Publicidade

Por que a liga sem valor para a Olimpíada é favorita de Rayssa Leal e outros profissionais do skate?

Parque do Ibirapuera receberá neste fim de semana feras da modalidade em competição com 11 brasileiros participantes

PUBLICIDADE

Foto do author Bruno Accorsi
Por Bruno Accorsi
Atualização:

Ponto de encontro dos “Ibiraboys”, pioneiros do skate paulistano no final da década de 1970, o Ibirapuera receberá neste fim de semana nomes como Rayssa Leal e Pâmela Rosa para a disputa do Super Crown, última etapa da Street League Skateboarding (SLS), a liga de skate de rua mais importante do mundo. Diferentemente do que ocorreu no ciclo para a Olimpíada de Tóquio, as competições da SLS não fazem parte do classificatório para os Jogos de Paris-2024, o que não muda em nada o apreço dos skatistas pelo campeonato.

PUBLICIDADE

Quando entrarem no Ginásio do Ibirapuera, onde uma pista foi erguida para o evento, os competidores esperam sentir aquilo que mais buscam nos momentos em que estão em cima do skate: a diversão compartilhada com os amigos. Foi assim que nasceu a modalidade. “A gente se conhece tem muito tempo, isso fica mais fácil, porque o skate para gente é uma família”, explicou o brasileiro Felipe Gustavo, vencedor da etapa de Sydney, em coletiva de imprensa.

Além disso, a SLS tem outras características mais ligadas à essência da modalidade, nascida e desenvolvida na rua. “É diferente da Olimpíada, formato, obstáculos. As pistas são parecidas com ‘picos’ de rua, muitas vezes são réplicas desses ‘picos’. Acho que o que mantém a gente como skatista de rua é a SLS”, disse Felipe. “A importância é a evolução do skate. A partir da SLS, os outros campeonatos tiveram de se reinventar. Subiu o sarrafo”, acrescentou o skatista americano Torey Pudwill. O valor total da premiação é U$ 315mil (cerca de R$ 1,5 milhão), distribuídos igualmente entre competidores femininos e masculinos

Rayssa Leal é a grande candidata ao título. Foto: Zorah Olivia/ SLS

A liga, criada em 2010, tem certo caráter de exclusividade, pois os participantes são convidados, mas isso funciona dentro de um contexto que faz sentido na cultura do skate. São chamados, por exemplo, skatistas que causem impacto com o lançamento de ‘vídeo partes’, produções audiovisuais que registram manobras nas ruas e são vistas como um dos elementos mais importantes do universo do esporte. “A ‘vídeo parte’ é como lançar um álbum de música e o campeonato seria o show”, comparou o rapper Kamau, que já foi skatista profissional.

Na opinião de Matt Rodriguez, vice-presidente sênior e gerente-geral da Street League Skateboarding, o formato não é excludente. “Qualquer um pode lançar uma ‘vídeo parte’ e, se tiver repercussão, nove a cada dez abrem as portas na liga. Alguém que lance uma ‘parte’ incrível, inquestionável, nós vamos colocar essa pessoa na liga. Mas sempre estamos buscando novas formas. Acabamos de lançar nossa primeira seletiva no Brasil, um mês atrás, e funcionou muito bem”, disse, referindo-se à Select Series de Saquarema, por meio da qual Gabryel Aguilar e Isabelly Avila conseguiram vaga no Super Crown.

POR QUE A SLS NÃO FAZ PARTE DO CICLO OLÍMPICO?

Quando virou esporte olímpico, o skate precisava de uma federação internacional e acabou alocado dentro da World Skate, entidade reguladora de esportes sobre patins, com o aval do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em 2018, a World Skate firmou uma parceria com a SLS, que teve suas etapas sancionadas como qualificatórias olímpicas. O acordo, contudo, não se estendeu ao ciclo de Paris-2024.

Para a classificatória dos próximos Jogos, os campeonatos válidos são organizados pela World Skate, divididos em dois níveis: Mundial e Pro Tour. Isso vale tanto para o skate street quanto para o park, a outra modalidade olímpica do skate, disputada em uma espécie de piscina com obstáculos. A entrada nas competições é menos restrita que na SLS, pois é preciso ter atletas de todo o mundo competindo para atender às exigências olímpicas.

Publicidade

O fato de ter uma federação de patinação regulando o skate, contudo, incomoda uma parcela dos skatistas. Neste ano, a Confederação Brasileira de Skate (CBSk), apoiada por nomes como Bob Burnquist, que já presidiu a entidade, se posicionou contra a World Skate, defendendo que o “skate é dos skatistas”, em meio a uma pressão para a CBSk se unir à Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP).

Hoje, o skatista que opta por disputar a SLS e a corrida para Paris-2024 enfrenta um calendário cansativo. Pouco mais de uma semana depois do Super Crown, será realizado o Mundial de Street, em Tóquio, no Japão. “Realmente é muito desgastante. A gente não sabe onde a gente vai estar, do nada chega a agenda com um campeonato semana que vem”, disse Felipe Gustavo.

BRASIL E STREET LEAGUE

Com atletas protagonistas na liga, o Brasil vai sediar a etapa final da SLS pelo segundo ano consecutivo. Em 2022, quando Rayssa Leal foi a campeã do Super Crown pela primeira vez, a disputa foi no Rio. Agora, em São Paulo, ela buscará o bicampeonato. “Não consigo explicar com palavras a sensação de competir num campeonato tão importante e ser no Brasil. A torcida é diferente, as coisas que a gente sente são diferentes”, disse a maranhense de 15 anos.

Se vencer o campeonato pela segunda vez seguida, Rayssa iguala a compatriota Pâmela Rosa, campeã em 2019 e em 2021. Os primeiros brasileiros campeões do Super Crown foram Kelvin Hoefler e Letícia Bufoni, ambos em 2015, ano em que Luan Oliveira venceu duas etapas e terminou em terceiro lugar na etapa final.

HISTÓRIA E FORMATO ATUAL DA SLS

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

Disputada desde 2010, a SLS tem o americano Nyjah Huston, considerado uma lenda do skate, como maior campeão, com seis títulos. Ao longo dos anos, já ocorreram variações de formato, mas, em suas últimas três edições, a liga funcionou com a realização de três etapas, cada qual encerrada com um vencedor, e finalizada com o Super Crown, que vale o título de campeão e campeão mundial. A disputa feminina só entrou em 2015.

A primeira etapa deste ano teve Rayssa e Kelvin Hoefler como vencedores, em Chicago. Depois, a australiana Chloe Covell e o japonês Hugo Horigome venceram a edição de Tóquio. Covell foi campeã também da etapa de Sydney, que marcou a primeira vez que Felipe Gustavo, um dos skatistas mais respeitados do País, venceu uma etapa da SLS.

No Ginásio do Ibirapuera, a disputa pelo título começa sábado, 2 de dezembro, com as baterias eliminatórias. A categoria feminina será dividida em dois grupos de seis skatistas cada, e as três melhores de cada grupo avançam para a final, disputada no domingo, dia 3, às 10h30. Já entre os homens, serão cinco grupos de seis skatistas. Os vencedores de cada grupo e o melhor segundo colocado vão para a final, também no domingo, às 14h30.

Publicidade

Nas duas fases, os skatistas terão duas voltas de 45 segundos e cinco oportunidades de manobras individuais. A nota final dos atletas será a soma das quatro maiores notas, podendo ser composta de uma volta e três manobras individuais, ou quatro manobras individuais, com pontuação máxima de 40 pontos.

Serão 11 brasileiros competindo: Rayssa Leal, Pâmela Rosa, Isabelly Ávila, Kelvin Hoefler, Felipe Gustavo, Filipe Mota, Carlos Ribeiro, Luan Oliveira, Lucas Rabelo, Giovanni Vianna e Gabryel Aguilar.

SLS SUPER CROWN

SÁBADO (02/12)

  • 11h30 - Fase eliminatória feminina (onde assistir: SporTV)
  • 14h30 - Fase eliminatória masculina (onde assistir: SporTV)
  • LOCAL: Ginásio do Ibirapuera, São Paulo.

DOMINGO (03/12)

  • 10h30 - Final feminina (onde assistir: TV Globo e SporTV)
  • 14h30 - Final masculina (onde assistir: SporTV)
  • LOCAL: Ginásio do Ibirapuera, São Paulo.

INGRESSOS: De R$ 105 (inteira) a R$ 2.730 no site https://www.ticketmaster.com.br/static/sls2023

Publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.