Inteligência dos EUA flagra líderes iranianos dizendo que danos ao programa nuclear foram moderados

Autoridades foram ouvidas dizendo que ataque de Trump ao Irã se mostrou menos devastador do que esperado

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Por John Hudson (The Washington Post) e Warren P. Strobel (The Washington Post)
Atualização:

Conversas entre a cúpula do regime do Irã obtidas por agências de inteligência dos Estados Unidos indicam que os danos provocados pelos ataques militares ao programa nuclear foram menos devastadores do que o esperado. A informação foi divulgada por quatro pessoas familiarizadas com o assunto.

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Os ataques dos EUA, que incluíram bombas e mísseis Tomahawk, danificaram severamente as instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan. No entanto, a extensão da destruição e quanto tempo o Irã pode levar para reconstruir as instalações têm sido temas de intenso debate.

 Há relatos de que o país teria movido seus estoques de urânio altamente enriquecido antes do ataque e de que as explosões selaram as entradas de duas das instalações, mas não causaram o colapso de suas estruturas subterrâneas.

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Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra escavadeiras em entrada de túnel das instalações nucelares de Fordow, que teriam sido danificadas pelos EUA Foto: AP

O governo Trump não contestou a existência da comunicação interceptada, que não havia sido divulgada anteriormente, mas discordou veementemente das conclusões dos iranianos e questionou a capacidade deles de avaliar os danos nas três instalações nucleares alvo da operação dos EUA.

“É vergonhoso que o Washington Post esteja ajudando pessoas a cometer crimes ao publicar vazamentos fora de contexto”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. “A ideia de que autoridades iranianas não identificadas saibam o que aconteceu sob centenas de metros de escombros é um absurdo. O programa de armas nucleares deles acabou.”

Quando questionado sobre a comunicação interceptada, um funcionário do governo Trump disse que os iranianos estavam “errados porque destruímos a instalação de conversão de metal deles. Sabemos que nossas armas foram entregues exatamente onde queríamos e que tiveram o efeito desejado.”

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Durante sessões confidenciais no Congresso na semana passada, o diretor da CIA, John Ratcliffe, disse aos legisladores que vários locais nucleares-chave foram completamente destruídos, incluindo as operações de conversão de metal do Irã, segundo um funcionário dos EUA. A instalação, essencial para construir o núcleo explosivo de uma bomba, levaria anos para ser reconstruída, afirmou o funcionário. Ratcliffe também disse que a comunidade de inteligência dos EUA avalia que a “grande maioria” do urânio enriquecido do Irã está “provavelmente enterrada em Isfahan e Fordow”.

Após o Washington Post buscar comentários do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, um alto funcionário da inteligência dos EUA afirmou que um fragmento de conversas interceptadas, “por si só, não reflete o quadro completo.”

“Uma única ligação telefônica entre iranianos não identificados não equivale a uma avaliação de inteligência, que leva em conta um conjunto de evidências, com múltiplas fontes e métodos”, disse esse funcionário.

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Ligações telefônicas interceptadas, e-mails e outras comunicações eletrônicas — conhecidas como inteligência de sinais — estão entre as ferramentas mais poderosas do arsenal das agências de espionagem dos EUA e frequentemente compõem a maior parte das informações diárias de inteligência encaminhadas ao presidente Trump. No entanto, a inteligência de sinais também tem suas limitações, já que trechos de conversas captados às vezes carecem de contexto e precisam ser combinados com outras informações para oferecer um retrato mais completo dos acontecimentos.

Trump tem ficado furioso com a cobertura da imprensa que diverge de suas alegações sobre a missão de bombardeio, que precedeu um cessar-fogo entre Irã e Israel após 12 dias de hostilidades.

Trump também colocou em dúvida os relatos de que o estoque de urânio foi transferido, dizendo em uma entrevista gravada previamente para a Fox News, programada para ir ao ar no domingo: “Acho que não fizeram isso, não. É muito difícil de fazer. É muito perigoso de fazer... Eles não sabiam que estávamos chegando até aquele momento.”

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A conclusão da Agência de Inteligência de Defesa foi baseada em informações disponíveis cerca de 24 horas após o ataque e indicava que algumas das centrífugas do Irã — usadas para enriquecer urânio que pode ser empregado em armas nucleares — permaneciam intactas.

O governo Trump criticou alguns veículos de imprensa por não destacarem que o relatório da agência, o qual considera de “baixa confiança”, alerta que uma avaliação completa dos danos causados pela operação militar exige “de dias a semanas para acumular os dados necessários para avaliar os efeitos sobre o sistema-alvo.”

O governo, porém, não esperou para destacar suas próprias conclusões de que os ataques atrasaram o programa iraniano por “anos”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, que deu uma coletiva de imprensa sobre a operação na quinta-feira ao lado do presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, disse que Trump “dirigiu a operação militar mais complexa e sigilosa da história — e foi um sucesso retumbante”.

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No Capitólio, os desacordos sobre a eficácia dos ataques persistiram mesmo após as sessões confidenciais do governo Trump com os parlamentares na semana passada.

“Saí daquela sessão ainda convencido de que não destruímos o programa”, disse o senador democrata Chris Murphy, do Connecticut, a repórteres. “O presidente enganou deliberadamente o público ao dizer que o programa foi destruído. É certo que ainda há capacidade significativa, equipamentos significativos que permanecem.”

“Você não pode bombardear o conhecimento até que ele deixe de existir — não importa quantos cientistas sejam mortos”, acrescentou Murphy. “Ainda há pessoas no Irã que sabem operar centrífugas. Se eles ainda têm urânio enriquecido e a capacidade de usar centrífugas, então o programa não foi atrasado em anos. Foi atrasado em meses.”

O senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, um aliado próximo de Trump, disse que “destruição” era uma “boa palavra” para descrever os ataques, que, segundo ele, atrasaram o programa por anos. Mas reconheceu que as capacidades do Irã poderiam ser restauradas.

“A verdadeira questão é: será que nós destruímos o desejo deles de ter uma arma nuclear?”, disse Graham a repórteres. “Não quero que as pessoas pensem que o local não foi severamente danificado. Foi. Mas, dito isso, não quero que as pessoas pensem que o problema acabou, porque não acabou.”

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que Trump “exagerou” os resultados de seus ataques. “Eles atacaram nossas instalações nucleares”, afirmou, “mas não conseguiram fazer nada de importante”.

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