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Em meio à tensão crescente no Mar Báltico, Estônia repreende Rússia por violação do espaço aéreo

Helicóptero russo sobrevoou espaço aéreo da Estônia sem permissão no último dia 18

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Por Redação
Atualização:

Em meio à tensão crescente no Mar Báltico, a Estônia protestou nesta terça-feira, 21, contra a Rússia por uma violação “extremamente séria” do seu espaço aéreo por um helicóptero de Moscou. Trata-se da segunda vez em menos de duas semanas que o embaixador russo em Tallinn, capital da Estônia, é repreendido pelo governo local.

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Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Estônia. o helicóptero russo sobrevoou um ponto no sudeste do país sem permissão no dia 18 deste mês. O incidente foi considerado “extremamente grave e lamentável” pelo governo. “Sem dúvida, causa tensões adicionais e é completamente inaceitável”, afirma em comunicado.

No dia 10, o país repreendeu a Rússia pela primeira vez por conta dos elogios do presidente Vladimir Putin a um governante russo do século 18 que capturou uma cidade pertencente à Estônia no presente.

Imagem mostra helicóptero militar da Rússia em voo sobre cidade de Popasna, na Ucrânia, no dia 26 de maio. Estônia reclamou nesta terça-feira, 21, de aeronave russa sobre seu espaço aéreo  Foto: Alexander Ermochenko / Reuters

A nova repreensão, no entanto, acontece no momento em que Moscou ameaçou punir a Lituânia por sanções que proíbem o trânsito de algumas mercadorias para o exclave de Kaliningrado. No comunicado desta terça-feira, a Estônia também expressa solidariedade com a nação báltica da Lituânia e repreende a Rússia pela invasão na Ucrânia. “A Rússia deve parar de ameaçar seus vizinhos e entender que o preço da agressão lançada contra a Ucrânia é realmente alto”, diz.

Estônia, Lituânia e Letônia pertenciam ao império russo antes de conquistar a independência após a 1ª Guerra. Em 1940, a União Soviética anexou o trio, que recuperou a independência em 1991.

Tensões no Mar Báltico

A decisão da Lituânia de impedir o trânsito de determinados produtos entre Moscou e o exclave de Kaliningrado, território russo encrustado no Mar Báltico, cercado por países do bloco europeu aumentou a tensão já existente entre a Rússia e as nações do Mar Báltico.

A Rússia considerou a decisão como “hostil” e “sem precedentes” e prometeu uma resposta com “um impacto negativo significativo” no povo lituano. A ameaça causou preocupação imediata na União Europeia e na Otan.

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As tensões na região, entretanto, estão altas desde que a Suécia e Finlândia anunciaram que pretendem ingressar na Otan.

Com uma população de cerca de 430 mil habitantes, Kaliningrado faz fronteira com a Polônia, a oeste, e a Lituânia, a leste. A cidade, de origem prussiana, era chamada Königsberg até ser conquistada pela União Soviética em 1945, após a derrota da Alemanha nazista. Com a independência dos Estados bálticos da URSS, em 1991, o território foi isolado do resto da Rússia, nas foi mantido como uma área estratégica.

Trem de carga e vagões, após a proibição da Lituânia de trânsito de mercadorias sob sanções da UE através do enclave russo de Kaliningrado  Foto: Vitaly Nevar/REUTERS

De acordo com Jonas Kjellen, analista da FOI, agência estatal de pesquisa de defesa da Suécia, Kaliningrado é uma “zona tampão natural” que fornece a primeira linha de defesa para a Rússia a partir do Ocidente. A região possui sistemas de radar que fornecem vigilância aérea da Europa central - e, recentemente, a Rússia foi acusada de instalar mísseis Iskander, com capacidade nuclear, na região.

De acordo com Michael Kofman, diretor do Programa de Estudos da Rússia do CNA, um think-tank americano, Kaliningrado provavelmente é a parte da Rússia mais vigiada por espiões ocidentais. Mas, ao mesmo tempo que representa um ativo militar, sendo o ponto de apoio do poderio militar naval russo no Báltico, e considerada uma base marítima à prova de naufrágios - ela representa um problema logístico por ser facilmente isolada em caso de conflito.

“Se um incidente acontecesse (entre Otan e Rússia), provavelmente seria no Mar Báltico”, avaliou Kjellen a The Economist. /REUTERS

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