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Última fronteira petrolífera está na Margem Equatorial e tem de ser explorada, diz ‘pai do pré-sal’

Ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella defende prospecção da região: ‘Tem que sentar com o Ibama e conversar, é uma questão de Estado’

Por Denise Luna (Broadcast)

RIO - Considerado o pai do pré-sal por ter sido na sua gestão que a prospecção do petróleo e gás nessa camada foi adiante, o geólogo e ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras Guilherme Estrella, disse ao Estadão/Broadcast que a estatal tem todas as condições de enfrentar o desafio da Margem Equatorial, como fez no início da década no pré-sal.

Apesar de admitir que as questões ambientais são mais complexas, a tecnologia da empresa evoluiu e, segundo ele, manter a produção elevada é uma questão de soberania nacional. “É provavelmente a última fronteira petrolífera, tem que fazer parte do portfólio da Petrobras”, afirma.

Ele lembra que, no governo Fernando Henrique Cardoso, a Petrobras e a Shell chegaram a perfurar um bloco em 2001 na bacia de Santos, na área de Libra, mas o sal muito espesso impediu o prosseguimento da exploração, que demandava investimentos elevados. Ele já sabia da existência do petróleo abaixo do sal desde 1982, mas só com chegada do presidente Lula ao poder, em 2003, a empresa decidiu enfrentar o desafio.

Segundo Estrella, primeiro poço perfurado em sua gestão custou US$ 250 milhões: 'Nenhuma outra empresa faria isso' Foto: André Luiz Mello/AE

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“A Petrobras era administrada como um fundo de investimento na época do Fernando Henrique Cardoso, e essa exploração é uma questão de política pública, política de Estado, como é agora a questão da Margem Equatorial. Eles deixaram 10 bilhões de barris de petróleo lá embaixo do sal. Quando Lula assumiu, em 2003, com outra visão de sociedade. Provamos que era tecnicamente sustentável e retomamos as atividades”, informou.

O primeiro poço perfurado na gestão de Estrella custou US$ 250 milhões. “Nenhuma outra empresa faria isso”, se orgulha. Com a evolução da tecnologia, hoje o custo gira em torno dos US$ 70 milhões.

Para ele, assim como ocorreu na época do pré-sal, a Petrobras precisa sentar com o Ibama e mostrar que pode atender todas as exigências do órgão. A região, informa o ex-diretor, não é tanta novidade assim para a empresa, que já perfurou poços no local sem nenhum acidente. Os rumores de que a estatal teria perdido equipamentos na nova fronteira por conta da força das marés no norte do País é minimizada por Estrella.

Para ex-diretor, existência de petróleo no pré-sal era conhecida desde 1982, mas Petrobras só decidiu enfrentar desafio de exploração com chegada de Lula ao poder, em 2003 Foto: Fábio Motta/Estadão

“Isso faz parte numa exploração como essa, mas não é nada que a Petrobras não possa resolver. Produzimos por algumas semanas na costa do Pará na década de 1980, no bloco Palácio Marino 11, mas não era comercial. Mas a simples ocorrência desse poço mostra que a área é prospectável. Tudo lá é muito complexo, mas a tecnologia avançou muito, a sísmica, a interpretação geológica, tudo evoluiu. Ambientalmente é mais complicada que Campos (bacia)”, diz, recomendando a mesma fórmula usada na época da descoberta do pré-sal.

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“Tem que sentar com o Ibama e conversar, é uma questão de Estado, de política pública, de garantir a soberania nacional. A Petrobras tem todas as condições de resolver essa parada”, ressalta Estrella, que vem sendo convidado a falar em universidades do País sobre sua experiência no setor.

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