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Ex-presidente do Corinthians diz que Tite ‘deu trabalho’ e detona Abel Ferreira: ‘Desrespeitoso’

Mário Gobbi fala sobre negativas do técnico em 2023 e coloca venda de Marquinhos na conta do técnico corintiano; Palmeiras repudia declarações do rival

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Foto do author Leonardo Catto
Por Leonardo Catto
Atualização:

O ex-presidente do Corinthians, Mário Gobbi, fez revelações sobre os bastidores do clube durante sua gestão, que ocorreu no triênio 2012-2015. Em entrevista ao podcast Tomando Uma Com..., o ex-mandatário comentou sobre a relação com Tite, inclusive fazendo críticas ao treinador. Ele também disparou contra Abel Ferreira, técnico do rival Palmeiras. O clube alviverde respondeu ao que chamou de “declarações levianas e de cunho xenófobo”.

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Em um dos trechos, Gobbi comenta sobre problemas da gestão de Tite à frente do time. Segundo o ex-dirigente, ele “deu trabalho” quando era necessária uma reformulação no elenco e venda de atletas jovens para melhorar o caixa do clube, em 2013. “O Tite é bom para remar para frente. Quando ele precisa fazer uma reformulação, ele não é bom. Ele é 100% coração e ele ia ter lá oito jogadores do tempo que ele treinou em 2012. Ele é 80% coração e 20% profissional”, disse Gobbi.

Um dos problemas envolvia o apego de Tite a jogadores que já não rendiam tanto no time titular e evitavam que jovens como Felipe e Marquinhos pudessem ter a vitrine para negociações. Depois da eliminação na fase prévia da Libertadores de 2013, para o Boca Juniors, nas oitavas de final, o Corinthians estava “sem dinheiro”, nas palavras do cartola.

“Depois de três meses, ele não colocou ninguém dos garotos. E perguntei a ele sobre a reformulação. Ele disse ‘não consigo, eles são meus filhos, meus parceiros, me deram títulos’. Eu falei: ‘Tite, não estou pedindo. Eu estou mandando’. (Ele) me deu muito trabalho”, relembra o dirigente.

Avaliação errada de Marquinhos

Ainda segundo Gobbi, Tite avaliou que Marquinhos, na época com 18 anos e hoje no PSG, não seria um bom zagueiro. Isso motivou que a direção vendesse o jogador para a Roma por 5 milhões de euro (R$ 11 milhões na época). Na época, contudo, chegou a ser noticiada a insatisfação de Tite com a transação. O PSG pagou 31 milhões de euros (R$ 102 milhões no momento da transação) em 2013 pelo zagueiro. O próprio Tite o convocou para as disputas das Copas de 2018 e 2022 pela seleção brasileira.

Gobbi também revelou que o treinador, atualmente no Flamengo, foi convidado para voltar ao Corinthians três vezes em 2023, quando já havia deixado a CBF e o comando da seleção. O técnico recusou todos os chamados. “O Tite é muito bom, mas tem um outro lado que vocês não conhecem. Ele não viria para o Corinthians porque precisaria reformular o elenco, e ele não faria isso com Cássio, Fábio Santos, Gil, Fagner, Paulinho...”, avaliou.

‘Ele pensa que é o quê?’, questiona Gobbi sobre Abel Ferreira

As críticas do ex-presidente do Corinthians também sobraram para o rival Palmeiras, mais especificamente para Abel Ferreira, treinador alviverde. O ex-dirigente reclamou do comportamento do técnico. “Aí vem um português aqui, que tem um nível superior, e manda no árbitro, agride jogador do São Paulo, ofende o árbitro, c*** na cabeça da Federação, da CBF, e todo mundo baba ovo para ele. Ele é competente, mas aqui tem uma cultura, tem futebol...”, comentou.

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Uma das referências é o episódio entre Abel e Calleri, durante um clássico entre São Paulo e Palmeiras, quando ambos se encararam à beira do gramado. Para Gobbi, isso influencia outros técnicos a desrespeitarem árbitros e jogadores.

“Ele empurra o jogador adversário, ele pensa que é o quê? E os presidentes dos clubes estão quietos. Ele apita jogo. Se você não gosta daqui, vai embora, vai treinar o Almería, quem ele queira. Está uma vergonha. E também ataca a imprensa, agride, ofende, é desrespeitoso. Ofende e ninguém fala nada, está tudo bem”, complementou Gobbi, que antes de direcionar suas críticas ao treinador português, refletiu sobre o momento do futebol brasileiro, defendendo a manutenção dos treinadores.

Mário Gobbi comandou o Corinthians de 2012 a 2015. Ele foi antecedido por Andrés Sanchez e deu lugar a Roberto de Andrade. Gobbi trabalhou como vice-presidente e diretor de futebol do clube. Participou ativamente da contratação de Ronaldo, em 2009. Sua trajetória no Corinthians também guarda um episódio de tensão com torcidas organizadas. Ele chegou a ser agredido com uma cadeira e afastou-se da equipe em 2010. Retornou como presidente e era mandatário do Corinthians nos títulos da Libertadores e Mundial, ambos em 2012, e Recopa Sul-Americana e Campeonato Paulista de 2013.

Palmeiras lamenta manifestações de Gobbi

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O Palmeiras respondeu às manifestações do ex-presidente do Corinthians sobre o técnico Abel Ferreira. O clube lamentou o que foi classificado como “declarações levianas e de cunho xenófobo”. “No Palmeiras desde 2020, Abel nunca agrediu qualquer outro profissional e sempre se empenhou em contribuir com o futebol brasileiro, valorizando as nossas virtudes e propondo as melhorias indispensáveis para crescermos”, diz a nota palmeirense.

O clube também associou a fala de Gobbi com a violência no futebol. “Repudiamos veementemente as afirmações irresponsáveis e preconceituosas feitas pelo ex-presidente do Corinthians, Mário Gobbi, cuja conduta foi incompatível com a importância do cargo que outrora ocupou, bem como com o momento de extrema violência que vivemos no futebol e no mundo. Palavras agressivas e insensatas não ajudam a melhorar o nosso futebol e a nossa sociedade; pelo contrário, servem somente para potencializar a intolerância que todos, juntos, precisamos combater com a máxima urgência”, encerra o texto.

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