Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam pacto conjunto de defesa

O acordo considera um ataque a qualquer um dos países como um ataque a todos, mas, em uma região de rivalidades voláteis, não estava claro o que isso significaria na prática

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Por Ben Hubbard (The New York Times)
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A Arábia Saudita informou que assinou um novo pacto com a Turquia e o Paquistão nesta sexta-feira, 7, que prevê defesa coletiva contra ataques a qualquer um dos três países. O acordo pode remodelar a configuração estratégica do Oriente Médio.

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“O acordo tem como objetivo fortalecer a dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão em um comunicado.

Segundo a pasta, o pacto “estipula que qualquer ataque armado contra qualquer um dos três Estados será considerado um ataque contra todos”. No entanto, o texto não foi divulgado, o que deixou pouco claro quais são as obrigações das partes.

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O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman (à direita), caminhando ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (ao centro), durante uma reunião em Meca. Foto: Handout/Turkish Presidency Press Office/AFP

Um funcionário turco, que falou sob condição de anonimato, confirmou que o acordo havia sido assinado, acrescentando que ele prevê apoio mútuo apenas para defesa e não é dirigido contra nenhum outro país.

A ideia de um pacto reunindo Turquia, Arábia Saudita e Paquistão ganhou força neste ano, à medida que guerras e instabilidade em todo o Oriente Médio levaram muitos países a explorar novas formas de reforçar sua segurança sem depender dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais.

Contribuíram para essa visão a guerra entre EUA e Israel contra o Irã; novos ataques contra a Arábia Saudita, atribuídos pelo país a aliados do Irã no Iêmen e no Iraque; preocupações com a expansão das ações militares de Israel; e dúvidas sobre a confiabilidade dos EUA como garantidor de defesa de seus parceiros no Oriente Médio.

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O pacto, chamado de Acordo Conjunto de Defesa de Meca, foi assinado nesta sexta-feira na cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.

Embora o Egito tenha participado das primeiras discussões sobre um possível pacto, o país não foi mencionado como participante nesta sexta-feira.

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que, além do compromisso com a defesa mútua, o acordo “prevê ainda o fortalecimento de todos os aspectos da cooperação em defesa entre os três Estados”.

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O funcionário turco afirmou que outros países da região poderiam aderir ao pacto e que ele não cancela nem substitui quaisquer outros acordos diplomáticos ou de segurança dos quais os signatários já façam parte.

O novo pacto ocorre após esforços da Arábia Saudita para formar uma coalizão marítima para dissuadir ataques no Mar Vermelho. No mês passado, o reino convidou dezenas de países a participar. Pelo menos 14, incluindo Turquia, Egito, Paquistão e Nigéria, manifestaram apoio, embora ainda não esteja claro como a coalizão funcionará.

O acordo anunciado nesta sexta-feira reúne três países poderosos, com diferentes pontos fortes, cujos territórios combinados se estendem pela Europa e pela Ásia.

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A Turquia tem um grande Exército e uma crescente indústria de defesa, conhecida pela produção de tudo, desde projéteis de artilharia até drones avançados, vendidos para uma ampla variedade de países.

O Paquistão também possui um Exército forte, além de um arsenal nuclear. Já as enormes reservas de petróleo da Arábia Saudita lhe conferem peso financeiro, juntamente com a vantagem geográfica de seus extensos litorais no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico.

Mas cada país também traz consigo seus próprios conflitos e problemas de segurança, nos quais seus parceiros podem hesitar em se envolver.

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A Turquia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mantém há muito tempo disputas territoriais com a Grécia no Mar Egeu, além de uma relação cada vez mais conflituosa com Israel.

O Paquistão enfrenta a instabilidade no vizinho Afeganistão e tem um longo histórico de tensões com a Índia, que também possui armas nucleares. Confrontos periódicos entre os dois rivais sul-asiáticos levantam o risco de novas hostilidades.

A Arábia Saudita está do outro lado do Golfo Pérsico em relação ao Irã, que lançou ataques com mísseis e drones contra o reino em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel. O país também precisa lidar com os rebeldes houthis no Iêmen, que lançaram ataques no Mar Vermelho em apoio ao Irã, seu principal aliado e apoiador.

Nesta sexta-feira, o porta-voz de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, major-general Turki al-Malki, afirmou em um comunicado publicado nas redes sociais que os bombardeios dos houthis no dia anterior deixaram 11 civis feridos na região saudita de Najran, incluindo uma criança de 4 anos e um cidadão paquistanês.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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