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Ex-prefeito de Barcelona que esteve à frente da Olimpíada-1992 dá dicas ao responsáveis pelo Rio-2016

Espanhol alerta para a armadilha de se construir obras esportivas que se tornarão elefantes brancos depois

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Por Redação
Atualização:

SÃO PAULO - Em entrevista à BBC, o diretor-executivo da agência da ONU Habitat, Joan Clos, diz que tirar uma Olimpíada do papel fazendo planejamento financeiro de risco é uma estratégia perigosa. O recado foi endereçado aos Jogos do Rio em 2016. "Nem o Rio ou qualquer outra cidade precisa entrar em aventuras injustificadas para sediar os Jogos Olímpicos ou qualquer outro evento esportivo desse porte", afirma Clos, que foi prefeito de Barcelona entre 1997 e 2006."Na verdade, organizar uma Olimpíada não passa de um grande processo de gestão, semelhante ao que grandes empresas e grandes cidades enfrentam cotidianamente, com todos os desafios envolvidos."Ele citou o exemplo de Atenas/2004. Disse que embarcar em grandes empréstimos pode prejudicar todo o país e não apenas a cidade-sede, como ocorreu com a Grécia. Além disso, na opinião de Clos, os jogos são justamente o momento para se aproveitar os recursos disponíveis, tanto pela participação do Estado quanto a de empresas privadas, para conseguir emplacar projetos e ideias que nunca têm recursos suficientes para sair do papel."É um grande empurrão para essas melhorias. O impacto de uma Olimpíada pode transformar uma cidade." Clos alerta para o desperdício de dinheiro com obras esportivas que não serão utilizadas depois da competição. Chama isso de armadilha. E diz que precisa ser evitada. "A modalidade vai continuar sendo impopular e o estádio se tornará um grande elefante branco."Para ele, o melhor é investir em instalações provisórias, que possam ser usadas para outras finalidades após os jogos. Londres/2012 vem investindo em estádios desse tipo, que já despertaram o interesse do prefeito do Rio, Eduardo Paes.Um dos grandes trunfos de Barcelona ao sediar a Olimpíada de 1992 foi, segundo Clos, usar os jogos como uma maneira de lidar com a crise que afetava a Espanha nos anos 80. E entre os principais objetivos estava o de impulsionar o turismo na cidade. "E nos saímos muito bem", afirma. "Por isso, visto que o Rio já é uma das cidades turísticas mais conhecidas do mundo, tem tudo para fazer o caminho. Será uma oportunidade imperdível para o Rio - e também uma grande responsabilidade - para o Brasil mostrar sua nova imagem."

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