Japão e Coreia do Sul guardam memórias do penta e de títulos mundiais de Corinthians e São Paulo
Seleção brasileira encerra tour pela Ásia nesta terça-feira em duelo com o Japão. Crédito: Tiago Leme
Se você deu aquela cochilada depois de acordar cedo para ver um ótimo Brasil 2x0 Japão, na primeira etapa, e emendou o intervalo com 25 minutos do segundo tempo, você acordou no pesadelo. Os japoneses viraram para cima do Brasil por 3 a 2, merecendo amplamente a placar e a vitória histórica: a primeira japonesa contra o Brasil, e a primeira, desde 1914 (segundo as contas dos craques Felipe Mazmanian e Augusto Oazi) em que o Brasil sofre uma virada ganhando por dois gols de diferença, desde o apito inicial.
Sofreu porque o Brasil sublimou (passou do estado sólido ao gasoso) depois do erro terrível de Fabrício Bruni em saída de bola, numa indecisão que deu o primeiro gol ao Japão, marcado por Minamino, aos 6 minutos. Aí, a seleção de Ancelotti, que vinha muito bem, obrigado, entrou em parafuso. Mais uma bola às costas de Carlos Augusto, levantada no segundo pau, PH (de ótima apresentação) fechou demais e deixou Nakamura livre para bateu a bola que entraria, mas Fabrício Bruno, ao tentar evitar, mais uma vez não foi feliz e fez contra, aos 16.
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O Brasil seguiu mal. Toda bola na área era problema. Uma cabeceada na trave, na sequência escanteio da esquerda, ninguém subiu, Beraldo chegou atrasado, Ueda (que havia perdido gol feito quando ainda estava 0x0) cabeceou, Hugo Souza se atrapalhou com q bola que explodiu no peito dele, e o Japão fez 3 a 2, aos 25.
E podia ter feito mais, contra o Brasil que piorou com as mexidas de Ancelotti na segunda etapa, e foi completamente modificado animicamente depois da virada. Como bem destacou na ótima transmissão da GETV o Bruno Formiga, pareciam “11 Tsubasas” supercampeões do desenho animado japonês, contra um desanimado Brasil de Ancelotti - ou a versão reborn do Brejeiros da Tijuca do Zé Carioca...
Até o próprio treinador pareceu sentir demais uma virada histórica, inédita, e que deixa algumas preocupações para a Seleção.
Perdeu para um ótimo time, mas que nem vinha em grande fase.
O Japão é posição 19 no ranking da Fifa. A gente só usa essa métrica há quase 30 anos quando queremos defender uma tese. E a minha é de que é uma das melhores seleções japonesas de todos os tempos. Que não vive lá o melhor momento enquanto time, mas é uma boa equipe, jogando em casa, com uma torcida barulhenta, contra o Brasil todo desfigurado ou modificado em relação à ótima atuação contra a Coreia do Sul.
Apenas Casemiro, Bruno Guimarães e Vini estavam entre os titulares contra os japoneses. E parecia que a equipe era a mesma nos 45 iniciais, inclusive no desempenho. Se não tanto na emoção do jogo, porque foram apenas duas oportunidades do Brasil no primeiro tempo, e as duas foram convertidas. Depois de ficar 35 segundos com a bola de lá para cá, no primeiro gol, e 34 no segundo, duas jogadas muito bonitas, muito bem construídas, com belíssimos passes finais de Bruno Guimarães para Paulo Henrique abrir o placar, aos 19 minutos, e outro passe lindo por elevação de Paquetá para Martinelli ampliar, aos 31, de um ótimo primeiro tempo de paciência da Seleção.
Capaz que alguém, com jogo começando às 7h30 de Brasília, tenha dormido com uma troca de bolas, talvez lenta demais, mas ao mesmo tempo eficiente. Algo que Ancelotti, como italiano e grande treinador que é, sabe bem, muito bem como fazer.
Brasil que variou do 4-2-4 com a bola nos pés ao 4-3-3, com Casemiro na cabeça da área, Bruno Guimarães saindo mais pela direita, e Paquetá flutuando à esquerda, mas muitas vezes mais próximo de Vini, que cada vez vai se consolidando como opção pelo meio de ataque. Foi assim na goleada contra a Coreia, com Rodrygo a partir da esquerda, com Vini Júnior mais centralizado, com Estêvão no primeiro jogo pela direita, e Luiz Henrique pela direita.
Vini começou a jogar mais afunilado antes da chegada de Mbappé ao Real Madrid de Ancelotti, com opção de movimentação da esquerda para dentro, ou mesmo de dentro pra esquerda. Pode funcionar mais vezes numa função ainda em aberto na Seleção. Mas não tão escancarada como esteve a equipe nos 19 minutos em que levou a virada inesperada e histórica.
Ainda não pintou o hepta em 2030 - como brinquei na edição de domingo do nosso jornal. Mas esse apagão preocupa mais do que o placar final.






