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O poder de salto alto

As mulheres já exercem 36% dos cargos de liderança no País; conheça a trajetória de sucesso de quatro delas

Por Marcela Rodrigues Silva
Atualização:

Ter o poder de escolher a cor de um esmalte, de decidir qual item de maquiagem vai chegar ao mercado ou mesmo testar um produto antes de todas as consumidoras. Tarefas como essa fazem parte da rotina profissional de Daniela Ota, Cristina Conforto, Clarissa Ezaki e Cristiana Arcangeli - respectivamente, executivas das marcas Dior, Redken, Big Universo e Beauty’in.

 

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Mas o trabalho que parece simplesmente incrível para outras mulheres é feito também de funções pouco glamourosas. Analisar planilhas e cálculos, montar relatórios e estar atenta a tudo o que acontece no mundo da beleza e da moda completam o dia a dia dessas mulheres - que não são poucas. "Elas já ocupam 36% dos cargos de liderança no País", afirma Viviane Rocha, da Great Place to Work, empresa de consultoria corporativa que analisa o mercado corporativo brasileiro e internacional.

 

Para Viviane, o machismo no mundo dos negócios diminuiu, mas não é o único motivo do fenômeno que, segundo ela, é crescente nos últimos 10 anos. "A presença das mulheres também está maior nas universidades. E muitas delas já se preparam justamente para os cargos de liderança", afirma.

 

Um estudo da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, apontou algumas características exclusivas das mulheres que as colocam no mesmo patamar, ou até acima, dos homens. Segundo a pesquisa, de 2009, elas sabem se relacionar com mais flexibilidade, simpatia e olhar humanizado nas relações de trabalho. "Isso não pode se tornar mais uma munição para a competição entre os sexos, mas, de fato, são fatores que fazem diferença no mundo corporativo. Nisso elas saem ganhando", diz Viviane. "E não podemos esquecer que somos multitarefa", completa.

 

Conheça, nas próximas páginas, quatro belas profissionais que ocupam cargos de liderança em empresas cujo produto são o sonho de consumo de qualquer mulher vaidosa. Elas contam que, apesar do status de poder e do glamour aparente, trabalham muito e arduamente. Mas são unânimes: vale a pena!

 

 

Cristina Conforto, 37 anos

Diretora da Redken no Brasil

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Só o currículo extenso e sólido faz cair por terra o rosto de menina da carioca Cristina Conforto, diretora da marca Redken no Brasil há 1 ano. Sua trajetória na L’Oréal começou em 2001, como gerente de produto de coloração L’Oréal Paris. Quatro anos depois, migrou para a Divisão de Produtos de Luxo e assumiu a direção de marketing da marca Biotherm e de perfumes como Giorgio Armani e Ralph Lauren.

 

Hoje, aos 37 anos, Cristina passa quase 10 horas no escritório, no Rio de Janeiro, mergulhada entre relatórios, ações de marketing, planejamentos e, claro, muitos produtos de beleza. Viaja por todo o Brasil acompanhando eventos e ações com a marca e vai a Paris pelo menos uma vez ao ano para reuniões globais.

 

O tempo livre é praticamente dedicado às duas filhas, de dois e sete anos. "Minha diversão é ir a festinhas de crianças. São tantas que, para perder as calorias dos brigadeiros, preciso arrumar uma brecha para correr na Lagoa." O resto do tempo é do marido, com quem é casada há 13 anos.

 

A executiva jura que não é vaidosa. "Mas protetor solar todos os dias é prioridade." E admite: seu banheiro está repleto de lançamentos. O marido e as filhas adoram sua história no universo da beleza. "Minhas filhas gostam de ir ao escritório e ganhar um batonzinho. E meu marido testa vários produtos", entrega.

 

 

Clarissa Ezaki, 30 anos

Diretora comercial e de marketing da Big Universo

 

Imagine ser dona de uma fábrica de esmaltes, ter o poder de escolher os tons que chegarão às gôndolas das perfumarias e, ainda, batizar as cores que vão preencher os cobiçados vidrinhos. Para uma louca por esmaltes, o trabalho parece um sonho. Mas são atividades comuns no dia a dia da paulistana Clarissa Ezaki, 30 anos, herdeira da empresa Big Universo, da qual também é diretora comercial e de marketing.

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Formada em farmácia - por influência do pai, que é químico -, Clarissa sempre trabalhou na fábrica que o avô fundou em Santos, há mais de 25 anos - e que hoje está estabelecida em Mauá, na Grande São Paulo. "Nos anos 80, ele fazia uma produção de esmaltes de fundo de quintal mesmo. E, depois, vendia de porta em porta. O negócio foi crescendo e virou uma fábrica grande", conta a jovem que, por determinação dos pais, passou por todas as áreas da empresa. "Passei até pela produção", lembra.

 

Há alguns anos, aliada à oportunidade de influenciar a produção de esmaltes, essa fashionista de carteirinha teve um insight que mudou para sempre a história da Big Universo. Clarissa percebeu, em 2008, o boom das unhas coloridas e a penetração das marcas estrangeiras entre as consumidoras. Na época, o acabamento fosco ainda não estava disponível no Brasil e ela enxergou a chance de alavancar a marca.

 

"Convenci meu pai e meu tio, que estão à frente da empresa, a produzir a base com efeito fosco. E, depois, encontrei nos blogs a oportunidade de um marketing barato", lembra. O Matt Plus foi sucesso imediato, seguido pelo Acqua, o verdinho semelhante ao venerado Jade, da Chanel.

 

Além de cuidar da administração da empresa, cargo que ocupa há 4 anos, e do marketing, Clarissa fica de olho no que as blogueiras de moda dizem e, claro, no que faz sucesso fora do Brasil. "A ideia é conhecer o que as mulheres querem e concretizar seus desejos", conta Clarissa.

 

Ela conta que a cara de garota meiga já foi um problema. "No começo, todos questionavam a minha posição e me viam apenas como a filha do dono, que estava ali só para enfeitar. Tive de trabalhar muito para ganhar o respeito dos funcionários. " Clarissa só lamenta o fato de o avô, fundador da Big Universo, ter morrido antes de testemunhar a revolução em sua empresa. Uma trajetória de sucesso que teve participação decisiva da neta.

 

 

Cristiana Arcangeli, 48 anos

Presidente da Beauty'in

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A empresária Cristiana Arcangeli, 48 anos, formou-se em odontologia, mas seu lado empreendedor e o estilo de vida natural foram determinantes para os rumos de sua carreira. Nos anos 80, a jovem com pose de socialite vislumbrou a tendência mundial que os produtos naturais se tornariam hoje. À época, criou a Phytoervas, primeira marca a oferecer uma linha de produtos sem sal para cabelos. Também apresentou inovações em embalagens e ativos naturais. Mais tarde, nos anos 90, lançou a PH Arcangeli, primeira distribuidora de cosméticos internacionais do País, com marcas como Chanel, Bulgari, Clinique e Carolina Herrera. Também criou a primeira perfumaria nos moldes internacionais do Brasil, a Phytá.

 

Em 1998, a Phytoervas foi vendida para a multinacional farmacêutica Bristol-Myers Squibb. Oito anos depois, lançou sua segunda empresa com o mesmo DNA: a Éh Cosméticos, primeira linha de cosméticos orgânicos do Brasil - que, por sua vez, foi vendida dois anos depois. Incansável, a empresária lançou, em maio de 2010, sua terceira empresa, a Beauty’in que, mais uma vez, inaugurou uma nova categoria no País: a de aliméticos (alimentos saudáveis aliados a cosméticos).

 

Ao longo do tempo, tornou-se referência no assunto e lançou dois livros: Beleza para a Vida Inteira (2002) e Como Viver Mais e Melhor - Só Para Homens (2006). Também colecionou títulos - ganhou a cadeira 21 na Academia Brasileira de Marketing e conquistou os prêmios Mulher Mais Influente do País em 2004 e Prix Veuve Clicquot de la Femme d'Affaires, em 1998.

 

A voz que é firme e rápida na entrevista sobre a carreira só amolece ao mencionar as filhas, de 25 e 11 anos. "Somos muito unidas", conta Cristiana, figura bastante conhecida nas rodas executivas e sociais de São Paulo. A empresária transita entre as celebridades com o mesmo desembaraço com que lida com os negócios. E não cansa de surpreender quem está à sua volta.

 

A expertise para o mundo dos negócios a colocou como conselheira do programa Aprendiz (Record) em 2010, ao lado de João Dória Jr. Já o lado humano a mantém no ar com a segunda edição do programa Extreme Makeover Social (Record), em que, junto com uma equipe de arquitetos, viaja pelo Brasil reformando creches, escolas e centros de convivência infantil.

 

 

Daniela Ota, 32 anos

Diretora da Dior no Brasil

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À frente da Dior no Brasil há quase quatro anos, a paulistana Daniela é responsável pelo departamento de marketing da divisão de perfumes e cosméticos. Na prática, testa os produtos mais desejados do mercado antes de todas as mulheres e ainda escolhe o que será lançado no Brasil.

 

Formada em administração de empresas e com duas especializações, Daniela sabe que nem só de glamour vive uma diretora de marca de cosméticos. Além do indispensável jogo de cintura para liderar a equipe de 20 pessoas (80% mulheres), ela lida diariamente com planejamentos, cálculos, planilhas e muitos relatórios. "Amo meu trabalho, mas não dá para se deslumbrar", avisa.

 

O lado mulherzinha, claro, é bastante presente. "Tenho mais de 100 itens de maquiagem e adoro perfumes", revela.

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