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Opinião|Neymar sai vencedor dos fracassos do Brasil: ele não jogou e sua ausência foi sentida

Seleção perde para Colômbia e Argentina e atua nas duas partidas sem uma referência: mesmo com todos os seus problemas, o atacante poderia ser esse cara e fez falta

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Foto do author Robson Morelli
Atualização:

E não é que Neymar foi o grande vitorioso dos fracassos da seleção brasileira na Data Fifa, com derrotas para Colômbia e Argentina! Isso mesmo. Mesmo ausente, ele saiu por cima. Mesmo reclamando dele e de sua postura “pouca interessada”, ele fez falta. Isso mostra a dependência que o Brasil tem de um grande jogador. E esse jogador ainda é Neymar.

Sou o primeiro a condená-lo quando as coisas não acontecem em campo, então estou bastante à vontade para admitir que sua ausência foi sentida. Mas não me refiro ao Neymar que vejo na Arábia Saudita, para mim menos competitivo, mas aquele jogador que ele já foi um dia, ligado e com vontade de vencer.

Neymar se machucou seriamente no joelho esquerdo em partida do Brasil contra o Uruguai pelas Eliminatórias Foto: Matilde Campodonico / AP

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Tenho dúvidas se Neymar ainda tem esse espírito, mas é inegável que ele teria algo para oferecer diante da Argentina, do amigo Messi e do meio de campo intimidador dos ‘hermanos’. Só a nível de comparação, o craque argentino não fez nada na vitória do seu time sobre o Brasil no Maracanã, nesta terça-feira, mas ele estava lá, agitando os companheiros e oferecendo perigo só com o olhar.

Neymar, para mim, pode entrar nessa também, mesmo mais ‘moleque’ ainda e com seu ar debochado, coisa que Messi não tem. Eu sei que quando Neymar chega à seleção, o treinador está convocando todo o pacote. Chega um atacante com tudo o que ele representa. Também penso que ele inibe os outros jogadores do grupo. Não tenho dúvidas disso. Então, é preciso construir um ambiente para que ele não seja o cara que é e ajude o Brasil com seu futebol.

Tite tentou e não deu em nada. Diniz tentou e ele se machucou antes de também não dar em nada. Talvez o próximo treinador consiga. Neymar tem de ser menor do que o treinador da seleção, porque sabemos que ele tem essa aura de ser o ‘dono do time’. Se Carlo Ancelotti assinar mesmo com a CBF, será do tamanho certo para recuperar o atacabte disciplinarmente dentro de campo.

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Também tenho dúvidas sobre o seu profissionalismo. É difícil entender em que fase da carreira ele está. Não sei se ele é capaz de disputar uma Copa do Mundo sem se meter em confusão, sem levar para dentro da concentração suas manhas e manias. Não sei mesmo. Só sei que ele fez falta nos jogos da seleção. O Brasil não teve um jogador inspirador, forte, destemido (vocês me entendem) e que impusesse mais respeito.

Os ‘meninos’ de Diniz jogaram bem, mas estão longe dessa condição. Vini Jr. poderia ser esse cara, mas ele não é. Nem sei se será um dia. Rodrygo falhou na missão. Ambos são mais lideranças técnicas do que de qualquer outro tipo. Sem Neymar, o Brasil fica órfão desse cara. Nem mesmo os mais experientes, como Marquinhos e Casemiro (ausente por contusão), fazem esse papel, embora o volante tenha peso.

Então, minha conclusão é que Neymar, com tudo o que ele significa, altos e baixos, sucessos e fracassos, fez falta.

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Opinião por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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