o contrato. “É por isso então que muita gente criticou o crédito do trabalhador, porque a garantia é o FGTS, um dinheiro que é do trabalhador, mas que fica preso.”
Nery explica que a grande crítica ao crédito consignado privado se deve ao uso do FGTS como garantia, porque já existe uma certa frustração de a remuneração do fundo ser baixa. Além disso, completa o colunista, alguém pode estar pagando juros altos no cartão de crédito ou no cheque especial, ao mesmo tempo que está com o FGTS congelado, rendendo pouco.
“O destino do dinheiro que fica parado no FGTS é decidido pelo governo, que usa ele em obras e muita gente sente que não vê esse retorno social ou que não é beneficiado por ele. O rendimento do FGTS é de 3% ao ano mais TR, a taxa referencial que é quase zero.”
Nery destaca que o FGTS é uma das maiores fontes de financiamento do País. “Com ele, o governo banca políticas públicas, principalmente nas áreas de habitação e saneamento. Por isso, há críticos que vão chamar o FGTS de bolsa empreiteira.”




