Geração Z é a que menos acompanha futebol, mas a que mais vai ao estádio no Brasil

Pesquisa aponta para possível relação de jogos como ambientes de socialização dos mais jovens

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Foto do autor Leonardo Catto
Atualização:

Entre diferentes faixas etárias, mais de 60% dos brasileiros acompanham futebol. O percentual é menor para jovens de 18 a 24 anos, que compõem a maior parte da Geração Z, nascidos entre meados da década de 1990 e o início da década de 2000. São eles, porém, que mais dizem frequentar os estádios.

Os dados são da pesquisa “Gastos com Futebol”, feita pelo Instituto Opinion Box em junho de 2025, ouviu 2.940 pessoas, de diferentes faixas etárias e regiões do Brasil, a pedido da Serasa.

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Sem recorte etário, 75% dos brasileiros acompanham futebol, diz o estudo. A única faixa de idade que supera essa porcentagem é a dos torcedores entre 40 e 49 anos, com 78%. Já a mais baixa é a daqueles entre 18 e 24 anos, com 67%.

Os mais novos, porém, representam a faixa etária que mais deu respostas positivas quando questionada sobre ter ido a um jogo de futebol profissional no estádio no último ano, com 63%. O dado supera a média geral em um ponto percentual.

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As demais faixas ficam abaixo deste número. O percentual mais baixo é daqueles com 50 anos ou mais (47%).

“Apesar de os jovens estarem acompanhando menos do que os outros, eles indo para o estádio é um movimento mais recente, que tem a ver com um conjunto maior”, explica o diretor do Instituto Opinion Box, Felipe Schepers.

Estudo aponta público mais jovem nos estádios, mesmo que quem mais acompanhe futebol sejam os mais velhos. Foto: Adriano Fontes/Flamengo

“Os baby boomers e a Geração X lembram mais dos tempos do futebol lá das décadas de 1980 e 1990, que o futebol era outro negócio. Os jovens, pelo contrário, eles viram e eles começaram a acompanhar mais recentemente. Eles já entraram no universo do futebol no modelo de negócio que ele é hoje", conclui.

A análise do Instituo Opinion Box vai no sentido de que o estádio é tido também como um ambiente de socialização, para fazer novas amizades e encontrar familiares. “Assim, apesar de serem dois dados que vão em caminhos contrários, eles fazem sentido quando a gente pensa nesse no movimento dos últimos anos em que você tem, de fato, os jovens querendo passar a acompanhar (o futebol) mais do que os mais velhos e, com isso, recuperando essa presença nos estádios versus mais velhos", diz Schepers.

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Ir ao estádio é visto como ‘um luxo fora do alcance para o público geral’

A presença na arquibancada é vista como “um luxo fora do alcance para o público geral” por 61% dos torcedores. Uma das razões para ingressos caros é a transformação de estádios em arenas. Ou, ainda, a operação terceirizada.

Em julho, a Arena do Grêmio, em Porto Alegre, teve sua operação comprada pelo empresário Marcelo Marques, que pretende presidir o clube e doar o estádio à agremiação.

O primeiro jogo sob a nova gestão, contra o Alianza Lima, teve ingressos para não-sócios de R$ 40 a R$ 90. Na partida anterior pela mesma competição, a Copa Sul-Americana, na casa gremista, as mesmas entradas variaram entre R$ 60 e R$ 250.

O Palmeiras, que detém a operação dos jogos no Allianz Parque, implementou, neste ano, uma proposta antiga da gestão de Leila Pereira. No setor norte do estádio, a capacidade foi ampliada, com a chamada “Geral Norte”, cujas entradas eram mais baratas.

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A estreia foi no jogo contra o Botafogo, pelo Brasileirão, com espaço para 750 torcedores. A primeira partida foi considerada um evento-teste, com ocupação do espaço por sócios Avanti adeptos do Plano Verde (R$ 9,99 por mês).

Instituto Opinion Box crê que estádios tornam-se ambientes de socialização para os mais jovens. Foto: Alex Silva/Estadão

No fim de maio, pela Libertadores, contra o Sporting Cristal, novamente o setor teve vendas abertas. O ingresso custou R$ 40 (R$ 20 a meia-entrada). O mais caro para a mesma partida era a cadeira Central Oeste, por R$ 120,00 (R$ 60 a meia).

Naquele dia a reportagem do Estadão encontrou, nos arredores do Allianz Parque, os irmãos Augusto e Júlio Freitas, que acompanharam a partida na Geral Norte.

Augusto tem a rotina de acompanhar o clube. “A maior parte do meu tempo é vendo vídeo, vendo podcast, acompanho influenciadores do Palmeiras, vejo o noticiário”, conta.

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Entretanto, era apenas a segunda vez que ele ia ao Allianz. A primeira havia sido em 2015. Nem sempre o motivo da ausência era o valor do ingresso, mas, quando perguntado sobre a diferença do preço mais barato, os dois concordam: “Ajuda muito, para caramba”.

Futebol ‘come’ parte da renda mensal dos brasileiros

Coincidentemente, o mesmo percentual de quem acha que o ingresso é um “item de luxo” é o número que representa torcedores que dizem comprar produtos e serviços relacionados a futebol (61%).

Entre esses, 81% estimam que os gastos são mensais. E, ainda, 70% apontam que até 5% da renda do mês é destinada a despesas com futebol.

No geral, contudo, apenas 23% disseram ter o estádio como principal local para ver seu time do coração: a maioria ainda assiste por TV aberta (75%) e TV fechada (55%).

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Não por acaso, os ingressos para jogos aparecem em terceiro na lista de gastos com futebol, com apenas 34%, mostrando não ser uma prioridade. Entre os principais gastos, as camisas de times têm com larga vantagem na liderança, com 71%, seguidas por outros produtos licenciados (35%).

Felipe Schepers explica também como as bets, regulamentadas no Brasil desde janeiro, surgem como “concorrentes” nos gastos do torcedor. “O que a gente chama atenção é que entrou como um item que de fato faz parte do contexto. Se a gente avalia, 12% fala que gasta com bets e apostas esportivas. 15% gasta com sócio torcedor”, compara.

“Sócio-torcedor é hoje um dos produtos que os times têm investido, em comunicação e tudo mais. E ele está em patamar próximo de bets. Então, é algo para ser olhado como ponto de atenção. As bets concorrem, de fato, no bolso do brasileiro. Ainda não chega no patamar de streaming, de produtos licenciados, camisas, mas, por ser um item mais recente, ele já aparece ali no Top-10″, diz Schepers.

Em 2027, o Brasil recebe a Copa do Mundo Feminina, a qual 12% dos entrevistados querem comparecer. A porcentagem é ligeiramente menor que o Mundial masculino, em 2026, na América do Norte (16%).

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Entre os que querem ir a algum jogo até 2027, 53% dizem já ter um planejamento financeiro; 32% dizem que estariam dispostos a pagar mais caro por uma experiência exclusiva com seu time e 31% afirmam que considerariam viajar para qualquer lugar do mundo para assistir o seu clube.