Seu clube vai falir? Rodrigo Capelo, novo colunista do Estadão, responde

Jornalista avalia situação financeira dos principais clubes do País, o modelo de SAF e comenta acordos que envolvem Corinthians, São Paulo e Santos

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Seu clube vai falir? Rodrigo Capelo, novo colunista do Estadão, responde

Jornalista avalia situação financeira dos principais clubes do País, o modelo de SAF e comenta acordos que envolvem Corinthians, São Paulo e Santos. Crédito: TV Estadão

Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Entrevista comRodrigo CapeloNovo colunista do Estadão

A situação financeira de grandes clubes do Brasil está tirando o sono de muitos torcedores. Os negócios do esporte têm se tornado assunto recorrente. Venda e contratação de atletas, gestão e patrocínios no futebol, reforma e construção de arenas modernas... Temas não faltam.

Rodrigo Capelo, novo colunista do Estadão, participou de uma entrevista especial em que comenta virtudes e desafios de times que aderiram ao modelo de SAF (clube-empresa), explica diferenças na governança e administração de equipes, como Botafogo, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo, e avalia as condições financeiras e de acordos que foram ou serão firmados por importantes clubes, como São Paulo, Corinthians e Santos.

Assista acima ao vídeo com o conteúdo completo da entrevista e leia a seguir os principais trechos da conversa.

SAF é a única saída para alguns clubes?

A gente já se liberou de diversos fetiches. Há 5 ou 10 anos, muita gente pensava que os clubes seriam mais bem administrados e mais vencedores. Mas nem sempre isso acontece. Se o dono dessa SAF for um aventureiro, ela será tão ou pior gerida do que uma associação sem fins lucrativos. A SAF é só um primeiro passo, no Brasil elas têm naturezas completamente diferentes.

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É possível um clube associativo ou uma SAF falirem?

Uma associação civil não vai à falência, ela tem no máximo a insolvência civil. Mas como esse é um mecanismo muito ruim para o credor, nunca alguém entrou em insolvência no Brasil. Então, associações se endividam, perdem competitividade, vão sumindo (casos da Portuguesa, por exemplo), mas nunca vão à falência. A SAF, enquanto empresa, pode entrar nesse processo de falência. Numa situação catastrófica, um credor demanda a abertura de um processo de falência que leva ao leilão de todos os bens, queda para a última divisão, é outro cenário.

Flamengo e Palmeiras não precisam aderir ao modelo de SAF?

Pelo mesmo motivo dos outros, Flamengo e Palmeiras não precisam. Pode ser para mudar a governança, para construir um estádio e conseguir mais dinheiro para isso... Se houver uma motivação dessa natureza, é possível a mudança.

Como você analisa o panorama de reforma e construção de estádios no Brasil?

As pessoas muitas vezes esquecem do custo de uma ação como essa. Além disso, a construção pode custar até R$ 1 bilhão. Com o juro de hoje no Brasil, ter um valor dessa magnitude financiado pode ser fatal. Então, para evitar essa conta, quem ainda não fez o estádio, é melhor pensar duas vezes. Quem já fez e ainda tem de pagar, é uma situação preocupante e difícil de lidar para Corinthians, Atlético-MG e clubes que vivam esse momento.

De que forma você examina o movimento do São Paulo na venda de jogadores formados pelo clube e uma possível venda de parte da base para um investidor estrangeiro?

O São Paulo passa por dificuldades financeiras, não tão graves quanto as do Corinthians, mas bem distante do Palmeiras. A venda de jogador é historicamente um ponto importante para o clube, que está tentando recuperar o lugar que ele perdeu. Em uma eventual negociação com Evangelos Marinakis, o São Paulo entraria numa margem em que pode se prejudicar em um caso em que teria mais benefício (como o surgimento de um novo Lucas ou Kaká). O torcedor tem razões para se chatear com essas negociações.

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