A criação de uma liga unificada, em que os clubes seriam responsáveis pela organização das duas primeiras divisões do futebol brasileiro, parecia encaminhada com a elaboração de um documento contendo as diretrizes comerciais da nova competição. Esse material foi enviado aos 40 participantes das Séries A e B em 2025, pelo menos 30 se mostraram favoráveis aos termos, mas não houve unanimidade. E o que parecia próximo, travou novamente.
Flamengo, Corinthians e Palmeiras, três dos que mais faturam no Brasil, não assinaram. A principal discordância dos cariocas, por exemplo, está em uma cláusula que determina que a diferença entre o que mais recebe e o que menos recebe não pode ser superior a 3,5 vezes. Essa regra se aplicaria aos direitos de transmissão. Outros ativos, como placas de publicidade e naming rights, ainda terão seus percentuais de divisão negociados.

Em 2024, apenas com os contratos de TV e streaming, o Flamengo arrecadou R$ 292 milhões, o maior valor. Já o Athletico-PR recebeu R$ 30 milhões, o menor montante, representando uma diferença de quase dez vezes. O presidente do clube carioca, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já declarou em diversas ocasiões que não aceitará o Flamengo recebendo apenas “um pouco mais” do que concorrentes de menor expressão em um modelo de liga.
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O plano era começar a organizar o campeonato renovado a partir de 2027. No entanto, boa parte dos acordos comerciais, como os de transmissão, só poderiam ser ajustados de 2030 em diante, uma vez que a maioria dos vínculos vigentes nos dois blocos existentes atualmente, a Libra e a Liga Forte União, se encerram apenas em 2029.
Em entrevista à coluna, Cristiano Dresch, dirigente do Cuiabá Esporte Clube, atualmente na Série B, afirmou considerar falido o modelo de clube associativo. Para ele, no futuro, até mesmo gigantes como Flamengo, Palmeiras e Corinthians deverão se transformar em SAFs, ou seja, serão administrados como empresas.
Na visão de Dresch, Bap e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, resistem à criação da liga por questões eleitorais internas, já que precisam prestar contas ao Conselho Deliberativo. Em uma gestão de SAF, os donos decidem.
A nova gestão da CBF apoia a mudança, com o objetivo de concentrar seu trabalho e suas despesas nas seleções brasileiras e nas divisões inferiores. Haveria uma transição em que a entidade auxiliaria em aspectos como arbitragem, calendário e tribunal desportivo.
Resta saber se, algum dia, nossos dirigentes conseguirão chegar a um consenso.





