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Jogadores e técnicos brasileiros descobrem novos mercados

Países sem tradição no futebol pagam bons salários e se tornam alternativa para os profissionais

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Por Almir Leite
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A China é o eldorado da vez para jogadores e treinadores brasileiros. No entanto, outros países, vários deles na também na Ásia, também se tornaram garimpos promissores. São países sem tradição no futebol, como Tailândia, Mianmar e até mesmo o Casaquistão, mas que oferecem oportunidades e sobretudo, bons salários.

Tais condições favoráveis atraem cada vez mais profissionais pouco conhecidos no Brasil, mesmo porque via de regra fizeram carreira em times pequenos e com salários idem - em fevereiro, a CBF divulgou relatório mostrando que 97,43% dos jogadores do País ganham até R$ 10 mil mensais, sendo que 82,40% recebem até R$ 1 mil. Também segundo a entidade, há brasileiros espalhados por 82 países, alguns bem periféricos no futebol.

Gilberto Macena está na Arábia Saudita depois de conquistar quatro títulos na Tailândia Foto: Divulgação

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Diante disso, ganhar no mínimo US$ 8 mil (cerca de R$ 28,7 mil por mês), ainda que para isso se tenha de parar do outro lado do mundo, não é mal negócio. "Com o dólar no Brasil está em alta, vale a pena vir para cá. Eles estão crescendo e a cada ano que passam estão pagando melhor’", diz Ricardo Jesus.

"Eles", no caso de Ricardo, são os tailandeses. O atacante de 30 anos chegou em janeiro ao Thai Honda, que disputa a Segunda Divisão do país. Depois de perambular por clubes pequenos e médios do Brasil, ser companheiro de Ronaldinho Gaúcho no Querétaro mexicano e defender o Fortaleza por 4 meses em 2015, resolveu "abraçar a oportunidade’" que surgiu. "A carreira é curta, a gente tem de correr atrás do pé de meia."

É isso o que faz Gilberto Macena, atacante nascido no Tocantins há 31 anos. Atualmente, está na Arábia Saudita, onde defende o Al-Qadisiyah. Mas jogou a temporada passada no Buriram United, um dos principais times tailandeses, pelo qual ganhou quatro títulos. "Creio que foi uma temporada muito boa, de grandes alegrias", define. E, claro, ganhou também um bom dinheiro.

O atacante chegou no início do ano à Tailândia, para jogar na Segunda Divisão Foto: Rafael Silva|Divulgação

Ao norte do Tailândia, Mianmar também começa a olhar para o Brasil. No ano passado, de acordo com a CBF, dois jogadores brasileiros transferiram-se para times do pequeno país. E um treinador está por lá, com a missão de ajudar no desenvolvimento do futebol local. É Reuther Moreira, que desde 2004 trabalha no futebol asiático e conhece bem o futebol da região.

Vida dura Para os técnicos, porém, a vida é mais difícil. "Para quem trabalha com desenvolvimento, evolução, não é fácil. Ainda não dá para fazer um trabalho profissional. Os campos são horríveis e é difícil explicar algumas situações para os jogadores", Moreira, goleiro do São Paulo na década de 1970 e atualmente treinador do Shan United, um dos 16 times da Primeira Divisão de Mianmar.

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Ele relata ser complicado até fazer os jogadores compreenderem a importância da preparação física. Moreira diz que, no seu caso, dinheiro fica em segundo plano. Por causa das dificuldades, planeja voltar a trabalhar da Tailândia. Mas, aos 58, anos, o que quer mesmo é outra coisa. "Já está na hora de voltar para casa", diz, referindo-se ao Brasil.

Reuther Moreira é treinador em Mianmar, mas lamenta as condições ruins de trabalho Foto: Divulgação
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