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Futebol, seus bastidores e outras histórias

Opinião|Organizadas de Palmeiras e São Paulo prometem paz nas estradas e no Mineirão na decisão da Supercopa

Dentro de campo, neste momento da temporada, vejo o time do MorumBis com mais poder de fogo no ataque, mas o rival alviverde conta com a vantagem de Abel Ferreira no braço de ferro com Carpini

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Foto do author Robson Morelli
Atualização:

A decisão da Supercopa do Rei, entre Palmeiras e São Paulo, neste domingo, dia 4, no Mineirão, em Belo Horizonte, promete ser um marco no futebol paulista. Há muita rivalidade. E isso tem a ver com a torcida dos dois times. O futebol foi levado para Minas Gerais, entre outras coisas, para que as torcidas dos clubes pudessem acompanhar o jogo no estádio, uma vez que em São Paulo isso não é possível por causa da determinação da bandeira única. Como não há mandante porque a festa reúne o campeão do Brasileirão e o campeão da Copa do Brasil, as entidades esportivas arrumaram uma saída pela tangente para não desagradar nem palmeirenses nem são-paulinos e mandaram o jogo para outro Estado.

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O risco de confusão é o mesmo ou até maior do que se a partida fosse em São Paulo. Há 585 quilômetros de estrada entre as capitais que se tornam palco de brigas previamente marcadas ou mesmo de emboscadas. Já aconteceu em outras ocasiões. Em BH, a polícia mineira, tida como uma das mais enérgicas do Brasil (se é que me entendem), vai fazer a escolta dos torcedores organizados e garantir a segurança de todos ao redor e dentro do Mineirão.

Isso, a polícia paulista poderia fazer também se tivesse vontade e disposição ou ordem para tanto. Entendo como uma grande derrota, vergonhosa até, para os policiamentos do Estado de São Paulo o fato de entregarem a segurança de um jogo de futebol para seus colegas de Minas porque não conseguem fazer isso na capital paulista. Ou não fazem porque os dirigentes e o Ministério Público entendem que não são capazes. De qualquer forma, é uma derrota.

Raphael Veiga começou a temporada com muito protagonismo no Palmeiras: é o artilheiro do Paulistão Foto: Cesar Greco / Agência Palmeiras

A partir daí, há um comprometimento dos líderes das torcidas organizadas de Palmeiras e São Paulo de não brigar nem no jogo nem no trajeto da ida nem no trajeto da volta. Eles pregam a paz na decisão da Supercopa do Rei. Dá para acreditar nisso? Não, pelo histórico de brigas e confusões e das desculpas esfarrapadas de que os briguentos não são membros das torcidas, isso e aquilo... é sempre assim. Nunca é da responsabilidade desses líderes. Ou não são lideranças de fato ou não contam a verdade nos inquéritos e investigações.

Mas há dessa vez esse comprometimento de paz com segundas intenções, o que é legítimo: que é mostrar que as torcidas se modernizaram, abriram seus mentes e não querem mais brigar e que elas são capazes de segurar a onda em clássicos legais. Por quê? Para convencer quem de direito a mudar a lei dos clássicos com torcida única em São Paulo. Dá para confiar? Não, pelo histórico. Mas é mais uma tentativa desses torcedores perante a sociedade e diante dos números de queda de mortes no futebol depois que a proibição foi feita. Se vai dar certo, só depende dos briguentos, que não aceitam cores diferentes nem resultado que não seja a vitória do seu time.

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Qualquer arranhão, a possibilidade de ao menos repensar a lei será descartada. E os torcedores sabem que a sociedade não está nem aí para eles.

O JOGO QUE VALE TÍTULO

Em campo, neste começo de temporada e ainda com os times em formatação e recuperação física, o Palmeiras não é favorito diante do São Paulo. Digo mais: vejo o time do MorumBis melhor nesse momento, com mais jogadores capazes de decidir, como Calleri, Lucas, Galoppo, Luciano.. No Palmeiras, por ora, Raphael Veiga está muito bem e Flaco López tem feito os gols que o time de Abel precisa. Falta mais Roni e o time não tem Dudu, como todos sabem, machucado. Nem Endrick, com a seleção pró-olímpica.

Em favor do Palmeiras, há Abel Ferreira, capaz de arrancar sempre mais do seus jogadores e de enxergar situações passos à frente de seus concorrentes. Ele é bom para planejar o time para decisões. Thiago Carpini está recém-chegado ao São Paulo. Já mostrou alguma coisa, mas ainda está engatinhando no comando da equipe, a maior que já comandou. Tem Muricy Ramalho que pode dar uma força. Mas ele perde no braço de ferro com Abel Ferreira, que o elogiou recentemente. Se esse jogo fosse com Carpini mais rodado no clube, seria muito melhor, não tenho dúvidas.

Calleri voltou com tudo na partida diante do Corinthians pelo Paulistão: com gol e boas jogadas Foto: Pedro Kirilos / Estadão

Imagino um duelo de velocidade, de defesas fortalecidas e de muitos homens no meio de campo. Quem descobrir primeiro os espaços, vai se dar bem. Quem errar, dificilmente terá chance de se recuperar dada a condição técnica dos dois lados. O Palmeiras tem a vantagem da ansiedade menor ou mais bem controlada porque está acostumado a decidir. Então, vai jogar no tom certo, aproveitando os 90 minutos para ganhar e não tentar decidir tudo nos dez primeiros.

Essa ansiedade alta faz mais parte da condição do São Paulo, para quem a taça terá mais peso também. Não tenho dúvidas disso, embora não esteja dizendo que o Palmeiras não queira ser campeão e festejar a primeira conquista do ano. Nada disso. Time nenhum do mundo entra em campo para não ganhar. Esse jogo começa às 16 horas do domingo.

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Opinião por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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