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LA PAZ - A Justiça da Bolívia ordenou a prisão de Evo Morales, acusado por tráfico de uma menor de idade. Ele também teve os bens congelados e foi proibido de deixar o país depois que faltou à audiência de medidas cautelares, alegando problemas de saúde. O ex-presidente rejeita as alegações e acusa o presidente Luis Arce de perseguição.
Evo Morales havia sido intimado para audiência sobre o pedido de prisão preventiva contra ele na terça-feira mas não compareceu. A defesa alegou problemas de saúde e apresentou laudos de broncopneumonia e bradicardia. Os documentos, contudo, foram rejeitados pelo juiz Nelson Rocabado. Ele entendeu que os atestados não comprovaram o impedimento de Evo Morales comparecer à audiência desta semana.
Antes disso, o ex-presidente havia faltado a convocação para prestar depoimento em outubro, durante a fase de investigação. Na época, o risco de que Evo Morales fosse detido, desencadeou protestos de apoiadores, que bloquearam rodovias na Bolívia. Em meio à tensão, ele denunciou ter sido atacado à tiros em alegada tentativa de prisão. O governo, por sua vez, acusou Morales de armar um “teatro” com o suposto atentado.

Acusação de tráfico de pessoas
De acordo com o Ministério Público, Morales teria se relacionado com uma adolescente de 15 anos, com que teve uma filha, enquanto era presidente da Bolívia. Ainda segunda a denúncia, os pais da menina consentiram com a relação em troca de benefícios.
Evo, de 65 anos, nega as denúncias e argumenta que uma investigação sobre o caso foi arquivada em 2020. Na ocasião, o ex-presidente foi acusado de estupro, pela suposta relação sexual com a menor de idade. Desta vez, a promotoria se concentra na acusação de tráfico de pessoas. Se condenado, o ex-presidente pode pegar pena de 10 a 15 anos de prisão, segundo o Ministério Público.
O ex-presidente se encontra em Cochabamba, seu reduto político no centro do país, sob a proteção de partidários, que afirmam ter montado vários “anéis de segurança” para impedir a prisão.
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“A segurança do irmão Evo, neste momento, está a cargo de mais de 2.000 pessoas, todos os dias e 24 horas”, disse Vicente Choque, da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia, um dos aliados mais próximos do ex-presidente.
Desde que o processo veio à tona, Evo afirma ser vítima de uma “brutal guerra jurídica” orquestrada pelo governo de Luis Arce, o antigo aliado com quem rompeu numa disputa pela liderança da esquerda.
Nesta sexta-feira, o ex-presidente disse que é vítima de uma “justiça tendenciosa e servil” ao governo de seu ex-aliado Luis Arce.
“Denuncio o mundo que me persegue e me condena em tempo recorde, uma ‘justiça’ tendenciosa e servil ao governo Arce (...) que dominou todo o Poder Judiciário”, escreveu Morales em seu relato X.
Presidente da Bolívia de 2006 a 2019, Morales está impedido de concorrer à presidência por decisão da Justiça que estabeleceu o limite de dois mandatos. Ainda assim, ele insiste que será candidato e acusa Arce a de tentar “eliminá-lo” da vida política das eleições deste ano./AFP




