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‘Ninguém nunca atingirá o feito dele. Impossível alguém ganhar quatro Copas do Mundo’

Rodrigo Paiva, diretor de comunicações da CBF que conviveu mais de uma década com Zagallo, relembra histórias e destaca o ser-humano humilde que era; confira o depoimento

Por Sergio Neto
Atualização:

“É engraçado, que quando eu lembro do Zagallo, que eu cresci vendo, garoto, né, pô… imagina. É uma coisa gigantesca, né.

E depois que eu passei a conviver com ele como amigo, uma pessoa que o que queria e gostava muito, né… o que me surpreendia mais é que ele era um cara muito bem humorado, entendeu? Brincalhão, gostava de piada, gostava de provocar, fazer ironias. Mas ironias no bom sentido, sabe? Aquela coisa carinhosa, brincalhona, e dava abertura aos jogadores para isso também.

Gigante vencedor, nunca mais ninguém vai atingir o feito dele

Rodrigo Paiva

Eu me lembro assim, muito em Copa do Mundo, de seleção, muito o que eu falei do Ronaldo e do Zagallo, do Ronaldo e do Roberto (Carlos), que brincavam com o Zagallo. O Roberto até imitava o Zagallo, entendeu? Roberto era um bom imitador do Zagallo. Imitava para ele mesmo.

Zagallo se foi e saudades fica entre os amigos, que relembram história e destacam humildade. Foto: Antonio Lacerda/EFE

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E falava os termos que ele falava, do tipo “furiculou”, “deu problema, né?”, “o bicho pegou”... e o Roberto imitava ele. O Ronaldo também brincava. Lembro que eles botaram o Zagallo até para dançar, como eram músicas da época dele. Era muito brincadeira com ele.

E ele é um cara que dava abertura para essas brincadeiras. Ele gostava dessa relação descontraída.

Eu lembro também que o Zagallo sofreu um baque grande antes da Copa de 2006. Ali que eu acho que foi a virada dele. Para o início de uma perda grande. Ele foi pra Copa do Mundo porque ele era o Zagallo. Quase um “super homem”, né.

Na Copa de 2006 ele estava muito debilitado. Tanto que tinha até uma estrutura montada pelo Dr. (José Luís) Runco e o Dr. Serafim (Borges) para qualquer problema ali poder agir rapidamente. Ele esteve internado muito tempo aqui no Rio de Janeiro, no Samaritano. Ele quase nos deixou naquela época. Mas ele é muito forte, né.

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Ele era o Zagallo. Quase um “super homem”

Rodrigo Paiva

E conseguiu se recuperar, fez cirurgia, acho que foi complicado, sabe. E conseguiu se recuperar e conseguiu ir à Copa do Mundo. Mas assim, acho que se ele estivesse 100% naquela Copa do Mundo, lá, em 2006, ele tinha ajudado mais o Parreira, que é uma dupla maravilhosa. A dupla que deu muito certo teria dado de novo com aquela seleção incrível de 2006. Eles eram uma dupla perfeita.

Para mim, a imagem que fica maior, é de uma pessoa daquele gigante vencedor, nunca mais ninguém vai atingir o feito dele, ninguém. Impossível alguém ganhar quatro Copas do Mundo, seja como jogador, técnico, o que for.

E assim, a pessoa alegre. Isso é que me lembra muito. O cara super experiente, antenado, bom líder. Mas, acima de tudo, muito querido. É uma pessoa que as pessoas gostavam muito.

Essa é minha lembrança maior dele.

E vai deixar… já está deixando saudade. Já estava deixando, né. A última vez que eu vi ele foi quando ele veio de cadeira de roda ver a imagem dele e falou “nossa, Zagallo”. Ele falando pra ele mesmo. Realmente a imagem, a estátua dele é igual a ele. E a estátua mais perfeita que eu já vi.

E ele ficou feliz com aquela homenagem. É uma pena, cara.”

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