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Felipão soube vencer o clássico

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Por Paulo Calçade
Atualização:

Durante todo o tempo, o clássico serviu para acentuar as diferenças entre Santos e Palmeiras, campo em que é impossível estabelecer qualquer comparação técnica. O mundo sabe disso, reconhece em Neymar, Elano e Paulo Henrique Ganso a capacidade de tornar o jogo bonito e repleto de duelos individuais atraentes. O resultado, no entanto, é mais complexo do que isso, é a combinação de vários fatores, como o físico e o tático.Foi uma daquelas partidas que levam muita gente a refletir como o futebol é injusto. O Santos teve momentos encantadores, com velocidade e técnica, mas deixou a desejar no interior da área. Faltou um jogador objetivo, capaz de dar destino correto à bola. Como fez Kleber, que aproveitou sua única grande oportunidade.Mas não foi o jogo de Kleber, não foi o jogo de Neymar. O diferencial, desta vez, esteve no banco de reservas do Palmeiras. Foi Felipão e seu trabalho. Foi um treinador capaz de dar estabilidade tática a uma equipe limitada tecnicamente. Não havia como encarar os santistas de igual para igual. Scolari foi perfeito na leitura da partida. Embora a escalação possa sugerir um 4-4-2, o treinador isolou Kleber no ataque e abriu Patrik e Adriano pelos lados. Era preciso preencher o meio de campo e aproximar-se taticamente do adversário.O tempo corria e deixava claro que Adriano Michael Jackson não marcava e não ajudava a conduzir o time ao ataque. Felipão não esperou pela segunda etapa: com 37 minutos colocou Luan, atacante, para interromper a fluência do Santos no setor direito, pelo qual atuavam o lateral Pará, Elano e também Zé Eduardo. Era por onde o Santos construía suas as principais ações ofensivas. Neymar e Zé Eduardo prendiam os laterais, enquanto Elano tornava-se o ponto criativo, de apoio ofensivo e defensivo, reequilibrando a marcação sem a posse de bola. O gol parecia uma questão de tempo, principalmente pelo apetite de Neymar.Mas o Santos ficou no quase. No segundo tempo, os treinadores fizeram alterações táticas. Elano trocou o lado onde funcionava bem, o direito, pelo esquerdo, provavelmente para poder se aproximar mais de Neymar e de Ganso. O Palmeiras respondeu compactando o time, reduzindo os espaços para um adversário que costuma se aproveitar muito bem deles.O resultado premiou o grupo que soube reconhecer sua própria modéstia. Num contra-ataque, Patrik, que passou quase todo o tempo marcando o lateral Léo, deu um passe preciso para Kleber fazer 1 a 0. Por mais dedicação que se tenha visto na Vila, por mais transpiração, foi um clássico com a marca registrada de Felipão, que soube trocar Lincoln por João Vitor no momento certoPode faltar talento ao Palmeiras, e falta, mas se trata de uma equipe estruturada, com caráter, a exemplo das equipes de Scolari. Felipão soube vencer o clássico.Depois de três meses, a temporada mostra com clareza como os clubes lidam com o tempo e como o futebol é instável. O Santos ainda não conseguiu atingir seus objetivos em 2011, não decolou como sinalizava a montagem do elenco, iniciada em dezembro e conduzida por Adílson Batista. Pior: tem sido comandado por um treinador que a qualquer momento poderá ser substituído, o que certamente contribui pouco para o amadurecimento do grupo. No papel, o elenco é forte, suficiente para formatar uma equipe ofensiva, um desejo até das colunas que sustentam o Estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro. Em tese havia time para isso, mas depois de 90 dias a realidade é diferente da teoria. Se por um lado o time exibe todo seu poder ofensivo com o melhor ataque do Campeonato Estadual, por outro lhe falta a estabilidade necessária para a Libertadores.

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