PUBLICIDADE

Publicidade

Organismo vivo

Em Atlanta, a Vila era tão longe do local de refeições que a turma encarou um fast food

PUBLICIDADE

Por Robson Caetano
Atualização:

Os Jogos Olímpicos nos remetem a dias de paz, de muita harmonia, onde atletas se dizem apenas adversários, onde religiões, credos e diferenças desaparecem, onde tudo é como deveria ser no mundo... Tudo isso acontece na Vila Olímpica. Que saudade!

PUBLICIDADE

Ao longo dos anos me perguntaram sempre se existem namoros dentro da Vila, e isso, claro, existe, afinal, ninguém é de ferro. Mas existe também uma regra a ser cumprida: homens e mulheres ficam em andares separados e as áreas de convivência é que são as mais badaladas, pois lá tem as festinhas. 

O conceito de Vila Olímpica começou a ter importância depois de Los Angeles-84, quando a UCLA (Universidade da Califórnia) se fechou para o mundo em razão do boicote imposto pelos países aliados aos americanos aos Jogos de Moscou, em 1980, e no boicote imposto pelos países aliados à União Soviética. Tivemos a sensação de faltar algo nas Vilas: a beleza das russas, o charme das romenas, a disciplina da Alemanha Oriental se perde muito com a falta da troca, do escambo cultural... A gente vê de pertinho como se comportam as pessoas do mundo inteiro, é dentro da Vila que aprendemos e tentamos nos comunicar de verdade com outras nações.

Durante pouco mais de 20 dias, atletas do mundo inteiro se concentram nesse lugar repleto de simbolismos e diferenças, bandeiras são penduradas nas sacadas, troca de pins, conhecer gente diferente, e muito diferente, e se apaixonar por esse ambiente, uma cidade chamada Vila Olímpica.

Os cuidados com os atletas sempre serão prioridade, afinal, são os protagonistas da festa. Já tivemos o terror imposto durante o fortalecimento do capitalismo, e as diferenças religiosas que sangraram a Alemanha não em 1936, mas nos Jogos de Munique em 1972, numa falha na segurança. O que era para ser um local de amizade e respeito virou um campo de guerra e teve um desfecho trágico naquele dia 5 setembro, portanto, ainda fica certo temor de uma ação covarde. 

Em tempos de ataques terroristas pelo mundo, é preciso cuidado de todos, uns com os outros, o Brasil não pode deixar acontecer um descuido pelo fato de tudo estar indo bem durante os Jogos e achar que a batalha está ganha e que nada irá acontecer. Temos de cuidar do nosso bem mais precioso: a vida. A nossa e de nossos convidados nestes Jogos. A covardia com quem está feliz por estar nesta confraternização pode acontecer, não estamos na cabeça desses radicais.

Todas as nações sabem que Vilas Olímpicas nunca são testadas, a não ser que seja um dormitório de universidade, como já fiquei. Mas prédios feitos para uma competição como esta não, pois são entregues para descanso de milhares, de dirigentes e atletas, num total de 17 mil pessoas. 

Publicidade

Diferentemente dos locais de competição, não tem como ser perfeita na entrega da chave. A dirigente australiana exagerou, e deixou a Janeth Arcain, prefeita da Vila, numa saia justa. Tirando a Vila, só o velódromo não foi testado, o que será feito durante os Jogos mesmo. Enfim, é importante lembrar que chegam para se hospedar milhares de pessoas, quase que ao mesmo tempo, e um problema ou outro pode surgir.

Já tive problemas com estrutura de Vila Olímpica. Em Atlanta-96 era tão distante o local de refeições que a turma encarou um Fast Food que ficava atrás do prédio do Brasil. E, no meu caso, ainda sofri um acidente com o meio de transporte que me jogou no chão, e isso a poucos dias de minha estreia na prova dos 200 metros. Enfim, com Canguru ou não na porta do prédio da Austrália, temos uma Vila Olímpica recheada de jovens ávidos por intercâmbio.

Atletas passam pela Vila e sempre deixam sua marca, seja com as medalhas, com a sua cultura, ou com seu jeito peculiar de mostrar amizade. Estive em quatro Vilas Olímpicas distintas e posso dizer que a melhor maneira de você aproveitar é viver esse organismo vivo chamado Vila Olímpica.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.