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Estátuas de bronze de 2 mil anos de idade são encontradas na Itália; veja imagens

Arqueólogos e historiadores apontam que descobertas podem ajudar a reconstruir o que se sabe sobre as civilizações romana e etrusca

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Por Redação
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ROMA — Autoridades italianas anunciaram nesta terça-feira, 8, a descoberta de estátuas de bronze de 2 mil anos de idade em uma antiga fonte termal na Toscana. De acordo com os arqueólogos, a descoberta “reescreverá a história” sobre a transição da civilização etrusca para o Império Romano.

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A descoberta, nos banhos sagrados da escavação arqueológica de San Casciano dei Bagni, perto de Siena, é uma das mais significativas já feitas no Mediterrâneo e certamente a mais importante desde a descoberta submarina dos famosos guerreiros de bronze Riace, em 1972, disse Massimo Osanna, o diretor de museus do Ministério da Cultura da Itália.

Graças à proteção natural feita pela lama, cerca de 20 estatuetas e outros objetos de bronze foram encontrados em perfeito estado de conservação, com delicados traços faciais, inscrições e túnicas onduladas. Ao lado dos artefatos estavam 5 mil moedas em ouro, prata e bronze, disse o ministério.

Como prova da importância do achado, o ministério anunciou a construção de um novo museu na área para abrigar as antiguidades.

Jacopo Tabolli, que coordenou a escavação pela Universidade para Estrangeiros de Siena, disse que a descoberta foi significativa porque lança uma nova luz sobre o fim da civilização etrusca e a expansão do Império Romano na Itália central de hoje, entre os séculos II e I a.C.

O período foi marcado por guerras e conflitos nas atuais regiões da Toscana, Úmbria e Lácio, e ainda assim, as estátuas de bronze mostram evidências de que famílias etruscas e romanas rezavam juntas para divindades no santuário sagrado das fontes termais. As estátuas, incluindo representações de Apolo e Igea, o antigo deus grego e deusa da saúde, têm inscrições etruscas e latinas.

Estátua de bronze retirada do sítio arqueológico de San Casciano di Bagni, perto de Siena, na Itália. Foto: Jacopo Tabolli/ Universita per Stranieri di Siena/ EFE

“Enquanto havia guerras sociais e civis sendo travadas fora do santuário... dentro do santuário, as grandes famílias etruscas e romanas da elite rezavam juntas em um contexto de paz cercado por conflitos”, disse Tabolli. “Esta possibilidade de reescrever a relação e a dialética entre etruscos e romanos é uma oportunidade excepcional.”

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Algumas das representações em bronze são figuras humanas inteiras de divindades, enquanto outras são de partes e órgãos individuais do corpo, que teriam sido oferecidos como oferendas votivas aos deuses para intervenção para curas médicas através das águas termais, informaram as autoridades italianas.

“Isso é quase um raio-X do interior humano, dos pulmões aos intestinos”, disse Osanna, apontando para um pulmão no laboratório de restauração onde os bronzes estão sendo tratados. “Existem orelhas e outras partes anatômicas como mãos. Então, todas essas coisas que as águas curativas e a intervenção das divindades teriam podido salvar.”

A descoberta representa o maior depósito de bronze desta época na Itália, notável também porque a maioria das antiguidades sobreviventes do período são principalmente em terracota, disse o ministério. “É uma descoberta que vai reescrever a história”, disse Tabolli em comunicado./ AP

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