Há pouco mais de um mês, Luighi, aos prantos, denunciava o racismo sofrido durante uma partida entre Palmeiras e Cerro Porteño, pela Libertadores Sub-20. Na ocasião, o atacante alviverde foi chamado de “macaco” por torcedores paraguaios, na vitória brasileira por 3 a 0. Nesta quarta-feira, a partir das 21h30 (de Brasília), as equipes voltam a se enfrentar, agora profissional, mas com poucas ações do lado paraguaio para coibir o ato.
O Cerro chegou a ser punido pela Conmebol, com uma multa de US$ 50 mil (cerca de R$ 290 mil), pelos episódios racistas, e precisou jogar o restante da Libertadores Sub-20 sob portões fechados. Também foi obrigado pela Conmebol a publicar uma campanha antirracista em suas redes sociais, com o lema de “O futebol nos une. O racismo nos divide”, no último dia 11 de março.
Leia também
Abel compara futebol com F1 e revela qual será o objetivo do Palmeiras no Mundial de Clubes
Sport x Palmeiras: Comitê da CBF reconhece erro de arbitragem em pênalti polêmico
Flamengo e Palmeiras veem dívidas dispararem em 2024; entenda balanços
Mas desde então, o clube paraguaio não voltou a ter ações efetivas de combate ao racismo. A Conmebol uniu esforços e criou uma força-tarefa na luta contra o racismo, a discriminação e a violência no futebol, que foi formada após reunião com a presença de representantes das confederações e Estados sul-americanos. Ronaldo Fenômeno encabeça o movimento.

Após o sorteio da Libertadores, que colocou as equipes lado a lado na fase de grupos, o Cerro publicou nota em que garantiu “tomar absolutamente todas as medidas de segurança e prevenção para garantir o desenvolvimento pacífico, sem violência ou atos discriminatórios de qualquer tipo, como sempre foi feito”. O clube também reforçou que “tem realizado diversas tarefas de investigação com instituições do Estado e de conscientização dos torcedores”, fruto das punições impostas pela Conmebol.
Ao mesmo tempo, em meio às críticas de Leila Pereira, que definiu as punições ao clube paraguaio como “brandas”, Juan Carlos Pettengill cobrou respeito do time alviverde. “Dentro da civilidade do futebol, espero que sejamos bem recebidos pelo Palmeiras. Recebemos o Bolívar e foram muito bem recebidos”, afirmou Pettengill à rádio ABC Cardinal.
Na partida desta quarta-feira, no Allianz Parque, está prevista uma “ação especial” da Conmebol, assim como ocorreu na primeira rodada. Jogadores se alinharão ao centro do gramado, e tem a intenção de enviar “mensagem clara de repúdio a todas as formas de discriminação, racismo e violência”.
Às vésperas do duelo, a Conmebol também promoveu uma segunda parte da campanha antirracismo. Nesta terça-feira, a entidade publicou um vídeo em suas redes sociais, com a participação de 11 atletas sul-americanos. Nem Palmeiras, ou Cerro Porteño, estiveram representados.
“Futebol é paixão, união e respeito. Vamos continuar construindo um futebol sem racismo, violência e discriminação. Junte-se a nós”, diz a mensagem da entidade. Mesmo assim, na última semana, pela primeira rodada da Libertadores, torcedores de Palmeiras e São Paulo foram alvos de ataques racistas.
Um torcedor do Sporting Cristal foi flagrado imitando um macaco em direção à torcida do Palmeiras na última quinta-feira. Um dia antes, cena semelhante já havia sido registrada, mas em Córdoba, na Argentina, feita por um integrante da torcida do Talleres em direção aos torcedores do São Paulo.
A Conmebol informou que vai ser aberto o expediente disciplinar para o caso da partida envolvendo o Palmeiras e documentos estão sendo recolhidos neste momento. Com relação ao jogo do São Paulo, a entidade informou que também foi procurada para a abertura de um procedimento disciplinar.





