Palmeiras x Flamengo: como clube paulista tem finanças melhores mesmo com dívida 4 vezes maior

Clubes se enfrentam neste domingo pelo Brasileirão em embate das duas maiores forças do País dentro das quatro linhas e do ponto de vista das finanças

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Foto do autor Rodrigo Sampaio
Atualização:

Toda vez que a temporada do futebol brasileiro está prestes a começar, as apostas sobre quem vai brigar por Libertadores e rebaixamento variam. Apenas uma coisa não muda: o fato de Palmeiras e Flamengo serem candidatos ao título nacional. Neste domingo, paulistas e cariocas se enfrentam no Allianz Parque, às 16h, pela décima rodada do Brasileirão. O time alviverde lidera com 22 pontos, e a equipe rubro-negra vem logo atrás, com 18.

Nas últimas cinco temporadas, Palmeiras e Flamengo conquistaram nove dos 15 troféus possíveis entre as três competições de maior prestígio para os torcedores (Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil). A dupla ainda protagonizou duas finais de Supercopa do Brasil, com um título para cada lado.

Existem diferentes motivos que explicam o sucesso de ambos os clubes, como a formação de elencos qualificados e comissões técnicas tarimbadas, mas é inegável que a performance de excelência está ligada a saúde financeira de Palmeiras e Flamengo. Como o time rubro-negro tem mais de 40 milhões de torcedores, o potencial de arrecadação dos cariocas é incomparável, mas o rival paulista surpreende por ter finanças superiores apesar de uma dívida aproximadamente quatro vezes maior.

Palmeiras e Flamengo se enfrentam neste domingo pelo Campeonato Brasileiro. Foto: CESAR GRECO

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De acordo com as demonstrações financeiras, o Palmeiras teve uma receita de R$ 1,2 bilhão em 2024, cifras muito próximas do Flamengo, que arrecadou R$ 1,3 bi. Ambos foram campeões estaduais na temporada passada, e o time rubro-negro faturou também a Copa do Brasil.

Apesar das cifras astronômicas, a dupla viu o passivo crescer de maneira significante em 2024. O Flamengo teve um aumento de 554% na dívida. Os R$ 50 milhões passaram a R$ 327 milhões. A diretoria rubro-negra atribui o crescimento a uma menor posição de caixa no fim do ano, alto investimento na compra de atletas e aumento da folha salarial de jogadores.

O Flamengo gastou R$ 415 milhões com reforços em 2024, o maior valor desde 2019, primeiro ano de gestão do presidente Rodolfo Landim, que saiu no ano passado. O custo operacional também atingiu o auge na série histórica, com R$ 935 milhões. O clube faz referência, ainda, à compra do terreno do Gasômetro, na zona portuária do Rio, em leilão de desapropriação. O local vai abrigar o estádio do clube e a despesa foi de R$ 170 milhões.

Diante da série de despesas, o Flamengo fechou 2024 com um déficit de R$ 1 milhão. Foi o primeiro ano negativo nas contas do clube desde 2020, marcado pela pandemia do covid-19.

Já o Palmeiras viu a dívida crescer menos do que a do rival, mas tem um passivo maior em números absolutos. O montante de R$ 1,12 bilhão fechado no ano de 2023 cresceu 32,14% e chegou a R$ 1,48 bilhão.

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É importante ressaltar que a gestão do Palmeiras divide a dívida entre “histórica” e “operacional”. A primeira trata da soma de valores que deixaram de ser pagos e foram negociados por meio de parcelamentos, e corresponde a R$ 125 milhões. A segunda, por sua vez, fechou em R$ 727 milhões.

Mesmo com o crescimento dos custos e do passivo, o Palmeiras ainda conseguiu fechar o ano com um superávit de R$ 198 milhões.

O que explica o Palmeiras ter finanças superiores ao Flamengo?

Quem acompanha o futebol paulista há mais tempo se recorda que até o início da década atual o Palmeiras não se destacava no cenário nacional como um revelador de talentos. Acontece que o processo de recuperação financeira do clube, iniciado ainda com o presidente Paulo Nobre em 2013, previa uma categoria de base forte para a geração de receitas. Os louros começaram a ser colhidos dez anos depois.

Dos R$ 1,2 bi arrecadado pelo Palmeiras em 2024, cerca de R$ 504 milhões foram somente com a venda de atletas das categorias de base. O valor representou 42% da receita total do clube. O Flamengo teve ano menos expressivo com a transferência de jogadores, embolsando R$ 107 milhões.

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“Apesar não ter a previsibilidade do volume financeiro pensando em transferência de atleta, há uma lógica para o sucesso do Palmeiras. O clube tem uma força financeira que permite negociar. Quando você tem uma maior robustez financeira, você negocia melhor e tem maior poder de barganha”, explica Pedro Daniel, diretor executivo da EY.

O clube destacou as vendas de Luis Guilherme (West Ham), Kevin (Shakhtar Donetsk) e Artur (Zenit). As três negociações, junto do gatilho pago pelo Chelsea por minutagem de Estêvão, somaram aos cofres do Palmeiras R$ 205,28 milhões – 15,79% da receita.

Fator Allianz Parque

A torcida do Flamengo se acostumou a chamar o Maracanã de casa, mas se o clube deseja construir um estádio tem motivo. Mesmo com público alto em boa parte da temporada, os cariocas viram o Palmeiras lucrar mais com o Allianz Parque, cuja capacidade é menor do que o lendário estádio do Rio.

O faturamento do Flamengo com matchday (bilheteria, sócio-torcedor, aluguel de camarotes, cadeiras cativas, e outras receitas em dias de jogos) foi de R$ 224 milhões no ano passado. O Palmeiras discrimina a arrecadação desta natureza em diferentes pontos em seu balanço. Foram R$ 52,6 milhões arrecadados com jogos, além de R$ 74,19 milhões no programa de sócio-torcedor.

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As cifras sobem ainda mais quando é levado em consideração os valores pagos pela Real Arenas, braço da WTorre na administração do Allianz Parque, ao clube. No ano passado, Palmeiras e a empresa fecharam um acordo para repasses, o que rendeu R$ 153 milhões aos cofres palmeirenses no ano de 2024.

Assim, somando todos os valores, o Palmeiras teve R$ 279,79 milhões de arrecadação envolvendo o Allianz.