Notas de classificação de risco ou ‘rating’: para que servem e como funcionam?

Agência de classificação de risco S&P elevou o rating do Brasil de BB- para BB

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Por Redação
Atualização:
4 min de leitura

A S&P elevou na terça-feira, 19, o rating do Brasil de BB- para BB, fazendo com que o País fique mais próximo de chegar ao grau de investimento - categoria que engloba as notas de crédito mais altas e que serve como selo de bom pagador, atraindo investimentos estrangeiros.

Entenda abaixo o que é rating, também chamada de nota de crédito, e como isso funciona.

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O que é rating? Para que serve?

A nota de crédito (rating) ou classificação de risco, atribuída por instituições especializadas, serve como uma medida confiança dos investidores internacionais na economia de determinado país. As notas servem para fornecer aos investidores uma avaliação independente a respeito do risco de crédito da dívida do país analisado. Os ratings indicam, portanto, se o país é um bom ou mau pagador - ou seja, quais são as chances de ele dar um calote.

Para definir as notas, as agências de classificação de risco analisam fatores como contas públicas, cenário macroeconômico, perspectivas de investimento e contexto político. As agências usualmente atribuem notas para as dívidas de curto e longo prazo, em moeda local e estrangeira.

A nota para a emissão de títulos de longo prazo em moeda estrangeira é a mais comumente usada como referência para definir a classificação de risco do país. Já as perspectivas das notas de crédito indicam se aquela nota de crédito tende a se manter estável, cair (negativa) ou subir (positiva).

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Qual a nota de crédito do Brasil?

Oficialmente, o Brasil possui contrato para classificação de seu risco de crédito com as seguintes agências: Standard and Poor’s (S&P), Fitch Ratings (Fitch) e Moody’s Investor Service. As escalas usadas pelas agências podem ser representadas por letras, números e sinais matemáticos (+ ou -). Na S&P e na Fitch, por exemplo, as notas vão de D (nota mais baixa) até AAA (nota mais alta). Essas notas se dividem em dois grupos: grau especulativo (que engloba as notas mais baixas, de D até BB+) e grau de investimento (que engloba as melhores notas, de BBB- até AAA).

Moody's, Standard & Poor's e Fitch são as agências de classificação de risco mais conhecidas.  Foto: Montagem/Fotos: Reuters

Com o anúncio de elevação do rating do Brasil pela S&P, o País está hoje dois degraus abaixo do grau de investimento nas três agências:

  • Na Standard and Poor’s (S&P), o Brasil é classificado como BB, dois níveis abaixo do grau de investimento, que começa em BBB- - ainda há a nota BB+ entre eles.
  • A agência de classificação de risco Fitch também atribui nota de crédito BB ao Brasil, dois degraus abaixo do grau de investimento, que também começa em BBB- - ainda tem o BB+ entre eles.
  • Já a Moody’s Investor Service, por sua vez, classifica o Brasil como Ba2, também dois níveis abaixo do grau de investimento, que começa em Baa3. Ainda há a nota Ba1 separando os dois.

Veja no gráfico abaixo:

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O que é grau de investimento?

O grau de investimento, por englobar as melhores notas de crédito, é como um selo de bom pagador, pois indica que o País não corre risco de dar calote na dívida pública. As notas mais baixas são agrupadas no grau especulativo, onde há maior risco de que o País deixará de pagar a dívida.

A classificação em grau de investimentos pode atrair investidores ao país, já que fundos de pensão estrangeiros, por exemplo, investem apenas em países que têm essa classificação.

O Brasil recebeu pela primeira vez o grau de investimento em abril de 2008, no governo Lula 2; mas perdeu em setembro de 2015, durante o governo Dilma Rousseff (saiba mais sobre grau de investimento na reportagem).

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