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Alemanha vive pressão social e política diante de novo fluxo de refugiados

O diretor do centro de recepção de imigrantes de Eisenhüttenstadt aponta que situação é comparável a registrada em 2015, quando a Alemanha recebeu mais de um milhão de refugiados

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Por Redação

Na fronteira da Alemanha com a Polônia, o centro de recepção de imigrantes de Eisenhüttenstadt está saturado: “A cada dia chegam quase 100 pessoas. E o número deve aumentar para 120″, prevê o diretor do local.

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O local é uma das primeiras barreiras diante de uma nova onda de refugiados que levou o governo do chanceler Olaf Scholz a adotar medidas para limitar as entradas no país, em meio a diversas discussões sobre o tema na Alemanha e um aumento de popularidade da extrema direita, que é tradicionalmente contrária a chegada de refugiados.

Os ex-quartéis da Alemanha Oriental comunista, transformados em campos de acolhimento, podem abrigar até 1.550 pessoas em pequenas unidades de concreto.

Olaf Jansen, de 63 anos, diretor do centro desde 2018, afirma que a situação é comparável à registrada em 2015, quando a então chefe de Governo Angela Merkel abriu as fronteiras da Alemanha para mais de um milhão de refugiados, a maioria sírios.

Um refugiado senta em frente a um contêiner que está funcionando como uma casa provisória para diversos refugiados que desembarcaram na Alemanha no aeroporto desativado de Tempelhof, em Berlim, Alemanha  Foto: Filip Singer / EFE

“Se somarmos os demandantes de asilo aos ucranianos (isentos de apresentar o pedido na Alemanha), chegamos a uma situação similar”, aponta Jansen à AFP.

Duas rotas

No início da semana, Michael Stubgen, o ministro do Interior de Brandeburgo, região em que fica Eisenhüttenstadt, afirmou que diversos refugiados estão entrando ilegalmente em território alemão pela fronteira com a Polônia. “O número nunca foi tão elevado, nem durante o período 2015-2016″, disse Stubgen.

Duas grandes rotas migratórias seguem atualmente até a Polônia e depois avançam para a Alemanha.

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“Metade dos imigrantes de Eisenhüttenstadt passa por Moscou e Belarus. A outra metade segue a rota dos Bálcãs, que também passa por Hungria e Eslováquia”, explica Stubgen.

Um refugiado observa os contêineres que estão sendo usados como casas temporárias para os refugiados que desembarcam na Alemanha no aeroporto desativado de Tempelhof, em Berlim, Alemanha  Foto: Filip Singer/EFE

Este é o caso de Abdel Hamid Azraq, um sírio de Aleppo de 34 anos. Ele viajou de barco da Turquia até a Grécia e prosseguiu a viagem a pé e de carro por Macedônia do Norte, Sérvia, Hungria, Eslováquia e Polônia.

“Da Turquia até a Grécia são 500 dólares. Da Grécia até a Sérvia 1.000 dólares e a mesma quantia para chegar à Alemanha”, explica Azraq à AFP.

E este valor pode ser considerado uma viagem econômica, afirma Jansen. O diretor do centro de acolhimento relata que “os preços exigidos pelos traficantes de pessoas variam de 3.000 a 15.000 dólares, dependendo do grau de conforto que oferecem”.

Os sírios formam o principal contingente em Eisenhüttenstadt, de 15 a 20%. Depois aparecem os afegãos, que representam de 12% a 15%, e os curdos, procedentes em sua maioria da Turquia, que são 8% do contingente, seguidos de georgianos, russos e paquistaneses, além de muitos africanos, que incluem camaroneses e quenianos.

Família anda pelo Centro de Imigração de Brandenburgo, em Eisenhuttenstadt, Alemanha  Foto: Odd Andersen/AFP

Belarus

Para Jansen, o reforço dos controles da polícia alemã nas fronteiras com a Polônia e a República Tcheca anunciado na quarta-feira,27, é uma boa notícia. “Cada controle adicional permite deter mais traficantes. Um traficante a menos significa centenas de pessoas que não conseguirão atravessar a fronteira ilegalmente”, afirma.

Jansen aponta que Belarus continua facilitando a passagem de imigrantes procedentes do Oriente Médio para a Polônia, como fez em 2021.

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“Há 12 meses que registramos muitas chegadas deste país”, confirma. Vários refugiados afirmaram que, em Belarus, receberam “escadas e grandes alicates para abrir buracos nas cercas que supostamente deveriam impedir a entrada na Polônia”, explica.

No centro de recepção, onde normalmente passam de três a quatro meses antes da transferência para outras regiões do país, os imigrantes podem apresentar o primeiro pedido de asilo. Jansen afirma que 50% dos imigrantes de Eisenhüttenstadt podem ter os pedidos aprovados.

Ali Ogaili, um iraquiano de 24 anos que se declara gay à AFP, afirma que as perspectivas são boas. No centro há um prédio reservado para mulheres solteiras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, como forma de proteção.

Todos têm a mesma ideia: permanecer na Alemanha. “Trabalhar aqui, trazer a família e servir ao país e à sociedade alemã. Inshallah!”, afirma Abdel Hamid Azraq.

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