O Corinthians vive momento de recomeço na temporada. As questão vão além do campo e bola, uma vez que a equipe de Dorival Júnior terá de focar exclusivamente no Brasileirão e Copa do Brasil após a eliminação na Sul-Americana. No Parque São Jorge, o afastamento de Augusto Melo e a entrada de Osmar Stábile como presidente interino também culminaram em mudanças na diretoria, que tem a missão de resolver desafios a curto prazo para manter o clube estabilizado.
A primeira providência da nova gestão foi desligar pessoas próximas de Augusto Melo. Assim, saíram o assessor da presidência Caio do Valle e o superintendente de novos negócios e esportes olímpicos Marcos Bocatto, com quem o dirigente afastado viajou a Brasília nas últimas semanas. A tendência é de que também haja reformulações nas categorias de base, mas a nova diretoria ainda precisa definir quem são os novos diretores.
Também houve mudança na comunicação do clube, mas sem ligação específica com Augusto Melo. Tiago Maranhão foi demitido da chefia do departamento e Vinicius Rodrigues, ex-CBF, foi contratado para o cargo. A promessa é de que o único setor sem mudanças nos próximos dias será o futebol, com o executivo Fabinho Soldado e Dorival mantidos em suas respectivas funções.

Osmar e o vice Armando Mendonça se reuniram nesta quinta-feira com o elenco do Corinthians no CT Dr. Joaquim Grava. Em nota, o clube informou que o encontro teve como objetivo “ressaltar a importância de tranquilidade para que elenco e comissão técnica possam trabalhar na temporada”.
Outro desafio da nova gestão e honrar compromissos com os jogadores. De fato, como Augusto Melo disse no discurso reconhecendo a derrota na votação que o afastou, os salários do elenco estão em dia, mas outros valores, como premiações e luvas, estão atrasados.
Segundo noticiou a ESPN e confirmado pelo Estadão, um dos jogadores mais descontentes com a situação é o craque holandês Memphis Depay, que já tinha externado a insatisfação à antiga diretoria. A prioridade, contudo, continua sendo manter os salários em dia.
O terceiro problema que a nova direção precisa resolver o quanto antes é questão do fluxo de caixa. Segundo Osmar e Armando, o Corinthians não tem dinheiro para pagar vencimentos a curto prazo. Apesar de terem sido eleitos na chapa de Augusto, eles alegam que não estavam participando da gestão por isolamento do presidente afastado e estão tomando conhecimento da real dificuldade financeira do clube neste momento.
Augusto Melo deixou o comando do clube com aproximadamente R$ 5 milhões em caixa, valor cerca de cinco vezes menor aos compromissos que a nova gestão precisa honrar nos próximos dias, como por exemplo a rescisão de Ramón Díaz. Para auxiliar na questão, o ex-diretor financeiro Rozallah Santoro, que pediu demissão após o caso Vai de Bet estourar, está auxiliando no caso. Ele não pode voltar a exercer o cargo, pois o estatuto não permite, mas vai atuar como uma espécie de consultor.
A questão do fluxo de caixa esbarra diretamente no Profut, que permite o refinanciamento de dívidas com o Governo. O Corinthians está próximo de completar três de inadimplência e pode ser retirado do programa. Assim, o clube pode voltar a sofrer com penhoras e bloqueios das contas. Uma parcela de R$ 3 milhões vence nesta semana e o clube corre contra o tempo para tentar quitar a dívida, apesar da falta de recursos.
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Por fim, outra questão que precisará ser decidida pela nova gestão é aceitar ou não a oferta da Adidas. O Estadão apurou que o acordo prevê um pagamento anual entre R$ 80 milhões e R$ 85 milhões pelo período de dez anos. Assim, levando em consideração variáveis contratuais, o Corinthians poderia embolsar aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo do contrato.
O contrato do Corinthians com a Nike foi renovado automaticamente até o fim de 2029 mesmo sem uma discussão entre as partes para a melhoria do acordo. A gestão de Augusto Melo se apegava ao fato de a gigante americana ter transferido a operação no Brasil para a Fisia Esportes e, assim, entendia que houve uma quebra de cláusula, o que tornaria a nova extensão de vínculo inválida. Porém, antes de qualquer avanço com a concorrente, o clube quer discutir com a parceira de 20 anos.
Representantes da Adidas se reuniram nesta quinta-feira com membros da Comissão de Marketing, Comissão de Justiça e Conselho de Orientação, além de Romeu Tuma Jr, presidente do Conselho Deliberativo, e Armando Mendonça. Sendo nota do clube, os integrantes não tiveram acesso à oferta, que deve se restringir aos membros da diretoria. A tendência é de que Vinicius Manfredi, que participou ativamente da elaboração do contrato, seja readmitido como superintendente de marketing após ser desligado em abril.





