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Coreografias do TikTok podem deformar o quadril e prejudicar as articulações, alerta médico

A rede social não é o problema, mas a prática comum entre os internautas requer atenção e cuidados especiais; entenda

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Foto do author Ingrid Rodrigues
Por Ingrid Rodrigues
Atualização:

As coreografias deixaram de ser exclusividades de eventos e festividades. Com a expansão do TikTok como uma das principais redes sociais do Brasil e do mundo, as danças ensaiadas se tornaram práticas diárias e alvo de engajamento. Logo, muitas pessoas, em especial os jovens, geralmente sem o devido preparo físico, se dedicam em gravar vídeos do tipo e explorar novos movimentos. No entanto, o hobby que parece inofensivo pode trazer graves consequências à saúde.

O médico especialista em quadril David Gusmão contextualiza que as coreografias, assim como quaisquer movimentos, dependem das articulações (conexões entre dois ou mais ossos), responsáveis pela movimentação do esqueleto, elasticidade do corpo, postura ereta e prevenção do desgaste ósseo. Contudo, o envelhecimento tende a afetá-las, devido ao enfraquecimento dos ósseos, consequência da perda natural de cálcio e colágeno no organismo, favorecendo algumas condições e doenças como artrite, osteoporose e osteoartrite.

Coreografias mal executadas podem prejudicar a saúde das articulações Foto: Freepik

Embora idosos estejam mais suscetíveis ao desgaste das articulações, jovens também podem ser acometidos como consequência de uma série de fatores, incluindo histórico familiar, traumatismos, sedentarismo, excesso de peso, impacto em excesso, postura inadequada e repetição de determinados movimentos — típico das coreografias do TikTok. “Nesses casos precoces, geralmente, as causas de desgaste articular estão relacionadas à sobrecarga na articulação”, ressalta o médico.

Como as danças podem afetar a saúde articular

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O TikTok não é o problema, mas sim qualquer movimentação do corpo sem o devido condicionamento em danças ou outras práticas, dependendo do nível de flexibilidade exigido. “As repetições sucessivas de movimento com o corpo, para aprender uma coreografia específica, por exemplo, podem afetar a coluna vertebral, provocar lesões no joelho e causar fadiga nas lombares. (...) Um alerta fica para a hiper-rotação das pernas, que pode deformar o quadril e causar torções nos tornozelos”, destaca David.

O especialista detalha que os joelhos, pés, tornozelos e quadris podem sofrer os primeiros impactos de um movimento errado. Por isso, a orientação é conhecer seus próprios limites e ficar atento aos sinais que de indícios de um desgaste, como dores ou inchaços.

Dores e inchaços podem indicar problemas nas articulações Foto: Freepik/@gpointstudio

Como proteger as articulações

Não é preciso aposentar as coreografias. Afinal, quando bem realizadas e orientadas, as danças podem ajudar a reduzir as chances de rigidez nas articulações e até proteger a coluna vertebral, segundo o especialista. Contudo, é imprescindível atenção com a mobilidade e alguns hábitos diários.

O médico recomenda que a prática da dança seja moderada, evitando coreografias que exijam movimentos em falso. “É importante usar um bom apoio para proteger os pés — um calçado adequado que amorteça o impacto com o piso — e ponderar as posições do corpo durante o movimento, sem provocar exaustão. O fortalecimento muscular com trabalho de mobilidade é essencial para uma boa preparação”, orienta.

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Manter uma rotina de práticas saudáveis, com atividade física monitorada e alimentação rica em proteína e colágeno, pode contribuir para a nutrição das cartilagens e promover a nutrição e o metabolismo ósseo. David lista importantes opções para incluir na dieta: “Alimentos com selênio, zinco, cobre e manganês, que estão envolvidos no processo de fabricação de colágeno e na redução da inflamação da cartilagem. Os suplementos que recomendo são os que também estimulam a produção do colágeno, uma das proteínas principais que compõem a articulação, e a vitamina D, fonte essencial para uma boa absorção do cálcio, responsável pelo fortalecimento dos ossos.”

Por fim, o especialista destaca que mesmo mantendo as práticas saudáveis, é indispensável o acompanhamento com um ortopedista de confiança, especialmente em casos de predisposição por fatores hereditários.

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