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Bastidores e negócios do mundo do esporte

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Novo diretor de futebol da CBF já trabalha com a seleção brasileira e Carlo Ancelotti

Gustavo Feijó, de Alagoas, terá cargo remunerado na gestão de Samir Xaud; ele viajou com a delegação para Guayaquil

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Foto do autor Marcel Rizzo

Na saída do ônibus da seleção brasileira, nesta quinta-feira, rumo ao vestiário do Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, em Guayaquil, antes do jogo contra o Equador, estavam os jogadores, o técnico estreante Carlo Ancelotti, o diretor de seleções Rodrigo Caetano, o presidente recém-eleito da CBF, Samir Xaud, e Gustavo Feijó.

Ex-vice-presidente da CBF e ex-presidente da Federação Alagoana de Futebol, Feijó, de 56 anos, ainda não foi oficialmente anunciado, mas já exerce um cargo remunerado na diretoria da seleção brasileira. A coluna apurou que a nomenclatura exata será Diretor de Futebol Masculino, com anúncio previsto para breve.

Gustavo Feijó tentou impedir a primeira eleição de Ednaldo Rodrigues na CBF em 2022. Foto: Wilton Junior/Estadão

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Procurado, Feijó não retornou os contatos. A CBF também não respondeu. No início da semana, porém, uma nota enviada a alguns veículos de comunicação trazia a negativa de Feijó quanto a estar negociando um cargo na entidade. Apesar disso, sua assessoria afirmou que ele “é uma figura com profundo conhecimento do cenário futebolístico nacional e vê com naturalidade o fato de seu nome ser cogitado para funções de relevância na estrutura do futebol brasileiro”.

Na hierarquia da CBF, Feijó estará acima de Rodrigo Caetano, diretor de seleções desde fevereiro de 2024, com contrato até o fim da Copa do Mundo de 2026. Caetano chegou ainda na gestão de Ednaldo Rodrigues e participou da negociação para a contratação de Ancelotti. Uma das exigências do treinador italiano para manter o acordo foi a permanência da base da diretoria de seleções com a qual ele havia dialogado.

Feijó já integrou a diretoria da seleção durante as gestões de Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo, entre 2015 e 2021. E tem bom relacionamento com o ex-lateral Branco, atual coordenador do departamento de base da CBF. Branco foi citado por Ancelotti em sua coletiva de apresentação. Os dois se conheceram nos anos 1980, quando o brasileiro atuava na Itália. O agora dirigente tem sido um dos principais cicerones de Carletto nos primeiros dias de trabalho no Brasil e na CBF.

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Feijó também foi vice-presidente nas gestões de Del Nero e Caboclo, e chegou a ser aliado de Ednaldo Rodrigues, relação que se deteriorou. Em 2022, tentou concorrer à presidência da CBF, mas não conseguiu registrar sua chapa. Naquele ano, o alagoano buscou suspender o pleito que elegeria Ednaldo pela primeira vez.

Partiu de Feijó também o processo judicial que tornou turbulenta a passagem de Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF. O dirigente alagoano, porém, foi um dos signatários do acordo homologado pelo STF em fevereiro de 2025 que poria fim às discussões judiciais e que, mais tarde, foi contestado no âmbito do mesmo processo por uma suposta assinatura falsa do coronel Nunes - fato que culminou na deposição de Ednaldo.

Seu filho, Felipe Feijó, atual presidente da Federação Alagoana, foi um dos nomes cogitados para ser o candidato a presidente na articulação das federações estaduais. Ao final, Samir Xaud, de Roraima, acabou escolhido como cabeça da chapa.

Entenda a divisão de poderes na CBF

Os dois principais ativos da CBF, os campeonatos nacionais e a seleção brasileira, serão geridos de forma separada. Xaud, com o apoio de Gustavo Feijó, de Alagoas, será o responsável pela seleção. Já as competições ficarão sob a responsabilidade do advogado Flávio Zveiter, ex-presidente do STJD e vice-presidente eleito em 25 de maio

Zveiter, um dos principais articuladores do grupo que elegeu Samir Xaud, optou por não disputar a presidência e integrou a chapa como vice. O nome de Xaud foi escolhido por seu perfil mais jovem, ele tem 41 anos, e por representar uma federação de menor expressão, a de Roraima, o que, na visão do grupo, facilitava a aceitação de seu nome por outras entidades, já que ele nunca havia protagonizado disputas de poder.

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Existe a possibilidade de Zveiter assumir um cargo formal na diretoria da CBF, como CEO, por exemplo. Nos próximos anos, ele será o responsável por negociar com os clubes a criação de uma liga independente para organizar as Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Por ter mantido relação recente com a Libra, um dos blocos de clubes, Zveiter já conta com boa relação com parte das agremiações. Ele também ficará encarregado de melhorar o suporte e a estrutura das divisões inferiores, como as Séries C e D, além de estudar a eventual criação de uma Série E, que daria a mais clubes calendário para além dos Campeonatos Estaduais. Outra missão de Zveiter será discutir o possível enxugamento do calendário dos Estaduais, uma demanda de alguns clubes que, por ora, são críticos à nova gestão.

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Outros vice-presidentes terão funções específicas. Fernando Sarney, por exemplo, deve ser o representante do Brasil na Fifa e na Conmebol. O país perdeu seu assento no Conselho da federação internacional com o afastamento de Ednaldo, mas espera recuperá-lo com a boa relação de Sarney na entidade. A área jurídica deve continuar sob comando do grupo ligado ao IDP, com André Mattos como diretor.

O setor de marketing estará sob o guarda-chuva de Rubens Angelotti, presidente da Federação de Santa Catarina e também um dos novos vice-presidentes. Cláudio Gomes, com passagens pela entidade do Sul, será o novo diretor do setor.