O Mundial de Clubes vai começar, mas os americanos não se importam
Competição inédita organizada pela FIFA não atrai interesse de quem mora em Nova York.
NOVA YORK - Quem passa pelas Times Square, pela Quinta Avenida ou por algum outro ponto importante de Nova York e não acompanha futebol não sabe que os Estados Unidos são sede do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa no formato ampliado, com 32 times.
Há alguns pequenos grupo de palmeirenses e torcedores do Fluminense caminhando pelas ruas e se aglomerando principalmente na Times Square, a região mais frenética da cidade, por onde passam mais de 300 mil pessoas por dia. Fora isso, há poucas menções ao Mundial em Nova York e quase nenhum interesse dos americanos, de um modo geral, pela competição.
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Fãs de beisebol, basquete e futebol americano, eles consomem e falam pouco do “soccer”. Para os americanos, o esporte mais popular do planeta é só mais um esporte. “É cultural, nós preferimos outros esportes”, resume o taxista Glenn Jones, fã de ginástica por causa da multicampeã Simone Biles.
Ele considera ser ainda menos interessante para os americanos acompanharem o Mundial de Clube quando, nesta semana, Oklahoma City Thunder e Indiana Pacers decidem quem será o campeão da temporada 2025 da NBA. “Torço para os (New York) Knicks, mas estou assistindo às finais”, relata Jones.

Nascido e criado em New Jersey, Jose Morales não faz parte da maioria. O jornalista, de 28, gosta e consome futebol, feminino e masculino, tanto que estava saindo de uma loja da Puma, na Quinta Avenida, que vende camisas de todos os times que disputam o Mundial da qual a marca é fornecedora, quando conversou com a reportagem. Na ocasião, acontecia ume evento da empresa alemã.
“Não há torcedores apaixonados pelos times locais, como há no Brasil e na Europa. Eles amam NFL, NBA. Mas é um grandíssimo torneio, deveríamos estar falando mais sobre ele”, lamenta Morales. Filho de pais bolivianos, ele acompanha o futebol brasileiro e é fã de Marta.
“Posso dizer que vários hispânicos e imigrantes gostariam de ir aos jogos, mas não vão com medo de serem deportados”, acrescentou ele, citando a política anti-imigração do presidente Donald Trump.
Agentes de imigração e fronteira dos Estados Unidos poderão ser destacados nas sedes do Mundial de Clubes, de acordo com a imprensa americana.
Shanely Leonardini, fotógrafa de 20 anos, está confiante de que o interesse pelo Mundial aumente à medida que mais turistas cheguem aos Estados Unidos. “Torcedores de todos lugares ainda vão vir. Não importa de onde somos, o futebol tem o poder de unir as pessoas”, diz ela.

Fifa dá jeitinho para não ter tantos assentos vazios nos estádios
Sem interesse dos locais, mesmo com três times anfitriões na competição - Inter Miami, Seattle Sounders e Los Angeles FC - a Fifa vendeu ingressos majoritariamente para torcedores sul-americanos e europeus. Ainda assim, há bilhetes encalhados e alguns dos 12 estádios terão assentos vazios durante as partidas.
“Não queremos ver estádios vazios. Acho que os estádios estarão bastante cheios”, afirmou o presidente Gianni Infantino à AFP.
Para alterar um pouco esse cenário, a Fifa fez promoções de ingressos, vendendo três pelo preço de um para estudantes, sobretudo antes da abertura do torneio, em Miami. Torcedores relataram terem pagado US$ 10 por um ingresso um dia antes do jogo que vai abrir o Mundial, entre Inter Miami e Al-Ahly.
A entidade também lançou mão de parceiros comerciais para ter uma ajuda marcas que patrocinam a competição deram um upgrade para torcedores que já tinham ingresso, como presenciou a reportagem no aeroporto de Guarulhos.
Três palmeirenses que haviam comprado bilhetes mais baratos para um setor distante do gramado foram remanejados para a arquibancada central e mais próxima do campo sem pagar nada por isso. Assim, a TV responsável pela transmissão das partidas não mostra os estádios tão vazios, evitando um fiasco.
“Criticam a Fifa se os preços são muito altos e depois criticam a Fifa se os preços são muito baixos”, desabafou Infantino. “Depois criticam a Fifa se fazemos promoções de ingressos com estudantes. Quando eu era estudante e não tinha dinheiro, teria adorado que a Fifa me dissesse: ‘Você quer vir assistir a um jogo da Copa do Mundo?’.”





