Como Infantino se aproximou de Donald Trump e tem os EUA como aliado imprescindível

Dirigente e presidente americano trocam afagos e mantêm relação de mutualismo

PUBLICIDADE

Foto do autor Ricardo Magatti
Atualização:

Infantino escala Ronaldo para responder aos críticos do Mundial de Clubes

Segundo presidente da Fifa, torneio gerou R$ 10 bilhões e ‘mudou panorama’ do futebol mundial. Crédito: Ricardo Magatti/Estadão

NOVA YORK - Poucos dirigentes têm sido tão fiéis e próximos a Donald Trump quanto Gianni Infantino. O presidente da Fifa tem o presidente dos Estados Unidos como aliado e os dois mantêm um relação de mutualismo.

No comando da entidade máxima do futebol desde 2016, o cartola ítalo-suíço foi o único dirigente esportivo presente na posse de Trump, em janeiro passado, e não esconde sua proximidade com o mandatário americano.

PUBLICIDADE

A amizade vai além de uma relação de proximidade entre o líder de uma nação anfitriã do Mundial de Clubes e da Copa do Mundo e o chefe do futebol mundial.

Ambos desejam que a Copa do Mundo de 2026 seja um sucesso, como o cartola avalia ter sido o Mundial de Clubes. Os Estados Unidos decidiram sediar o torneio neste verão e serão também um dos três países que receberão os jogos da primeira Copa com 48 seleções no ano que vem - os outros anfitriões são Canadá e México.

Publicidade

Gianni Infatino e Donald Trump Foto: @gianni_infantino via Instagram

A Trump Tower, arranha-céu construído no início da década de 1980 e usado por Trump para estabelecer uma imagem pública de empreendedor de sucesso, passou a receber dirigentes da Fifa nas últimas semanas depois que Infantino resolveu abrir no 17º andar do prédio um escritório de representação da Fifa.

“A Fifa é uma organização global e, para ser global, é preciso ser local, é preciso estar em todos os lugares, então precisamos estar em Nova York”, justificou o presidente da Fifa na semana passada.

Foi no lobby da Trump Tower que Infantino conversou com jornalistas para celebrar o Mundial de Clubes, “a mais bem-sucedida competição das histórias”, nas palavras dele.

O aliado foi um dos assuntos na entrevista curta aos repórteres, que seguiram um protocolo de segurança para acessar o local. Do lado de fora do prédio, uma dezena de viaturas da polícia e ruas cercadas por barras de ferro.

Publicidade

O presidente Trump é o presidente dos EUA, um dos países-sede da Copa do Mundo, e ele abraçou imediatamente o Mundial de Clubes também. Eventos como esses são gigantescos. Você não consegue organizar torneios dessa magnitude sem o apoio dele.

Infantino sobre o aliado Trump

Trump gosta de futebol e vai à final entre Chelsea e PSG, neste domingo, no MetLife Stadium, conforme Infantino. “Ele ama futebol. Em seu primeiro mandato como presidente, havia uma trave de futebol no jardim da Casa Branca”, contou.

Se Trump gosta ou não de futebol não importa para Infantino. Ele precisava ter a simpatia do chefe de Estado dos EUA, e conseguiu, tanto que Trump se refere constantemente ao suíço como o “rei do futebol” - epíteto dado a uma figura muito mais nobre no Brasil.

Os dois já eram próximos no primeiro mandato de Trump e fortaleceram a relação quando o republicano foi novamente eleito no ano passado, derrotando Joe Biden, que nunca convidou Infantino para a Casa Branca.

Em maio, o dirigente se atrasou para o Congresso Anual da Fifa, em Assunção, no Paraguai, depois de uma viagem ao Catar e à Arábia Saudita, onde acompanhou o mandatário americano.

Publicidade

Ambos estão associados também por meio dos sauditas. O fundo soberano dispõe de muito dinheiro investido nos negócios de Jared Kushner, genro de Trump, e “salvou” o Mundial de Clubes ao garantir investimento bilionário na competição por meio de acordos comerciais.

Infantino cercado por Baggio e Ronaldo Foto: Juan Mabromata/AFP

Para os EUA, receber megaeventos esportivos é a oportunidade de criar um mercado para o futebol, que ainda engatinha no país que consome mais beisebol, basquete e futebol americano. Para a Fifa, o interesse está em desenvolver suas competições.

“Os Estados Unidos estão prestes a se tornar uma grande potência do futebol”, vaticinou Infantino. “O ‘sonho americano’ é algo que todos nós precisamos ter. Todos aqueles que amam futebol.” Trump, em resposta, disse que tem Infantino como seu “grande amigo”.

O cartola restaurou as relações com os EUA, que nunca foram tão intensas quando quem estava no comando era Joseph Blatter, seu antecessor.

Publicidade

Depois que os EUA perderam para o Catar o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, uma investigação do FBI resultou no “Fifagate”, maior escândalo da entidade e que levou à prisão de vários membros importantes da organização e à renúncia de Blatter.

Infantino escapou de todos temas controversos neste Mundial. Não comentou, por exemplo, a respeito dos ataques de Trump a Canadá e México, o desejo do presidente americano de ver a Rússia de volta na Copa de 2026 e o ataque dos Estados Unidos ao Irã no mês passado.