Provas de rua de A a Z

Provas de rua de A a Z

BPC, um caso de amor com o corredor brasileiro

Etapa Cumbuco, com trilha e asfalto, encantou os 1.200 participantes

PUBLICIDADE

Foto do autor Silvia Herrera

O brilho no olhar dos 1.200 corredores, 900 inscritos e 300 convidados, é o que vai ficar marcado na minha memória, do Bota Pra Correr Cumbuco  (CE), 11ª edição do famoso BPC, sigla do circuito, da Olympikus. Um festival de corrida que começou timidamente em 2019, com 200 corredores no Jalapão (TO), e que hoje é um verdadeiro caso de amor com o corredor brasileiro. Uma corrida onde todos são VIPs, onde os atletas correm para curtir, e quem vence é a alegria.

 Foto: NBO

O dentista André Coga foi pela primeira vez. "Eu corri quase 3 quilômetros ao lado do Vanderlei Cordeiro de Lima, inacreditável isso", comemorou. Ele, que nunca calçou um Olympikus na vida, promete experimentar o Corre 4 que veio no kit. Como ele, alguns corredores ainda têm preconceito com a marca, por julgarem um produto nacional inferior ao importado. Mas esse festival de corrida, que oferece dois dias de intensas atividades, está derretendo mais esse preconceito.

 Foto: SchariKozak/NBO

PUBLICIDADE

O kit de inscrição custa na faixa dos R$ 700, e vem com o Corre 4 ou o Corre Trilha, escolhido no ato da inscrição. O tênis e a camiseta da prova, um par de meia, uma bolsinha ou gymsack, mais mimos dos patrocinadores, são entregues na retirada do kit, na véspera, no local onde são realizados os talks, um deles foi com o Dráuzio Varella, e a festa de celebração, na noite da corrida, alguns dizem que o nome dessa festa é Festa do Porre, com os DJs Beto Albuquerque e ZEDOROQUE. No local há também venda de produtos de artesãos locais e de ONGs, desta vez, mostraram um projeto que cuida das tartarugas da região.

Na prova, tudo é de primeira. A largada é perfeita; o trajeto, desafiador - ninguém chega ao paraíso sem esforço - e a chegada - meus amigos e amigas - a chegada é de outro mundo. A locutora fala seu nome com carinho, você recebe a medalha no pescoço, com parabéns; há um farto café da manhã sem miséria e também recovery para todos que quiserem.

 

Mas e a prova em si? Corri os 11km de asfalto. Outra opção era 21 km no asfalto. Como a diretora técnica é a atleta de esporte de aventura Shubi Guimarães, até se for uma caminhada de 3km vai ter algo desafiador. No caso de Cumbuco foi o trajeto que apelidamos de tobogã, altimetria destrói joelho, mas o visual empurrou todos. No meio do trajeto, uma estação de hidratação que mais parecia uma miragem: um caminhão-pipa fazendo as vezes de ducha, água de coco, água e sanfoneiros mandando ver no baião. Ninguém resistiu. Todo mundo ligou o "dane-se o pace" (velocidade da corrida) e parou mesmo para curtir e dar aquela refrescada.

Publicidade

Tá, mas quando vai ter a próxima? No feriadão de 7 de setembro, na Chapada dos Guimarães (MT). O BPC não repete lugar, a ideia é ir correr com a comunidade corredora em todos os paraísos brasileiros. Ainda bem que são centenas. As inscrições devem abrir em 2026 e costumam esgotar no mesmo dia. Quem faz uma vez se apaixona, vem de novo e traz os amigos. Em Cumbuco tinham grupos de Altamira, Brasília e Jalapão, todos com mais de 30 pessoas cada.

Mas e a trilha? Foram 18km na duna, literalmente uma prova para calangos. Wellington Cipó estreou na trilha nessa prova, e teve que parar, se sentar, e tirar a areia do tênis. Desafiador, como sempre.

 Foto: Biermann/NBO

E quem venceu? Nos 11k feminino foi Maria do Socorro Alves Bezerra, nos 21k a Carina Carlan. No masculino 11k foi Francisco Evanildo Felipe Barbosa, que é funcionário da fábrica da Olympikus no CE; e nos 21k, Valdison das Neves Silva. Na trilha, a campeã foi Raimunda dos Santos e o campeão, Brendon Bressan. Ou seja, quem quer lacrar no pace tem lugar no BPC também. Deus me livre perder o próximo.

''Eu acho muito interessante essa ideia de percurso que ele não é plano, ele tem subidas e descidas, pois ele faz você não se preocupar com o ritmo. Eu, por exemplo, não olhei o relógio em nenhum momento em toda a prova. É bonito, foi animado, as pessoas estão em um clima que pode ser competitivo, mas não é esse o foco, está todo mundo para se divertir. Eu fui feliz do início ao fim'', celebra Carina Carlan, maratonista, mãe, escritora, pesquisadora, designer e campeã dos 21km. ''Uma experiência única na vida, um dos lugares mais insanos do Brasil. Percurso impecável, eu tava delirando o tempo todo vendo as dunas, corri com os olhos e com o coração. Valeu muito!'', conta Brendon Bressan (foto abaixo com Vanderlei Cordeiro).

 Foto: Biermann/NBO

Enquanto o Ceará pulsava com o Bota Pra Correr, a marca também esteve presente em outro paraíso. No sábado, dia 22, a Olympikus foi patrocinadora oficial da Ultra Trail Chapada Diamantina, prova que reuniu distâncias de 7km a 85km. Mais do que encarar trilhas desafiadoras, os participantes transformaram o evento em um gesto coletivo de solidariedade ao doar 2kg de alimentos não perecíveis, destinados à comunidade local. No total, foram arrecadados 2,5 toneladas de alimentos. A vitória foi de Jéferson Dias na prova de 85km, utilizando o Corre Trilha 2, reforçou o compromisso da marca com a performance nas trilhas. ''Uma prova que tem todos os ingredientes que a gente busca numa corrida de trilha, principalmente do meu gosto. Uma prova bem rolada, trilhas limpas, de corrida mesmo em meio a trilhas. Outro ponto que a gente tem que observar é a distância. É muito longe, mas também compensa chegar lá, né?'', comenta Jéferson. ''Uma prova com um terreno bastante diversificado, bem corrível e percurso bonito. Você ora tá dentro de trilha fechada, ora em parte aberta, pouco asfalto. Então para quem gosta de estar imerso à natureza, é uma prova muito legal. Ela te desafia do início ao fim'', conta Tais Damásio, 6ª colocada geral e 1ª na categoria nos 65km.

Publicidade

Encerrando o fim de semana, a Olympikus esteve na Santander Maratona de Curitiba, uma das provas mais tradicionais e exigentes do Brasil. Com clima perfeito para correr e a maior premiação da América Latina, com mais de R$ 604 mil para os atletas de elite, a corrida reuniu cerca 16 mil atletas.

No próximo 6 de dezembro, a marca desembarcará em Bonito, para uma meia maratona. Essa será a  38ª etapa do calendário comemorativo de 50 anos da Olympikus e a última de 2025. ''Se o calendário fosse uma maratona, agora a gente já passou do km 35. Já passamos da metade, é puxado e falta pouco para chegar ao fim'', comenta Callage. As próximas 12 celebrações acontecerão em 2026, encerrando a festa do centenário na Corrida do Samba, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril.

 

Vale ler também
Marcel Rizzo
‘O apoio de Trump mais fragiliza do que ajuda Infantino na Fifa’, diz especialista
Marcel Rizzo
Fifa avança na definição do calendário da Copa Feminina e encaminha abertura no Maracanã
Mauro Beting
Certas estatísticas são incompreensíveis, como algumas ideias do treinador Abel Ferreira