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Ícaro Miguel supera acidente doméstico e sonha com o ouro olímpico no tae kwon do

Atleta, que perdeu 90% da visão de um dos olhos por causa de uma queimadura química, cria instituto para ajudar novas gerações

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Por Paulo Chacon, especial para o Estadão

Ser um dos destaques do País em seu esporte, ter uma prata em Mundial, líder do ranking mundial de sua categoria e quase não ter a visão de um dos olhos. Essa é a vida de Ícaro Miguel. Aos 27 anos, o brasileiro é um dos maiores nomes do tae kwon do nacional e superou um acidente familiar para trilhar seu caminho no esporte convencional e busca o ouro olímpico.

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“Quando eu tinha seis anos, depois de um dia todo na piscina, minha mãe foi colocar água boricada nos meus olhos e eu reclamei que estava ardendo muito. Ela foi trocar por uma outra que tinha em casa, mas o recipiente de água boricada ficava ao lado do de amônia e ela se confundiu. Acabou pegando amônia, pingou no meu olho direito e causou o acidente. Nos anos seguintes, eu fui perdendo a visão do olho direito aos poucos até perder a visão completamente”, disse Ícaro.

Mesmo com o acidente no olho e a perda da visão com o decorrer do tempo, Ícaro Miguel nunca cogitou um caminho pelo esporte paralímpico. De acordo com o atleta, os motivos sempre foram muitos claros em sua trajetória.

Ícaro Miguel em ação durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Foto: Murad Sezer/ Reuters

“Nunca pensei por alguns fatores que para mim são até simples. Eu sempre gostei de lutas e, como os meus pais fizeram tae kwon do, essa modalidade sempre foi a primeira opção. No paralímpico, o tae kwon do é para amputados e não para deficientes visuais. Além disso, eu sempre consegui dar resultado no esporte convencional. Desta forma, nunca pensei em seguir para o paralímpico”, comentou o atleta que é o número 1 do mundo na categoria até 87kg.

SONHO OLÍMPICO

Com os resultados conquistados, principalmente no ciclo olímpico até a Olimpíada de Tóquio, Ícaro Miguel, de 27 anos, passou a ter sonhos ainda maiores. Com o vice-campeonato mundial, conquistado em 2019, o brasileiro viu que era possível chegar em lugares ainda maiores.

“Sinto que posso mais. As conquistas nos últimos anos me fizeram entender que é possível. Sei que preciso me preparar muito, mas sonho com o ouro olímpico e o título mundial na minha categoria para o Brasil”, disse Ícaro Miguel.

Pensando na preparação para o futuro, o atleta do tae kwon do do Brasil decidiu colocar em prática a ideia de um sonho seu e da sua família. Usando o esporte como um dos caminhos, Ícaro Miguel é responsável por um instituto que leva seu nome. No local, a ideia principal é conseguir dar para as crianças e jovens de hoje o que Ícaro não conseguiu ter quando mais novo.

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“Eu sou de Minas Gerais e tive que sair de casa muito novo para seguir no tae kwon do. A ideia do Instituto Ícaro Miguel é levar oportunidade para as pessoas, para que elas não precisem sair de Minas Gerais. Hoje temos as aulas de tae kwon do, queremos colocar reforço escolar, cursos e algumas coisas a mais. No futuro também queremos novas unidades do instituto, sempre focando em lugares e regiões mais carentes do estado”, finalizou o atleta.

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