O que esperar do encontro entre Lula e Trump na Casa Branca?
Brasileiro se reúne com o americano nesta quinta-feira em Washington onde devem falar de economia e segurança. Crédito: Enviado Especial a Washington
Gerando resumo
ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON-O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, nesta quinta-feira, dia 7, vai ser acompanhado por uma comitiva de governo de cada país. Eles vão se reunir às 11h, no horário local de Washington.
Segundo previsão repassada pela Casa Branca ao Palácio do Planalto, Trump e Lula vão levar cada um ao menos cinco autoridades para a reunião bilateral.
Do lado americano, estarão no Salão Oval o vice-presidente, JD Vance, a chefe de Gabinete, Susie Wiles, o representante comercial, Jamieson Greer, e os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick.

Pelo governo brasileiro, Lula vai levar os ministros Mauro Vieira (Itamaraty), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Wellington César (Justiça e Segurança), Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também compõe a comitiva do petista.
Lula e Trump também vão almoçar juntos na Casa Branca, conforme o programa do anfitrião americano, a partir das 11h45. A recepção e cumprimentos, primeira interação, é o primeiro compromisso.
Reunião
O encontro entre os dois líderes foi organizado após gestões diplomáticas secretas, reveladas pelo Estadão, e por intermédio de contatos empresariais. Antes, atritos entre os presidentes culminaram na imposição de tarifas por parte dos americanos aos produtos brasileiros. Os líderes então estabeleceram um canal direto de diálogo, conversaram pelo telefone, mas nunca chegaram a anunciar um acordo ou parceria.

A reunião desta quinta-feira,7, pode destravar esse processo, a partir da manifestação de vontade de ambos a favor de um entendimento, segundo autoridades de governo que acompanharam as tratativas. Não há, no entanto, garantias de que acordos serão selados e apresentados publicamente.
Para estrategistas do governo brasileiro, o encontro tende a ser o ponto de partida para futuros acordos e o impulso dos presidentes.
Temas
Com uma nova foto do aperto de mãos e uma reunião produtiva na Casa Branca, Lula busca um armistício com Trump acerca da eleição presidencial de outubro.
O petista tenta manter a “química excelente” com o americano, conquistada durante um encontro na Malásia ano passado, para constranger qualquer possibilidade de Trump declarar apoio a seu principal adversário nas pesquisas - o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - e mesmo ingerências por meio de grupos e movimentos políticos da direita radical americana, por meio de redes sociais.
Os dois líderes também devem conversar sobre o acesso a minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras e o principal objetivo americano é evitar que a China continue avançando no setor brasileiro como tem feito até aqui. Pequim, que domina a mineração e o processamento, já restringiu exportações que afetaram os EUA.
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Lula também quer falar sobre o tarifaço aplicado por Trump em julho do ano passado e derrubado pela Suprema Corte americana. A classificação de organizações criminosas latino-americanas como terroristas também vai entrar na pauta.
Brasília deseja evitar que as duas maiores facções brasileiras entrem na lista: Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O governo brasileiro entende que a classificação não encontra respaldo legal e teme que embase, no limite, uma intervenção militar em território nacional.



