O mundo da bola e o futebol pelo mundo

O mundo da bola e o futebol pelo mundo

Flamengo e Palmeiras fazem um grande jogo no Rio, mas arbitragem é pequena em todo o Brasil

Vitória rubro-negra por 3 a 2 mostra que ainda tem muito campeonato e muita reclamação à frente

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Foto do autor Mauro  Beting

Deixo para os que botam brotos e botos no mesmo balaio de berros, de brutos e de broncos. Reclamações que perdem a razão que têm de Abel a Caim, de quem quer empalar e pilhar a arbitragem. Eu quero comentar primeiro de bola – embora seja difícil, com o nível baixíssimo da pior arbitragem de todos os tempos no futebol brasileiro. Não tem sistema, não tem esquema, não tem ajuda, não tem deputado Júlio Lopes para pedir pro ministro Fufuca ou para criar CPI sobre o VAR; só se atrapalha o futebol brasileiro com os árbitros que não se ajudam, e também ninguém os ajuda.

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Nós pioramos a arbitragem com suspeições antes de a bola rolar, com reclamações com ela rolando, e com todo mundo de dentro e de fora das quatro linhas sem prumo achando que é “contra tudo e contra todos”. A única coisa que é realmente contra todos é o pavoroso nível da arbitragem. Outra coisa que existe é todo mundo reclamando de arremesso lateral, de aplicação da regra quando ela é corretamente interpretada (como no caso da maior abelha da história do futebol brasileiro, o encerador Jandrei, que foi devidamente punido em Fluminense e Juventude).

No mesmo Maracanã, que viu mais uma arbitragem ruim de Wilton Pereira Sampaio, mas que nem assim conspurca os méritos e métodos do Flamengo ao vencer o ainda líder do Brasileirão.

Flamengo e Palmeiras fazem bom duelo, mas novamente arbitragem é a dona dos holofotes. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Pelo regulamento, Palmeiras tem uma vitória a mais do que o rival, com a mesma pontuação. Pela bola, talvez um empate fosse o mais justo no Maracanã, por aquilo que vinha jogando o paulista jogou, sobretudo na primeira etapa. Mas é um Flamengo de superação, e enorme capacidade com Pedro e Arrascaeta, que fizeram a diferença a favor do dono da belíssima festa para mais de 71 mil presentes. Campeão carioca que ganhou o primeiro jogo no Allianz Parque, também com arbitragem polêmica, e que vence também no Maracanã, com outra arbitragem polêmica.

Aquele que já foi o Recreio dos Bandeirantes, do Palmeiras campeão da Copa Rio e da Libertadores de 2020, mas que há dez anos não consegue vencer o Flamengo atuando no Maracanã. Desta vez, teve bola, teve futebol, o mesmo número de oportunidades (seis para cada equipe, pelo meu critério), mas não teve o Palmeiras erros de arbitragem que o favoreceram em outros jogos. Nesta tarde, na minha interpretação, foi prejudicado. Como já havia sido no turno, em São Paulo, e agora também no returno, no Rio.

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(Viu? Pareço o Boto e todos aqueles que dizem que não vão falar de arbitragem, que não gostam de reclamar, mas só ficam falando dela... Estou parecendo o Abel, que acha que só o Palmeiras é prejudicado. Ou como o Filipe Luís, que diz que a arbitragem erra contra o time dele em 80% dos casos... Também não serei o João Martins, auxiliar de Abel, que dizia que o sistema não deixaria em 2023 o Palmeiras ser o bicampeão brasileiro...)

Ou seja: se reclama demais no futebol brasileiro, e a gente pode reclamar ainda mais, sobretudo quando Flamengo x Palmeiras fizeram um grande jogo, mas que podia ser melhor, porque lamentavelmente a arbitragem não ajudou e ninguém ajuda a arbitragem. E ainda tem semifinal de Libertadores para os dois candidatos a tudo em 2025, que tiveram que multiplicar energias em campo. E as dosar para a semana continental.

Mas falando de bola rolando, o Palmeiras começou bem melhor quando houve jogo, quando o Flamengo (nervoso) não se achava, errava os passes, era bem marcado pelo Palmeiras lá na frente. Até Pedro superar Bruno Fucha no bote errado e achar Arrascaeta para ser o craque que é à frente do estreante Carlos Miguel, aos 9 minutos.

O Palmeiras se manteve bem, e estava melhor até Vitor Roque empatar de cabeça, aos 24, em cruzamento de Khellven, aproveitando-se da infelicidade do quarto árbitro, que não deixou o Flamengo fazer a alteração necessária de Danilo pelo lesionado Léo Ortiz. O Flamengo podia ter jogado a bola para fora quando a teve em posse, naqueles quase dois minutos até o gol alviverde.

O clássico então passou a ser mais igual, até o Flamengo desempatar com um pênalti infantil cometido por Bruno Fuchs em Pedro. Muito bem convertido por Jorginho, aos 41 minutos, deslocando Carlos Miguel.

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(“Mauro, e a arbitragem? Você não vai falar nada do lance? Se fosse alguém da Flapress já...” Reitero: não sou porta-voz de clube e nem porta-berro de arquibancada. Sou um palmeirense que é jornalista, mas não sou um jornalista palmeirense. Se alguns coleguinhas são mais torcedores e distorcedores do que eu, eles que sigam assim... Vou deixar para o final a análise pontual dos lances discutíveis. Já falei mais do que deveria no começo... Pareço até jogador, treinador e cartola que fala que não vai falar da arbitragem e só fala disso!)

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Flamengo fez 2x1 e faria 3x1 em outra pisada de bola do Palmeiras. Um bote do Pedro na bobeada de Aníbal fez Arrascaeta de novo descobrir p goleador Pedro, que bateu inapelável na saída de Carlos Miguel, aos 44.

Três chances do Flamengo, três gols no primeiro tempo. Eficiência semelhante a do clássico contra o Botafogo.

Veio a segunda etapa e, corretamente, não mexeu Abel (que havia escolhido os melhores 11 iniciais, assim como Filipe). O Palmeiras havia jogado muito bem, ou havia feito um jogo igual, mas demorou a criar as oportunidades. Teve poucas, é fato, ou teve o mesmo número do Flamengo. Só que sem a mesma eficiência.

O desgaste físico e mental fez um segundo tempo com menos futebol e chances. O Flamengo foi inteligente como trabalhou bem a semana inteira, reclamando até do que é pueril, e soube cozinhar a bola e assar os nervos. Levou ainda um gol nos acréscimos do incansável zagueiro-artilheiro Gustavo Gómez, quando o Flamengo chegava com mais perigo com o incansável e sempre decisivo Bruno Henrique.

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(Mas eu sei: você é brasileiro, e gosta mesmo mais de espinafrai a arbitragem do que do jogo, e é isso que repercute nas redes antissociais e com os chat(o)s...

Então vamos lá:

2 minutos: Jorginho coloca as duas mãos nas costas de Gustavo Gómez dentro da área. No Brasil se marca muito esse empurrão como pênalti. Na Europa segue o jogo, no mais das vezes. Até pela absurda mudança da regra que manda o árbitro interpretar se houve “impacto” nessa ação que me parece óbvia. Lance discutível. Para o deputado flamenguista e federal Júlio Gomes seria caso de nova invasão do STF; pelos critérios de Abel, nem se discutiria se fosse na outra área; para Ramon Abel, que marcou aquele pênalti de Murilo em Arrascaeta, no turno, pênalti. Falando sério: eu marcaria pênalti no Maracanã, não aquele do turno, em São Paulo. Mas entendo o VAR não chamar o árbitro por não considerar um erro “claro e manifesto”, como ordena o protocolo do VAR que ninguém lê – nem os árbitros...

37 minutos: pênalti que o bandeirinha corretamente ajuda o árbitro a marcar o pisão de Fuchs em Pedro. Antes, porém, o VAR (se fosse mais intervencionista como adoram ser no Brasil) podia ter chamado Wilton para observar dois lances discutíveis: Danilo agarrando e derrubando Vítor Roque em contragolpe na origem da tomada de bola do Flamengo, e Pedro empurrando Fuchs pouco antes de ser derrubado pelo palmeirense; em ambos os casos eu marcaria a falta. Ambos os lances discutíveis, ainda mais para uma arbitragem que – corretamente – deixou o jogo fluir.

48 minutos, segundo tempo – mais um lance discutível. Bruno Henrique cai depois de tentar passar por Fuchs. Na sequência, segundo gol palmeirense. Pelo critério adotado pelo árbitro, normal não ter marcado falta. Eu também não marcaria. E, pelo VAR não intervencionista, natural não haver o chamado à cabine.

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Enfim, jogo polêmico e bom como o esperado. Ganhou quem foi mais eficiente.

Escrevo antes de ouvir as entrevistas choroletivas dos dois clubes líderes merecidamente – também em reclamações com e sem razão de arbitragem.

Se for o caso, volto depois para comentar os esperneios mais do que esperados.

Só torço para que entendam que errar é humano. Até quando desumano. O problema é criar teorias conspiratórias (muitas delas amplificadas pela mídia mais açodada que nota oficial do Flamengo). Com ou sem método ou sistema ou esquema além de criar fantasmas e factoides. Quando os árbitros caem mais fácil nas pressões do que jogadores no Brasil. cavando pênaltis.

Opinião por Mauro Beting

Comentarista SBT, TNT, Xsports, N Sports e BandNews FM. Escritor e documentarista. Curador do Museu Pelé e do Museu da Seleção Brasileira.