‘Cãodidato’: eleição no Canadá tem 102 concorrentes, incluindo um honorário ‘cão candidato’

Dois últimos prefeitos de Toronto não terminaram mandato, após escândalos envolvendo uso de crack e caso com funcionária

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Por Redação
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Depois que o último prefeito renunciou o cargo após ter um caso com sua funcionária e o anterior foi destituído de seus poderes depois que admitiu fumar crack, Toronto, no Canadá, uma das quatro maiores cidades da América do Norte, vai às urnas em breve para decidir seu novo líder. Ao total, 102 candidatos, “incluindo” um cachorro, estão na corrida eleitoral, um número recorde para a cidade.

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Toby Heaps, um dos candidatos, prometeu que, caso vença a disputa, “empossará” sua cadela Molly, um husky de 6 anos resgatado da Rússia. Em caso de vitória, Heaps disse que pretende designá-la como a primeira prefeita honorária canina da cidade - cidades como Niagara Falls e Ontário, também no Canadá, já fizeram isso.

Em Nova York, nos Estados Unidos, inclusive, a ocupação do cargo de prefeito por um cachorro é levada um pouco mais a sério. A cada dois anos, eleições não oficiais, que foram criadas pelo amante de cães Stephen Calabria, designam um novo prefeito honorário canino para a cidade, por meio de uma votação online. Os concorrentes podem ser de qualquer raça, mas precisam residir em um dos cinco distritos de Nova York.

Molly, uma mestiça de lobo-husky de seis anos de idade, pode ser a prefeita honorária de Toronto, no Canadá, caso o seu tutor Tobby Heaps vença a disputa. Foto: Reprodução/Tobby Molly For Mayor

Uma das bandeiras levantadas por Tobby (e Molly) durante a campanha eleitoral é o combate ao uso de sal para descongelamento de neve no inverno, especialmente para desbloquear estradas. Heaps argumenta que o uso excessivo de sal pode machucar as patas de cães e acelera a deterioração de nossas estradas municipais e outras infraestruturas. Na causa pet, ele também defende que Toronto seja o lar dos melhores parques para cães sem coleira no Canadá e que se expanda o horário do transporte público para andar com segurança com o animal de estimação.

Se a dupla vencer, os desafios não serão poucos. Por décadas, Toronto era conhecida como “uma cidade que funciona”, elogiada como uma máquina lubrificada pela organização e habitabilidade, com um estoque robusto de moradias acessíveis, um sistema de trânsito eficiente e muitos outros marcadores de estabilidade urbana. Agora a cidade está em crise depois de mais de uma década de cortes orçamentários acentuados para os serviços sociais e as retiradas devastadoras do apoio fiscal para habitação na década de 1990 dos níveis mais altos do governo.

A pandemia agravou problemas com bloqueios que restringiram os fluxos de receita para a cidade e com regras de distanciamento social que tornaram sua administração muito mais cara. Em fevereiro, o prefeito John Tory renunciou após admitir um caso com uma funcionária, deixando a vice Jennifer McKelvie no comando. O próximo prefeito será o responsável por reverter o rumo da cidade e restaurar a imagem do gabinete em um de seus momentos mais difíceis.

Esta eleição é vista por muitos como um referendo sobre a austeridade fiscal dos dois prefeitos mais recentes de Toronto, ambos conservadores. “A boa notícia é que esta está se transformando em uma eleição de mudança”, disse Jennifer Keesmaat, ex-planejadora-chefe da cidade que serviu sob esses prefeitos. “As pessoas estão dizendo, já chega, você teve sua chance com os impostos baixos e o baixo nível de investimento.”

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Não importa quem seja eleito, o vencedor enfrentará um longo acúmulo de manutenção adiada que consumirá uma parte significativa das receitas da cidade e enfrentará um déficit orçamentário de mais de 1 bilhão de dólares canadenses (US$ 760 milhões). A candidata líder em algumas pesquisas é Olivia Chow, uma política veterana de esquerda, que perdeu para os conservadores em 2014 e anunciou um plano para abordar a habitação popular fazendo com que a cidade construa e adquira mais unidades. Prometendo “construir uma Toronto que é atenciosa, acessível e segura”, ela propôs aumentar os impostos sobre a propriedade, sem dizer quanto./Com NYT.

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