Guerra em Gaza: Rússia e China vetam resolução de cessar-fogo dos EUA no Conselho de Segurança

Resolução foi o primeiro pedido de cessar-fogo apresentado pelos EUA no Conselho de Segurança

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Por Redação
Atualização:

A Rússia e a China vetaram nesta sexta-feira, 22, a resolução de cessar-fogo na Faixa de Gaza proposta pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU. A resolução, que pedia um “cessar-fogo imediato e sustentado”, recebeu 11 votos favoráveis e 3 contrários, com Rússia e China utilizando o poder de veto por serem membros permanentes. A Argélia foi o terceiro país a também votar contra.

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A resolução apresentada refletia a insatisfação do governo do Joe Biden com a conduta de Israel na guerra e teve o objetivo de pressionar Israel a não atacar a cidade de Rafah, no sul de Gaza, onde milhões de civis estão abrigados. Entretanto, as divisões internacionais, incluindo o uso do poder de veto no Conselho por parte dos EUA em resoluções anteriores, e a relutância americana em pedir um cessar-fogo permanente dificultaram a aprovação.

O Conselho deve votar mais uma resolução nesta sexta-feira, que pede um cessar-fogo imediato durante o mês do Ramadã, com potencial de se tornar um cessar-fogo permanente. Os EUA devem votar essa nova resolução.

Imagem mostra embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, durante reunião do Conselho de Segurança nesta sexta-feira. China e Rússia vetaram resolução Foto: Bebeto Matthews / AP

Após a votação, a embaixadora dos EUA, Linda Thomas-Greenfield, defendeu a resolução. “[Os EUA apresentaram] de boa fé após consultar todos os membros do Conselho e após várias rodadas de edições”, declarou.

Segundo Thomas-Greenfield, o veto da Rússia e da China aconteceu por dois motivos: a recusa de condenar o Hamas e aprovar algo escrito pelos EUA. “Simplesmente não quiseram votar a favor de uma resolução que foi escrita pelos Estados Unidos porque preferia nos ver fracassar do que ver este Conselho ter sucesso”, disse.

O embaixador da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, chamou a iniciativa dos EUA antes da votação de “hipócrita” e com uma “formulação enfraquecida” em relação ao cessar-fogo. “Para salvar a vida de palestinos pacíficos, isso não é suficiente”, declarou.

Os EUA haviam vetado três resoluções anteriores que exigiam o fim dos combates em Gaza com o argumento que as medidas poderiam atrapalhar as negociações para libertação de reféns e a defesa firme de que Israel tem o direito de se defender, após o ataque do Hamas em 7 de outubro. Em todas essas, os EUA foram o único voto contrário. Rússia e Reino Unido se abstiveram da primeira votação, em outubro, e o Reino Unido se absteve de votações em dezembro e fevereiro.

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À medida que o número de mortos cresceu em Gaza, Biden passou a sofrer pressão interna por causa do apoio a Israel. Em resposta, as críticas ao governo israelense de Binyamin Netanyahu aumentou. Mais de 30 mil pessoas já morreram no enclave, segundo as autoridades internacionais.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, que se reuniu com Netanyahu e outros líderes israelenses em Tel-Aviv nesta sexta-feira, disse que um cessar-fogo imediato permitiria a libertação de reféns e um aumento na ajuda humanitária que aliviaria o sofrimento entre os 2,2 milhões de civis na Faixa de Gaza.

O pedido de um cessar-fogo “imediato” foi uma mudança em relação a um projeto de resolução do Conselho de Segurança que os EUA divulgaram no mês passado, que pedia um cessar-fogo temporário “o mais rápido possível”.

Em paralelo a reunião do conselho, uma delegação de mediadores de Israel, Egito, Catar e Estados Unidos se reuniu em Doha, capital do Catar, para “antecipar a libertação dos reféns” ainda detidos em Gaza, segundo o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

Em dezembro, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que pedia “pausas e corredores humanitários urgentes e prolongados” para permitir que a ajuda chegasse aos civis em Gaza. Mas essa medida não chegou a exigir um cessar-fogo. Os Estados Unidos e a Rússia se abstiveram nessa votação. /Com NYT

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