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Adiantamento das eleições legislativas na França sacode a preparação para os Jogos Olímpicos

Há o temor de que a crise política aberta com a ascensão da extrema direita na Europa cause impacto no mais importante evento esportivo do planeta

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Por AFP

O Comitê Olímpico Internacional (COI) assegura que o inesperado adiantamento das eleições legislativas na França não “perturbará” os Jogos de Paris-2024, mas muitos temem que a crise política aberta com a ascensão da extrema direita na Europa cause impacto no mais importante evento esportivo do planeta.

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O presidente francês, Emmanuel Macron, chocou seu país na noite de domingo ao anunciar que as eleições legislativas previstas para 2027 ocorreriam em 30 de junho e 7 de julho próximos, quase três semanas antes do início dos Jogos.

O avanço da extrema direita na França, que obteve quase um terço dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, forçou a decisão do centrista Macron, que pode ser obrigado a governar com um executivo de extrema direita, se esta conseguir a maioria nas eleições antecipadas.

“Como muitas pessoas, fiquei surpresa ao ouvir o presidente decidir dissolver” a Assembleia Nacional (câmara baixa), afirmou a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, que reconheceu por sua vez que Macron “não podia continuar como antes”.

Antecipação de eleições legislativas na França sacudiu o país às vésperas dos Jogos Olímpicos Foto: Benoit Tessier/Reuters

“Mas, de qualquer forma, uma dissolução justo antes dos Jogos é realmente muito perturbadora”, acrescentou a prefeita, rival do presidente na última eleição presidencial em 2022, durante uma visita a uma escola nesta segunda-feira.

A votação poderia provocar instabilidade política caso surja uma câmara baixa sem maioria clara para qualquer partido ou se o partido Rassemblement National (Reagrupamento Nacional, RN), da ultradireitista Marine Le Pen, emergir com a maior bancada do país.

Antes do anúncio, os observadores consideravam que, em caso de derrota, Macron poderia dissolver a Assembleia após o evento olímpico e esperar uma eventual recuperação nas pesquisas, caso os primeiros Jogos na França em 100 anos fossem um sucesso.

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Hidalgo destacou que, do ponto de vista operacional, as eleições não afetarão os Jogos Olímpicos, mensagem ecoada pelo presidente do COI, Thomas Bach, que acompanhou a prefeita durante a visita escolar.

“Acho que todo o trabalho de instalação, de preparação dos Jogos, da infraestrutura, ficou para trás e o que resta é dar as boas-vindas ao mundo inteiro e faremos isso com a alegria de sediar” este evento olímpico, assegurou Hidalgo.

Para Bach, as eleições são “um processo democrático” e “não vão perturbar os Jogos”. “A França está acostumada a realizar eleições e o fará novamente, haverá um novo governo e um novo Parlamento e todos apoiarão os Jogos”, reiterou.

Prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse ter ficado surpresa com decisão de Macron de antecipar eleições legislativas Foto: Michel Euler/AP

‘Última fase’

Os Jogos Olímpicos de Paris terão início em 26 de julho com uma cerimônia de abertura sem precedentes às margens do Sena, na primeira vez que este evento será realizado ao ar livre fora do estádio principal.

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Os organizadores prometem Jogos “icônicos”, tendo a Cidade Luz como pano de fundo, e até agora a segurança, a limpeza do rio Sena e as repetidas ameaças de greves pelos sindicatos eram as principais preocupações.

Mas as eleições legislativas antecipadas acrescentam novas questões: qual governo estará à frente das funções no momento dos Jogos e quais ministros serão responsáveis pela segurança e pelo bom funcionamento dos transportes.

As eleições em dois turnos também mobilizarão centenas de milhares de efetivos das forças de segurança, o que exercerá maior pressão sobre estas, poucas semanas antes de a França receber milhões de visitantes para os Jogos.

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“Estamos na última fase. Todas as principais decisões já foram tomadas, agora estamos na fase operacional”, tentou tranquilizar o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (COJO), Tony Estanguet.

Mas para David Roizen, do grupo de especialistas Fundação Jean-Jaurès em Paris, a agitação política poderia pôr fim a uma fase “em grande medida bem-sucedida” para os organizadores, incluindo o atual revezamento da tocha olímpica.

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