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Opinião|Preparando lideranças inspiradoras para o futuro

É importante que as lideranças sejam educadoras e inspiradoras; uma prática essencial é que também sejam aprendizes

Tenho insistido na importância de as lideranças serem educadoras e inspiradoras. Uma prática essencial é que também sejam aprendizes, isto é, eles devem mostrar sua vontade de aprender permanentemente. Imbuída deste mesmo espírito, decidi fazer há alguns anos o Módulo Internacional para Índia do MBA Executivo Internacional do Profuturo da FIA Business School.

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Foi uma viagem intensa, proveitosa e extremamente agradável, graças à integração do grupo e à coordenação competente. Além de atividades culturais marcantes (como conhecer o Taj Mahal), houve uma bem-cuidada agenda acadêmica com palestras sobre aspectos sociais, culturais e econômicos, e um rico roteiro de visitas corporativas, tais como: Maruti Suzuki, Infosys, Mahindra, Capgemini, Centro de P&D da GE. E como eu não poderia deixar de observar, uma vez que é a minha especialidade, todas com excelentes Universidades Corporativas.

Por que estou relembrando tal viagem? Porque no ano passado foi lançado o livro “Liderança estratégica em tempos disruptivos: lições de líderes em organizações pelo mundo” (Editora Actual), organizado pelos professores e pesquisadores Renata Giovinazzo Spers, Daniel Estima de Carvalho e Elisa Tozzi, em comemoração e homenagem aos alunos que passaram nas salas de aula do MBA Executivo Internacional, que completou 30 anos.

Importante ressaltar que ao longo destes 30 anos o MBA Executivo Internacional da FIA tem capacitado líderes para dirigir as principais empresas globais e nacionais, e foi pioneiro ao combinar imersão internacional ao currículo. Focado na gestão estratégica, oferece opções de viagens para Índia, Europa, China, EUA e Israel, sempre equilibrando teorias, casos práticos e trocas de experiências, pois enriquecem e consolidam o aprendizado.

Executivos devem educar e também aprender.  Foto: Ami-Lou W/peopleimages.com - stock.adobe.com

O objetivo do livro celebrativo é trazer inspiração para líderes atuais (e em potencial) navegarem na complexidade dos negócios e da sociedade. Conta com o relato de histórias de 30 ex-alunos da FIA, que compartilham trajetórias, lições, exemplos de boas práticas empresariais e as dores dos aprendizados. “E o que é muito interessante, são pessoas que estão muito longe do clichê do super-homem ou da mulher-maravilha corporativos, e que entendem o valor do aprendizado, dos erros e do trabalho em equipe”, enfatizam os coordenadores do livro, acreditando que as lições compartilhadas serão perenes, mesmo com as rápidas transformações que vivenciamos diariamente.

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Um dos casos é justamente de um aluno que também participou da viagem à Índia, no mesmo grupo que eu fui: Daniel Anderson, que tinha uma inquietação no mundo corporativo, que não sabia como resolver. O autoconhecimento promovido pelo MBA Executivo Internacional o fez entender que seu caminho estava no empreendedorismo de impacto social. Hoje Daniel é CEO e cofundador da Helppi (Serviços).

Vamos conhecer um pouco desta história inspiradora.

Filho de um inglês e de uma brasileira, Daniel Anderson foi criado transitando entre as duas culturas, com idas e vindas entre Brasil e Reino Unido. E essas constantes mudanças de perspectiva o estimularam a desenvolver algo importante para sua trajetória profissional: a veia empreendedora. “Eu atribuo muito o meu espírito empreendedor a visões diferentes que tive nos dois países, o que me ajuda a enxergar oportunidades”, diz o empresário que cursou ensino médio e faculdade no Reino Unido, pois sua família foi morar fora do Brasil no final dos anos 1980.

Com o diploma no bolso, Daniel queria voltar às terras brasileiras, porque acreditava que o país precisaria mais dele do que o Reino Unido. Poucos meses após se formar, voltou ao Brasil para realizar uma pesquisa de mercado para uma empresa britânica, fornecedora de equipamentos industriais. O que era para ser um projeto de seis meses, apenas exploratório, virou uma jornada como country-manager de uma subsidiária regional ao longo de 13 anos, o tempo de a empresa sair do zero até tornar-se líder e referência em seu setor de atuação.

Tudo ia bem até a crise global de 2008, que teve um grande impacto em todas as organizações, propiciando assim um período de reflexão. Saiu da companhia anterior na qual trabalhava, e aceitou um convite para trabalhar numa empresa canadense com objetivo de liderar as operações no Brasil e nas Américas Central e do Sul. Embora fosse um cargo interessante, no qual Daniel permaneceu por cerca de sete anos, o momento o fez refletir muito sobre seu futuro. “Eu estava com 40 anos e pensando se a minha vida ia se resumir a isso. Sentia que estava longe de alcançar o potencial e as aspirações que eu tinha, mas ainda não sabia tangibilizar o que realmente eu queria”, relata Daniel. “Eu era uma pessoa reconhecida no meio industrial e, independentemente do que acontecesse, poderia exercer essa função o resto da vida. Estava na zona de conforto, mas com essa inquietação: como alcançar meu potencial?”, questionava-se.

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Por isso, resolveu cursar um MBA e encontrou na FIA a melhor opção para o seu momento e seus objetivos. “Teve muito autoconhecimento na jornada”, conta. Um dos conceitos que tocaram fundo em Daniel foi o do “Ikigai”, originário do Japão, que leva as pessoas a refletirem sobre como alinhar suas aspirações pessoais e profissionais, respondendo a quatro aspectos que devem convergir: É algo que amo fazer? Eu sou bom (boa) nisso? É algo pelo qual posso ser pago (a)? O mundo precisa disso? Também veio à tona o fato de que, muitas vezes, só é possível dar grandes saltos quando saímos da zona de conforto.

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Esses dois insights conectaram-se a algo com o qual Daniel já se identificava: negócios de impacto social. “Em uma matéria do MBA, conheci mais sobre o valor do capital social e o capitalismo consciente, que traz a percepção de que é possível unir lucro ao impacto social e ambiental”, diz entusiasmado. A teoria foi aplicada como base para o TCC de Daniel e de seu grupo, que analisava como resolver o problema da sazonalidade no varejo e como gerar oportunidades para pessoas que precisam trabalhar. Fizeram o trabalho em 2018 e receberam feedbacks tão positivos da banca e dos outros alunos que viram ali a oportunidade disruptiva de causar impacto. Assim, dentro do MBA Executivo Internacional, nasceu a startup de Daniel: a Helppi.

No segundo semestre de 2019, depois de um período de descanso de seis meses, ao lado de outros três fundadores — Adriano Spressola (CTO - Chief Technology Officer), Fábio Manzini (CRO – Chief Revenue Officer), seu ex-colega de turma do MBA, e Karina Gouveia (Head de Operações) —, começou a desenhar o plano de negócios da companhia. O objetivo da startup é conectar profissionais de vários serviços do varejo — reposição, estoque, promoção — a empresas que precisam de profissionais, além de oferecer formação. “Mais de 1.500 pessoas já passaram pela Academia Helppi, e muitas estão empregadas de maneira integral pelas empresas nas quais trabalharam por meio da Helppi”, diz Daniel. Destaque-se que eu tenho muito orgulho de fazer parte do conselho da Academia Helppi.

Mais do que um aplicativo de oferta de serviços, a Helppi tem uma missão educacional de oferecer cursos gratuitos aos profissionais cadastrados na plataforma e capacitá-los não apenas como profissionais, mas como cidadãos. “Estamos também estudando oferecer plano de saúde para os participantes mais assíduos, por exemplo. Queremos oferecer o primeiro degrau, a oportunidade para aqueles que nunca trabalharam no varejo possa ingressar no setor, se desenvolver e crescer”, afirma o empresário.

A sociedade está se tornando cada vez mais consciente sobre a importância das pautas do meio ambiente e do desenvolvimento social. É nisso o que acredita Daniel, que afirma que a temática do ESG veio para ficar — seja de maneira genuína em algumas empresas, seja de maneira pragmática em outras. Entre as temáticas, Daniel acredita que, além da sustentabilidade, a diversidade se destaca. “Se você está numa empresa com pessoas que são só do mesmo grupo, sua visão é de 90 graus. Quando traz pessoas de outros grupos, a visão amplia”, explica. E essa visão mais aberta, segundo o empreendedor, só será desenvolvida com outro ponto fundamental: o aprendizado constante. “O que eu vejo em líderes que admiro é a busca por sempre aprender e se aprimorar”, sentencia Daniel.

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Sem dúvida um bom curso de MBA pode ter efeitos positivos na carreira dos alunos. Por isso parabenizo a coordenadora do PROFUTURO, Prof.a Renata Giovinazzo Spers pelas oportunidades de crescimento pessoal e profissional que oferecem. Mas um bom projeto de TCC, além de gerar ações empreendedoras também impacta a sociedade. Por isso, também dou vivas para Daniel.

Gostou da trajetória dele? Então leia as outras vinte e nove histórias do livro “Liderança estratégica em tempos disruptivos: lições de líderes em organizações pelo mundo”, pois são igualmente inspiradoras. Educação é um investimento que dá altos retornos. Vale ouro! Educação muda vidas e carreiras. Educação muda o mundo.

Uma singela homenagem ao Dia Internacional da Educação, 28 de abril.

Opinião por Marisa Eboli

Doutora em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e especialista em educação corporativa. É professora do mestrado profissional e coordenadora da pós-graduação em gestão da educação corporativa na FIA Business School.

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