O jogo de despedida da Carlo Ancelotti do Milan, da Itália e do futebol foi em 1992. Brasil 1 a 0. Gol de Careca encerrando invencibilidade de 40 jogos do Milan. Escolha feliz de rival. Desde a Roma de Falcão e Cerezo, Carletto adora o futebol brasileiro. Como ótimo meio-campista que foi, como excelente treinador que é. Dos poucos que evoluíram muito no banco. Hoje ainda melhor do que era quando campeão da Europa pelo Milan, em 2007. Com Kaká como melhor atleta do planeta naquela temporada.

Ancelotti, como qualquer um que aprecia e conhece futebol, reconhece o talento nacional. E vai bater um bolão por ter algumas das características campeãs dos treinadores pentacampeões pelo Brasil.
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De Vicente Feola, o primeiro, em 1958, Ancelotti tem o perfil baixo. Na dele. Respeitador e muito respeitado. Soube, como Feola foi auxiliar de Béla Guttmann no São Paulo campeão paulista de 1957, também ser fidelíssimo escudeiro de Arrigo Sacchi, na Itália vice mundial para o Brasil de Parreira, em 1994. Outro detalhista técnico, bastante estudioso – como Ancelotti. Bem cercado por assessores que apitam bastante. Mas cuja palavra final é de Ancelotti. Como era de Parreira, com Zagallo e excelente comissão técnica ao lado.
“O líder calmo” é o segundo dos três livros que lançou. Autoexplicativo. Não cola muito com o perfil de Felipão (penta em 2002) e Zagallo (tri em 1970). Mas do gaúcho tem o apreço de formar grupos coesos e “familiares”. De cobranças severas – as internas. E, de Zagallo, tem o apreço por bons sistemas defensivos. Mas, também, por se adaptar aos grupos que dirige. Já gostou mais do 4-3-2-1 como sistema (a “árvore de Natal”), amou fazer parte de um dos melhores 4-4-2 da história (o Milan bicampeão europeu de 1989 e 1990 de Sacchi), e tem se saído muito bem no 4-3-3 do Real Madrid. Não veste camisas-de-força táticas em seus grupos. Mas não é tão estratégico e inventivo quanto foi Aymoré Moreira, o comandante do bi mundial, em 1962.
Versátil na prancheta, Ancelotti também foi prático em campo. Centroavante na base, virou meia na Roma e terminou como cabeça de área mais defensivo no Milan. Um regista arretrato como faria brilhar Pirlo no seu Milan, que também foi recuando em campo, mas com muito mais qualidade do seu pupilo.
Ancelotti sabia jogar e tinha um tiro muito forte. Não era craque. Mas dava um pé eficiente aos times em que jogou. Como Aymoré, Zagallo e Felipão, é melhor treinador do que jogador. E como brasileiros que não conseguiram erguer o caneco, Ancelotti sabe aperfeiçoar e extrair mais de seus atletas (Telê Santana foi mestre); sabe como foi estar no grupo (e não entrar em campo) em duas Copas em que foi reserva com a camisa 9 (mas apenas por questão alfabética, em que se usava na Squadra Azzurra o sobrenome de cada atleta para preencher as camisas, separadas entre defesa, meio e ataque), como Leão foi reserva em 1970 e 1986; como Luxemburgo, em 1998, Tite, em 2016, e, mais que todos, Telê em 1985, Ancelotti chega com imenso apoio popular e da mídia.
Diferentemente de Diniz e Dorival, espera-se mais de um ano de Ancelotti na seleção.






