Israel proíbe entrada de ajuda humanitária em Gaza e cria zona de segurança em 30% do território

Tel-Aviv bloqueia a entrada de ajuda ao enclave palestino desde 2 de março, com a justificativa de que o Hamas utiliza e desvia a distribuição, o que o grupo terrorista nega

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Por Redação
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TEL-AVIV - Israel afirmou nesta quarta-feira, 16, que continuará bloqueando a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, onde sua ofensiva militar transformou o território palestino em uma “vala comum”, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Além disso, o Exército israelense anunciou que transformou cerca de 30% do enclave em uma zona de segurança, o que impede a habitação dos palestinos no local.

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Israel bloqueia a entrada de ajuda humanitária à Gaza desde 2 de março no território palestino, onde a ONU alerta para uma situação alarmante entre os 2,4 milhões de habitantes após 18 meses de guerra entre o Exército israelense e o grupo terrorista Hamas.

“Em Gaza não entrará nenhuma ajuda humanitária. E bloquear esta ajuda é uma das principais alavancas de pressão para impedir que o Hamas a utilize como uma ferramenta com a população”, disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.

Um homem palestino chora enquanto os corpos de seus parentes são preparados para sepultamento após ataques israelenses em Nazla, norte de Gaza, nesta quarta, 16 Foto: Bashar Taleb/AFP

O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU alertou na segunda-feira que a situação humanitária na Faixa de Gaza era talvez a pior desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023.

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O estreito território sofre escassez de alimentos, água, combustível e outros produtos essenciais, segundo as organizações humanitárias. Israel acusa o Hamas de desviar a ajuda humanitária e assumir a distribuição há meses, o que o grupo nega.

A pedido da ONU, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) realizará várias audiências a partir de 28 de abril sobre as obrigações humanitárias de Israel com os palestinos. Embora suas decisões sejam juridicamente vinculantes, o tribunal não tem meios práticos para aplicá-las.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que as operações militares israelenses e o bloqueio da ajuda transformaram Gaza em um cemitério para palestinos e trabalhadores humanitários. “Gaza se tornou uma vala comum para os palestinos e aqueles que vêm em sua ajuda”, denunciou a MSF.

A ONU assegurou na quarta-feira que cerca de 500.000 palestinos foram deslocados desde o final do cessar-fogo, provocando o que descreveu como uma das crises humanitárias mais graves no território.

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Zona de segurança

Israel retomou os ataques aéreos e terrestres na Faixa de Gaza em 18 de março, encerrando um cessar-fogo de dois meses com o Hamas, que havia em grande parte interrompido as hostilidades no território. Como parte da retomada dessas operações, o Exército israelense afirmou que havia alcançado controle operacional total de várias áreas e rotas chave em toda a Faixa de Gaza.

“Aproximadamente 30% do território da Faixa de Gaza agora está designado como Perímetro de Segurança Operativa”, uma área de amortecimento onde a população palestina não pode viver, indicou o Exército, que adicionou em um comunicado que havia atacado cerca de 1.200 “alvos terroristas” por via aérea e que havia realizado mais de 100 “eliminações seletivas” desde 18 de março.

O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou no início do mês que o Exército estava tomando controle de “vastas áreas” em Gaza, tornando-a menor e mais isolada.

Altos funcionários israelenses reafirmaram repetidamente que a pressão militar era a única forma de forçar o Hamas a libertar os 58 reféns que ainda estão detidos em Gaza.

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A guerra na Faixa de Gaza eclodiu após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, no qual morreram 1.218 pessoas do lado israelense, a maioria civis, segundo dados oficiais. Das 251 pessoas sequestradas nesse dia, 58 ainda estão retidos em Gaza, dos quais 34 estão mortos, segundo o Exército israelense.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, indicou nesta quarta que pelo menos 1.652 palestinos morreram desde 18 de março, elevando para 51.025 os mortos desde o início das retaliações israelenses.

Palestinos verificam os estragos de um bombardeio israelense no norte da Faixa de Gaza nesta quarta, 16 Foto: Bashar Taleb/AFP

Nova trégua?

A Defesa Civil palestina anunciou na quarta-feira que os últimos bombardeios israelenses deixaram 11 mortos, incluindo mulheres e crianças. “Nossas equipes transferiram para o hospital Al Shifa na Cidade de Gaza 10 mortos e vários feridos, entre eles várias crianças e mulheres”, disse à AFP o porta-voz desta organização de emergência, Mahmud Bassal.

Os esforços para restaurar um cessar-fogo parecem ter sido até agora em vão.

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O Hamas, que chegou ao poder em Gaza em 2007 e é considerado como uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e a UE, está analisando uma proposta israelense de trégua temporária, transmitida pelos mediadores egípcios.

Segundo um alto funcionário do grupo, Israel pede o retorno de 10 reféns vivos em troca de uma trégua de “pelo menos 45 dias”, a libertação de 1.231 presos palestinos detidos pelo Estado judeu e uma autorização de acesso da ajuda humanitária ao enclave. Israel ainda não se manifestou sobre o assunto./AFP