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Zebra africana tem folha de R$ 700 mil

Mazembe, do Congo, ex-Zaire, paga US$ 40 mil por mês a seu craque e soma 10 títulos nacionais e quatro continentais

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A classificação do Mazembe e a automática presença de um time africano de forma inédita na decisão do Mundial de Clubes quebram o estereótipo de que os clubes fora do eixo América do Sul e Europa são desestruturados ou semi-amadores. Fundado em 1939 por monges beneditinos em Lubumbashi (antiga Elisabethville), o Mazembe soma dez títulos congoleses, 5 da Copa do Congo, 4 Copa dos Campeões da África e uma Supertaça Africana. Possui um estádio para 35 mil espectadores, além de amplo centro de treinamento, que formou vários dos jogadores que estão nos Emirados Árabes. A média de idade, que reúne 18 congoleses, quatro zambianos e dois camaroneses, é de 25 anos, a mesma do craque e capitão do time, Tresor Mputu, que ficou de fora da competição (ler texto ao lado).Mputu, pretendido por vários clubes da Europa, recebe o maior salário do futebol africano: US$ 10 mil (cerca de R$ 17 mil) por semana. A folha de pagamento atinge US$ 5 milhões anuais, cerca de US$ 400 mil (R$ 700 mil) por mês. Nada ainda em comparação com os clubes europeus e muito pouco em relação aos times brasileiros. O Corinthians, por exemplo, gasta R$ 4 milhões por mês com seu departamento de futebol. Isso levando em conta "apenas" R$ 500 mil de gastos com Ronaldo, que, na verdade, recebe mais de R$ 1,5 milhão com propaganda. Se juntarmos os salários do Fenômeno e do lateral-esquerdo Roberto Carlos, chega-se a um valor muito parecido com o do Mazembe."Chegarmos à final foi muito importante para que o mundo perceba a nossa evolução", disse o experiente goleiro Kidiaba, de 34 anos, que tem se destacado pelas boas atuações e pela dança com o "bumbum" quicando no chão a cada bom resultado de sua equipe no Mundial.O Mazembe participa pela segunda vez do Mundial. No ano passado terminou apenas na sexta colocação, após duas derrotas. Estreou nas quartas de final diante do Pohang Steelers e chegou a abrir o placar com Bedi, o mesmo que fez o gol da vitória deste ano sobre o Pachuca. Mas os coreanos viraram na segunda etapa. Na disputa do quinto lugar, nova virada, daquela vez para o Auckland City, por 3 a 2. Os gols africanos foram de Kasongo e Kasusula, que assim como Bedi estão novamente em Abu Dabi, mas com mais experiência. Bobo no futebol. A República Democrática do Congo disputou apenas uma Copa do Mundo. Foi em 1974, na Alemanha, quando era o antigo Zaire, e não passou da primeira fase. Caiu no Grupo B, com Iugoslávia, Escócia e Brasil. Seu ataque não fez nenhum gol no Mundial, enquanto sua defesa foi vazada 14 vezes em apenas três jogos - com direito à segunda maior goleada da história das Copas (9 a 0) sofrida para a Iugoslávia. O primeiro tempo terminou com 6 a 0 para os iugoslavos. O placar só foi superado em 1982, quando a Hungria fez 10 a 1 em El Salvador, em campos espanhóis.Diante do Brasil, os africanos fizeram uma aposta para que o time não sofresse mais de dois gols, o que seria uma façanha, pois enfrentavam os então tricampeões mundiais, que eram liderados por Leão, Rivellino e Jairzinho. O time segurou a desvantagem por 2 a 0 até os 34 minutos da etapa final, quando Valdomiro fez o terceiro gol em falha grotesca do goleiro. Naquele época ainda existia "bobo no futebol". Atualmente, a situação é outra. O Inter que o diga.

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