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Microempresa retém talentos com previdência privada

Empresas de menor porte tentam driblar a concorrência por mão de obra especializada oferecendo benefícios diferenciados a seus melhores funcionários. De janeiro a novembro de 2011, os planos de previdência complementar aberta arrecadaram R$ 46,4 bi

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Por Redação
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LUCIELE VELLUTO Os planos de previdência privada deixaram de ser um benefício oferecido apenas por grandes companhias. Micro e pequenas também passaram a investir nesse artifício como forma de atrair e reter seus talentos, tanto que já há produtos específicos no mercado de seguros e previdência para atender essa demanda em expansão. De janeiro a novembro de 2011, os planos de previdência complementar aberta arrecadaram R$ 46,4 bilhões. O volume de novos aportes no sistema é 18,21% maior que o verificado em igual período do ano anterior, aponta balanço da FenaPrevi. Os planos empresariais tiveram crescimento acima da média, de 25,40% no mesmo período, somando R$ 5,8 bilhões. O vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Renato Russo, explica que a participação das micro e pequenas empresas no total geral do mercado ainda é pequeno, mas que o aumento da renda e da disputa por mão de obra especializada fazem com que cada vez mais organizações de pequeno porte ofereçam esse benefício a seus colaboradores. "Hoje, elas buscam dar uma vantagem a seus funcionários, como o plano de previdência privada." A alternativa que parte das micro e pequenas tem encontrado para oferecer os planos de previdência privada sem custos para a empresa é negociar adesão coletiva de seus funcionários com a seguradora para que haja vantagens frente a um plano individual, já que muitas dessas empresas não têm condições financeiras de contribuir com o plano. "A partir dessa contratação coletiva negociado pela pessoa jurídica, o funcionário passa a ter taxas menores de administração, por exemplo, e a empresa não tem custos para ofertar o benefício", explica Russo. De acordo com a superintendente de produtos e operações de previdência de pessoa jurídica do banco Itaú Unibanco, Andréa Vivan de Souza Coutinho, a procura pelos planos de adesão coletiva por micro e pequenas empresas é crescente. A instituição tem um produtos específico oferecido nas agências para empresas de pequeno porte que querem levar a seus funcionários esse benefício. "A empresa viabiliza o acesso dos empregados à previdência privada, com taxas de administração e de carregamento menores, e até com possibilidade de desconto em folha de pagamento", comenta Andréa. O plano oferecido pelo banco para a adesão coletiva tem taxa inicial de 0,8%. Já o individual começa em 1%. O consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Darcy Lucca, explica que a previdência complementar oferecida pelas pequenas empresas são uma forma interessante de reter talentos, pois agrega valor à organização empregadora, e ainda ajuda a manter na empresa profissionais mais qualificados. "É um custo que vale a pena no caso de mão de obra especializada, pois a saída de um funcionário gera gastos com contratação e treinamento, que podem sair mais caros do que a previdência desse funcionário", diz o consultor do Sebrae. Ampliação Lucca afirma que o Sebrae-SP tem percebido um movimento de ampliação dos benefícios das micro e pequenas empresas. "Cada vez mais se percebe que o diferencial nas empresas é o ser humano e há uma demanda cada vez maior de capacitação na área de gestão desses recursos", acrescenta Lucca. Para a professora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração (Proced/FIA), Dariane Castanheira, o empreendedor interessado em colocar o plano de previdência como benefício em sua empresa deve se planejar. "Se o objetivo é reter talentos, isso pode ser uma boa saída. Mas será preciso avaliar os impactos nos custos, no valor do produto ou serviço e até no lucro. E planejar o retorno que esse funcionário dará. Por isso, o planejamento é fundamental", explica o professor da FIA.

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